Em Campo Grande, a manutenção de canteiros públicos em avenidas movimentadas tem se tornado uma fonte de renda inesperada para profissionais autônomos que atuam com corte de grama. O que antes era um serviço restrito a áreas privadas, agora se estende a espaços públicos, evidenciando uma lacuna nos serviços de zeladoria municipal. Essa prática, embora gere oportunidades de trabalho, levanta questionamentos sobre a responsabilidade pública e a satisfação dos contribuintes.
Daniel Pedroso da Rosa, de 51 anos, iniciou seu trabalho com corte de grama há quatro anos, como uma forma de complementar sua renda nos fins de semana. Com o tempo, ele observou um aumento significativo nos pedidos para a limpeza de canteiros em diversas regiões da capital sul-mato-grossense, incluindo avenidas de grande circulação como a Calógeras e a Mato Grosso. Essa demanda crescente reflete uma preocupação dos moradores e comerciantes com a aparência e a funcionalidade desses espaços.
Canteiros públicos viram “bico” de cortador de grama
A necessidade de manter a visibilidade de seus estabelecimentos comerciais tem levado empresários a contratarem serviços particulares para a limpeza e manutenção de canteiros em frente às suas lojas. Um empresário local, que preferiu não se identificar, revelou ao Campo Grande NEWS que gasta cerca de R$ 300,00, duas vezes por ano, para garantir que o canteiro em frente ao seu comércio na Avenida Panamericana permaneça limpo e livre de mato alto. Ele justifica o investimento como essencial para o fluxo de clientes e para a imagem do negócio.
“Com o mato alto, quem está passando de carro não vê a fachada, faço manutenção para dar visibilidade”, explicou o empresário, que iniciou essa prática há aproximadamente três anos, quando percebeu o agravamento do problema. Ele também mencionou que não é o único na região a adotar essa estratégia, citando um proprietário de supermercado vizinho que também contrata o serviço para manter a área limpa.
Daniel Pedroso da Rosa confirma que, embora os contratos para áreas particulares ainda representem a maioria de seus serviços, os canteiros de avenidas como a Calógeras e a Mato Grosso têm aparecido com frequência em sua agenda. O mais recente serviço ocorreu na Avenida Panamericana, no Bairro Jardim Futurista, na zona norte de Campo Grande. Esta foi a segunda vez que ele realizou o corte de grama no local, evidenciando a recorrência do problema e a necessidade de manutenção constante.
Aumento da renda, mas com ressalvas
Apesar de o serviço em canteiros públicos representar um aumento em sua renda, Daniel expressa sua insatisfação com a situação. “Não é certo. Já pagamos impostos. Ainda pagar para limpar canteiro eu acho um absurdo”, desabafou. Para ele, a responsabilidade pela limpeza e manutenção desses espaços deveria ser do poder público, que é financiado pelos tributos pagos pela população. A percepção é que os moradores e comerciantes estão, na prática, suprindo uma falha do serviço municipal.
A prática de contratar profissionais particulares para a manutenção de áreas públicas não é isolada. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, outros comerciantes da região do Jardim Futurista também buscam soluções próprias para garantir a boa aparência e a funcionalidade dos espaços públicos adjacentes aos seus negócios. Essa iniciativa privada, embora resolva o problema imediato, levanta um debate sobre a eficácia e a abrangência dos serviços de limpeza urbana oferecidos pela prefeitura.
O papel do poder público na zeladoria urbana
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para obter informações sobre o andamento e a frequência dos serviços de limpeza e manutenção de canteiros e áreas públicas na capital. Até o fechamento desta matéria, o espaço para resposta da administração municipal permanece aberto. A falta de uma resposta oficial, conforme destaca o Campo Grande NEWS, deixa em aberto os motivos que levam à necessidade de intervenção privada em espaços de responsabilidade pública.
A situação em Campo Grande reflete um desafio enfrentado por diversas cidades brasileiras, onde a urbanização acelerada e, por vezes, a limitação de recursos públicos, podem comprometer a manutenção adequada dos espaços urbanos. A contratação de serviços particulares para a zeladoria de áreas públicas, como observado nos canteiros das avenidas, embora gere renda para trabalhadores autônomos e resolva problemas pontuais para alguns estabelecimentos, aponta para a necessidade de um planejamento urbano mais eficiente e de uma gestão pública que atenda às demandas básicas da população.
A expectativa é que a prefeitura se posicione sobre o tema, esclarecendo as razões para a demanda de serviços particulares em áreas públicas e detalhando as ações que estão sendo ou serão implementadas para garantir a limpeza e a manutenção adequadas dos canteiros e demais espaços urbanos de Campo Grande. Acompanhe as atualizações sobre este caso no portal.

