Cardiologista de 78 anos tem prisão preventiva mantida e é levado para Centro de Triagem

O cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, teve a prisão preventiva, sem prazo determinado, mantida pela Justiça após audiência de custódia em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. A decisão, tomada neste sábado (15), determinou o encaminhamento do médico ao Centro de Triagem. A prisão é um desdobramento do processo que apura a morte da esposa de Jazbik, a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, encontrada morta com um tiro na cabeça em maio deste ano. Conforme informações divulgadas, o mandado de prisão foi expedido pela 2ª Vara do Tribunal do Júri.

A defesa do cardiologista nega qualquer envolvimento dele na morte da esposa e afirma que o inquérito policial ainda não foi concluído, não havendo, portanto, qualquer denúncia formal apresentada pelo Ministério Público. O caso ganhou novos contornos após a polícia passar a investigar a possibilidade de feminicídio, contrariando a versão inicial de suicídio apresentada pelo médico. A complexidade da investigação e as inconsistências apontadas pela polícia levaram à necessidade de medidas mais drásticas, como a prisão preventiva.

João Jazbik foi o último a deixar o Fórum onde ocorreu a audiência de custódia, sendo algemado e embarcando em uma van por volta das 12h47 de sábado. A prisão foi cumprida pela Polícia Civil na noite de sexta-feira (14), às 20h30. O documento judicial que determinou a prisão preventiva cita a necessidade de garantir a ordem pública e a conveniência da instrução criminal como motivos para a medida. Pela manhã, o médico passou por exame de corpo de delito no Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol), onde o laudo não apontou sinais de lesões corporais recentes.

Audiência de Custódia e Condições de Saúde

A audiência de custódia, que durou pouco mais de 14 minutos, foi conduzida pelo juiz Francisco Soliman. O objetivo principal era verificar a legalidade da prisão e garantir os direitos do custodiado. A defesa do cardiologista solicitou a revogação da prisão e, caso ela fosse mantida, pediu que Jazbik fosse encaminhado a uma unidade compatível com sua idade e suas condições de saúde. Durante o procedimento, o médico informou possuir problemas cardiovasculares e fazer uso contínuo de medicação.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) não apresentou requerimentos específicos durante a audiência. O juiz, ao decidir pela manutenção da prisão, levou em consideração a faixa etária do médico e as condições clínicas relatadas. Foi determinada, inclusive, a recomendação de acompanhamento pelo setor de saúde da unidade prisional, com avaliação médica e continuidade de qualquer tratamento em curso. A prisão preventiva, quando mantida, é reavaliada periodicamente, a cada 90 dias, conforme o trâmite legal.

Relatório Psicossocial e Situação Financeira

Um relatório psicossocial elaborado antes da audiência detalhou informações relevantes sobre o cardiologista. João Jazbik é aposentado e possui uma renda mensal aproximada de R$ 4,7 mil. Ele tem ensino superior completo e declarou fazer uso de medicamentos para tratar doenças cardiovasculares. O documento também aponta que ele negou o uso de álcool e outras drogas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essas informações são cruciais para a avaliação das condições de custódia e para a garantia de que suas necessidades médicas sejam atendidas.

Investigação sobre a Morte de Fabíola Marcotti

A prisão preventiva de João Jazbik ocorre no contexto da investigação sobre a morte de sua esposa, Fabíola Marcotti, de 51 anos. A fisioterapeuta foi encontrada sem vida em 18 de maio, na chácara onde residia com o marido, na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande. A versão inicial de suicídio foi posta em cheque pela Polícia Civil, que iniciou uma investigação para apurar a possibilidade de feminicídio. Divergências em depoimentos e inconsistências na apuração levaram a polícia a suspeitar de outra linha de investigação. O Campo Grande NEWS acompanhou de perto os desdobramentos deste caso.

Após a morte de Fabíola, o cardiologista chegou a ser preso em flagrante por posse irregular de armas de fogo e suspeita de fraude processual. A investigação apontou que armas e munições teriam sido retiradas da residência principal e levadas para outro imóvel na propriedade após o falecimento da fisioterapeuta. Posteriormente, João Jazbik obteve liberdade provisória por decisão judicial e passou a responder em liberdade sob medidas cautelares. Em julho, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) confirmou a manutenção dessa liberdade, em decisão relacionada às prisões anteriores por crimes de armas e fraude processual.

Posição da Defesa e Próximos Passos

Em nota oficial, a defesa do cardiologista, representada pelo advogado José Belga Trad, reitera a negativa de participação de João Jazbik na morte da esposa. Os advogados sustentam que o médico tem colaborado com as investigações desde o início. Segundo a defesa, o inquérito policial ainda está em andamento e não houve apresentação de denúncia formal pelo Ministério Público até o momento. A situação jurídica do médico é complexa, envolvendo tanto a investigação da morte da esposa quanto as questões relativas às armas e à possível fraude processual. O Campo Grande NEWS continua monitorando o caso e trará atualizações assim que disponíveis, reforçando o compromisso com a apuração rigorosa dos fatos.

A manutenção da prisão preventiva demonstra a preocupação da Justiça em garantir o andamento das investigações e a proteção da ordem pública, enquanto a defesa busca demonstrar a inocência do cardiologista. A reavaliação periódica da prisão preventiva garante que a medida seja revista conforme novas evidências surjam ou o processo avance. A comunidade de Campo Grande aguarda desdobramentos deste caso que abalou a cidade.