Campo Grande figura entre as 17 capitais brasileiras que não possuem um plano adequado para enfrentar desastres climáticos, um cenário preocupante às vésperas de eventos como o El Niño. A constatação vem de um levantamento do Painel Clima Brasil, realizado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em parceria com tribunais de contas estaduais e municipais, como o TCE-MS.
TCU aponta falhas no planejamento climático de Campo Grande
O estudo, divulgado recentemente, analisou 15 quesitos para avaliar a preparação de Campo Grande diante das mudanças climáticas. O diagnóstico é alarmante, indicando que muitas iniciativas cruciais ainda estão engatinhando ou nem sequer saíram do papel. Essa falta de preparo coloca em risco a população, especialmente os mais vulneráveis, em face de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.
O Painel Clima Brasil, criado em 2025, tem como objetivo reunir e analisar as ações climáticas de estados e capitais, avaliando como os governos estruturam suas políticas de adaptação, mitigação, governança, financiamento e transparência climática. O auditor do TCU, Carlos Eduardo Lustosa da Costa, um dos responsáveis pelo projeto, destacou a importância do diagnóstico: “É um amplo diagnóstico que permite identificar áreas críticas nas quais os governos precisam avançar”, conforme declaração ao Campo Grande News.
Ações pendentes e desafios na capital
No que diz respeito a temas essenciais, o painel do TCU aponta a não implementação de planos de adaptação climática. Isso significa que a cidade ainda não possui estratégias concretas para auxiliar pessoas, empresas e o meio ambiente a se ajustarem aos efeitos atuais e futuros das mudanças climáticas. Essa lacuna é particularmente grave considerando a urgência da situação.
Outro ponto de lentidão é a chamada justiça climática. O levantamento indica que Campo Grande ainda não está promovendo a equidade e a atenção necessária às populações mais vulneráveis, que são as mais afetadas pelas consequências das alterações no clima. Além disso, a capital não considera os riscos das mudanças climáticas ao planejar ações de proteção populacional em caso de desastres.
No quesito transporte sustentável, a cidade também apresenta deficiências. O estudo aponta que Campo Grande não está adotando medidas eficazes para melhorar o trânsito e o deslocamento urbano, o que impacta diretamente na redução da emissão de gases de efeito estufa, um dos principais vetores das mudanças climáticas.
Avanços lentos e iniciativas em estágio inicial
Apesar do cenário desafiador, algumas áreas mostram progresso, ainda que lento. A construção de instituições fortes para o enfrentamento climático está em estágio de “quase lá”, indicando que Campo Grande está avançando na criação de órgãos governamentais capazes de planejar, implementar e monitorar objetivos climáticos. O mesmo vale para o engajamento da sociedade civil, do setor privado e da comunidade científica nas políticas climáticas.
O planejamento territorial, incluindo a proteção de florestas para reduzir emissões, também se encontra em um estágio avançado, próximo da consolidação. A garantia de acesso a outras fontes de recursos para projetos climáticos e a atuação coordenada entre diferentes esferas de governo também são pontos positivos, classificados como “quase lá”.
Por outro lado, o desenvolvimento de leis ambiciosas para apoiar ações climáticas locais está apenas no início. Da mesma forma, a implementação de medidas para combater as causas das mudanças climáticas e reduzir a emissão de gases de efeito estufa ainda está em fase inicial. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a reserva orçamentária para planos climáticos também se encontra nesse estágio.
A identificação dos riscos que as mudanças climáticas representam para a população, economia e meio ambiente, assim como ações para garantir o acesso à água e enfrentar doenças associadas ao clima, estão sendo iniciadas. O TCU reforça a urgência da ação governamental em todos os níveis para lidar com a complexidade e os impactos profundos da mudança climática.
Maratona de Inovação Climaton busca soluções
Para incentivar a busca por soluções, o TCU promoverá a maratona de inovação Climaton, em Brasília, nos dias 21 e 22. O evento reunirá equipes multidisciplinares para desenvolver soluções inovadoras a partir dos dados do Painel Clima Brasil, com o objetivo de monitorar melhorias e gargalos nas ações climáticas. As melhores propostas receberão prêmios em dinheiro, de R$ 5 mil a R$ 15 mil.
O Painel Clima Brasil, criado em 2024, baseia-se no ClimateScanner da INTOSAI. Entre as 24 capitais analisadas, 17 não possuem planejamento para desastres climáticos, incluindo Cuiabá, Rio Branco, Maceió, Macapá, Salvador, Fortaleza, Vitória, São Luís, Curitiba, João Pessoa, Recife, Teresina, Porto Velho, Boa Vista e Palmas. Uma capital optou por não ter sua resposta divulgada. Apenas quatro capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro, demonstram proatividade em identificar populações vulneráveis, segundo o TCU. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de um plano robusto é um ponto crítico para a segurança da população local diante de eventos extremos. Essa análise detalhada, também repercutida pelo Campo Grande NEWS, reforça a necessidade de ações concretas e imediatas por parte do poder público para mitigar os efeitos da crise climática.

