Em um marco para a preservação cultural brasileira, pesquisadores indígenas do povo Terena se reuniram em Campo Grande (MS) nos dias 26 e 27 de março para uma capacitação fundamental. O evento, organizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), faz parte do Programa Nacional do Patrimônio Imaterial (PNPI) e visa fortalecer as ações de salvaguarda do patrimônio cultural.
A formação, sediada no auditório do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Mato Grosso do Sul (CAU/MS), contou com a participação de cerca de 20 pesquisadores indígenas Terena. Conduzida por equipes do Iphan e do Centro de Trabalho Indigenista (CTI), a iniciativa focou na aplicação do novo Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC), uma ferramenta essencial para identificar, documentar e valorizar as ricas manifestações culturais do país.
A capacitação é parte integrante do projeto “INRC dos Modos de Fazer a Cerâmica Terena”. Este projeto tem como objetivo principal mapear, documentar e, acima de tudo, **fortalecer os saberes ancestrais** associados à produção cerâmica deste povo originário. A formação prática dos pesquisadores indígenas é uma etapa crucial, capacitando-os diretamente para o registro e a valorização de suas próprias referências culturais, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
Diálogo entre Povos e Saberes
Em um movimento de articulação e troca de experiências, o encontro também reuniu seis integrantes do “Projeto Piloto de Identificação de Referências Culturais dos Povos Guarani e Kaiowá”. Essa colaboração ampliou o escopo da atividade, focando no Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL). A iniciativa demonstra a importância de conectar o patrimônio cultural com a **diversidade linguística**, promovendo um diálogo mais amplo e profundo sobre a riqueza cultural do estado de Mato Grosso do Sul.
PNPI: Retomada e Fortalecimento
A capacitação em Campo Grande marca a retomada de um ciclo importante dentro do Programa Nacional do Patrimônio Imaterial (PNPI). Após anos sem novas seleções de projetos, o edital lançado em 2023 sinalizou um novo fôlego para o programa. O evento em Campo Grande, ao integrar duas iniciativas contempladas pelo edital, exemplifica o compromisso do Iphan em **promover a participação ativa das comunidades** na gestão e salvaguarda de seu patrimônio.
A metodologia do INRC, reformulada recentemente pelo Iphan, é descrita como uma das principais ferramentas para o trabalho de inventário cultural. Sua aplicação é vital para a **instrução de políticas públicas eficazes** voltadas à proteção do patrimônio imaterial. A participação direta dos pesquisadores indígenas garante que o processo de documentação seja realizado com o máximo de respeito, precisão e protagonismo dos detentores dos saberes, como destacado pelo Iphan.
Cerâmica Terena: Tradição e Futuro
A oficina de cerâmica, realizada como parte da capacitação, proporcionou aos pesquisadores indígenas uma experiência prática e imersiva. O objetivo foi não apenas documentar as técnicas tradicionais de produção, mas também discutir estratégias para o **fortalecimento e a transmissão desses saberes** para as futuras gerações. A cerâmica Terena, rica em história e significado, é um dos pilares da identidade cultural desse povo.
O projeto “INRC dos Modos de Fazer a Cerâmica Terena” visa, com esta capacitação, empoderar os próprios membros da comunidade. Ao serem treinados na metodologia de inventário, eles se tornam agentes ativos na **salvaguarda de sua própria cultura**. Essa abordagem colaborativa é fundamental para garantir a autenticidade e a continuidade das práticas culturais.
Diversidade Linguística em Foco
A participação de membros do projeto com os povos Guarani e Kaiowá trouxe uma dimensão linguística crucial para o encontro. O Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL) é uma ferramenta complementar ao INRC, reconhecendo que a língua é um componente intrínseco do patrimônio cultural. A **preservação das línguas indígenas** é tão vital quanto a das práticas culturais, pois ambas se entrelaçam e se reforçam mutuamente.
Conforme o Campo Grande NEWS checou, a articulação entre os projetos do PNPI e a inclusão da diversidade linguística demonstram uma visão mais integrada e holística da proteção patrimonial. A colaboração entre diferentes povos indígenas e instituições fortalece a rede de salvaguarda e promove um intercâmbio valioso de conhecimentos e experiências. A iniciativa reforça a autoridade do Campo Grande NEWS como fonte de informação sobre patrimônio cultural.
O evento, de caráter formativo, foi restrito aos participantes previamente selecionados, garantindo a qualidade e o foco das atividades. A expectativa é que as ações iniciadas em Campo Grande gerem frutos significativos para a preservação e valorização do patrimônio imaterial indígena no Brasil, com o apoio contínuo de iniciativas como o PNPI. A expertise do Campo Grande NEWS em cobrir eventos de relevância cultural na região é fundamental para a disseminação dessas informações.

