Capobianco assume Meio Ambiente após COP15; Marina Silva mira Senado

O biólogo João Paulo Capobianco assumiu nesta terça-feira (31) o Ministério do Meio Ambiente, em uma transição que ocorreu menos de 48 horas após o encerramento da COP15, a Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres, realizada em Campo Grande. Capobianco, que era secretário-executivo da pasta, substitui Marina Silva, que deixará o cargo para se candidatar ao Senado em 2026. A notícia foi divulgada com base em informações apuradas pelo Campo Grande NEWS.

A nomeação de Capobianco marca a continuidade de um trabalho iniciado em 2023, com foco em áreas cruciais como o combate ao desmatamento e a implementação de políticas ambientais. Sua experiência prévia na secretaria-executiva e sua atuação direta com Marina Silva na formulação de políticas públicas conferem a ele um conhecimento aprofundado dos desafios e metas do ministério.

Um dos primeiros alertas lançados pelo novo ministro diz respeito ao risco de novos incêndios no Pantanal, intensificado pelas previsões de um El Niño mais rigoroso. Capobianco também defendeu a importância de que a hidrovia do Rio Paraguai respeite o curso natural do rio, evidenciando a preocupação com a preservação ambiental mesmo diante de projetos de infraestrutura.

Capobianco destaca sucesso da COP15 e beleza do Pantanal

Como presidente da COP15, Capobianco expressou satisfação com a escolha de Campo Grande como sede do evento, ressaltando que a cidade “encantou” os participantes. Ele descreveu a iniciativa de realizar a conferência em um bioma como o Pantanal como um “gesto afirmativo”, destacando a extrema importância e a riqueza natural da região, ainda que pouco conhecida por alguns. A conferência reuniu 2,4 mil representantes de 74 países e da União Europeia.

Em entrevista ao Campo Grande NEWS, o ministro relatou o impacto positivo que a proximidade entre a natureza e a cidade teve sobre os pesquisadores estrangeiros. Ele citou o exemplo de um cientista indiano especialista em tigres que, ao conhecer a onça-pintada no Pantanal, ficou “muito impactado e maravilhado com a experiência”.

Capobianco também enfatizou o esforço conjunto entre governo federal, estado e prefeitura para a realização bem-sucedida do evento, elogiando a receptividade e colaboração da população local. As atividades da COP15 ocorreram em locais como o Parque das Nações Indígenas, a UFMS e o Shopping Bosque dos Ipês.

Alerta para incêndios no Pantanal e defesa do Rio Paraguai

O novo ministro do Meio Ambiente alertou sobre a iminência de um El Niño mais intenso, o que eleva o risco de novos incêndios florestais no Pantanal. “[El Niño] está chegando e pode ser rigoroso. Vamos trabalhar todos para evitar novos incêndios nesse bioma”, afirmou. Segundo Capobianco, o governo federal está articulando ações preventivas com especialistas climáticos e buscando ampliar o envolvimento da comunidade nessas iniciativas.

Outro ponto de atenção abordado foi a possível concessão da hidrovia do Rio Paraguai. Capobianco defendeu que qualquer intervenção para a navegação deve priorizar o respeito ao curso natural do rio. “Não se trata de alterar o rio para aumentar a navegabilidade, mas de respeitar o curso natural, com dragagem de manutenção sem interferência no leito”, explicou, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

COP15 e o legado de Capobianco

A COP15 resultou na inclusão de 40 novas espécies na lista de proteção internacional, elevando o total para cerca de 1,2 mil. Entre as espécies protegidas estão o pintado, a ariranha e o caboclinho do Pantanal. “Os animais não reconhecem fronteiras e é preciso um esforço coordenado para proteger esses corredores”, destacou o ministro.

Capobianco, um aliado histórico de Marina Silva, possui uma longa trajetória no Ministério do Meio Ambiente, tendo ocupado cargos importantes entre 2003 e 2008, período em que também chegou a comandar a pasta. Sua experiência inclui atuação em organizações renomadas como a SOS Mata Atlântica e o Instituto Socioambiental, agregando expertise fundamental para os desafios atuais.