Câncer colorretal: 40% ignoram sangue nas fezes e atrasam diagnóstico

Sinais como sangue nas fezes e alterações no funcionamento do intestino por mais de um mês podem ser indicativos graves de câncer colorretal, mas muitos brasileiros ainda adiam a procura por assistência médica. Essa demora, mesmo com a consciência da gravidade dos sintomas, pode comprometer o prognóstico da doença. A informação é de um levantamento divulgado pelo Hospital A. C. Camargo em parceria com a Nexus, que entrevistou mais de 2 mil pessoas sobre o tema.

Atraso no diagnóstico: um perigo silencioso

A pesquisa aponta que, apesar de oito em cada dez entrevistados reconhecerem a gravidade de sintomas como a presença de sangue nas fezes e mudanças no hábito intestinal, quase metade não busca ajuda médica rapidamente. Esse dado é preocupante, visto que o diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de cura do câncer colorretal.

O estudo revelou que 9% dos entrevistados já notaram sangramento nas fezes. Desses, apenas 59% procuraram atendimento médico imediatamente. Os outros 40% demonstraram um comportamento de adiamento, com 19% optando por esperar o sintoma passar, 10% aguardando dias ou semanas, 7% recorrendo a remédios caseiros ou mudanças na dieta, 3% buscando medicação por conta própria em farmácias e 1% pesquisando na internet antes de buscar orientação profissional.

Desconhecimento sobre exames preventivos

Um dos pontos mais alarmantes da pesquisa é o baixo conhecimento sobre o exame de Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSO), principal ferramenta para detectar a doença em estágios iniciais, antes mesmo do surgimento de sintomas evidentes. Dois em cada três entrevistados (67%) nunca ouviram falar do exame.

Apenas 11% dos participantes já realizaram o teste, e outros 21% conhecem o procedimento, mas nunca o fizeram. O desconhecimento é ainda maior entre os jovens de 16 a 24 anos, alcançando 85%. O levantamento também indica que homens (76%), pessoas com menor renda (73%) e aquelas com ensino fundamental incompleto (72%) apresentam índices de desconhecimento acima da média.

Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de informação sobre exames preventivos como o PSO e a colonoscopia pode ser um fator determinante para o atraso no diagnóstico. A falta de familiaridade com a doença também contribui, já que apenas 21% dos entrevistados conhecem alguém que já teve câncer colorretal.

A importância do diagnóstico precoce e da prevenção

Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A. C. Camargo Cancer Center, reforça a necessidade de atenção aos sinais da doença, especialmente diante do aumento de casos no Brasil. Ele lista sintomas como sangramento, alterações no ritmo intestinal, dor abdominal persistente e perda de peso sem causa aparente como motivos para buscar avaliação médica.

“Também é necessário realizar exames preventivos a partir dos 45 anos ou antes, conforme orientação médica e histórico familiar”, destaca Aguiar. Ele enfatiza que o diagnóstico precoce está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas, ressaltando o papel crucial de exames como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia na detecção da doença em estágio inicial.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), a expectativa é de 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil para o triênio 2026-2028, tornando-o o segundo tumor com maior incidência no país. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a doença, que afetou figuras públicas como a cantora Preta Gil, exige atenção e cuidado.

O que fazer ao notar os sintomas

Diante de qualquer um dos sintomas mencionados, como a presença de sangue nas fezes ou alterações no hábito intestinal que persistam por mais de um mês, a recomendação médica é clara: procurar um profissional de saúde o mais rápido possível. Ignorar esses sinais pode levar a um diagnóstico em estágio avançado, dificultando o tratamento e reduzindo as chances de cura.

A conscientização sobre a importância dos exames preventivos, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, é fundamental. Esses exames, quando realizados regularmente, especialmente a partir dos 45 anos ou conforme a orientação médica, podem identificar a doença em seus estágios iniciais, quando as chances de cura são significativamente maiores. O Campo Grande NEWS reforça a importância de se informar e cuidar da saúde preventiva.

A busca por informação de qualidade e a adoção de hábitos saudáveis, como uma dieta rica em fibras e a prática regular de atividade física, também são aliados importantes na prevenção do câncer colorretal. Não hesite em buscar ajuda médica; a sua saúde está em primeiro lugar.