A Prefeitura de Campo Grande está a um passo de estourar o limite de gastos com pessoal estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O município encerrou o segundo quadrimestre de 2026 com despesas que alcançaram 53,9% da Receita Corrente Líquida (RCL) Ajustada, totalizando cerca de R$ 3 bilhões em salários, benefícios e encargos para os servidores. Este percentual deixa a administração municipal perigosamente próxima do teto de 54%, com uma margem de apenas R$ 6 milhões até o limite máximo permitido.
Alerta fiscal: despesas com servidores em Campo Grande sobem para 53,9%
Os dados alarmantes foram divulgados no Relatório de Gestão Fiscal referente ao período de janeiro a agosto de 2026, publicado no Diário Oficial de Campo Grande. O documento evidencia que os gastos do Poder Executivo com sua folha de pagamento superam não apenas o limite máximo, mas também os limites prudencial (51,3%) e de alerta (48,6%) definidos pela LRF. Essa situação exige atenção redobrada por parte dos gestores públicos.
Despesa bruta ultrapassa R$ 3 bilhões, com foco em ativos e inativos
A despesa bruta com pessoal, antes das deduções permitidas por lei, atingiu impressionantes R$ 3,9 bilhões nos últimos 12 meses. Desse montante, R$ 3 bilhões são destinados aos servidores em atividade, divididos entre salários, gratificações e encargos patronais. Outros R$ 797,5 milhões foram empenhados para cobrir aposentadorias, pensões e benefícios de inativos e pensionistas.
A legislação permite a exclusão de aproximadamente R$ 850 milhões desse cálculo. Essas exclusões incluem gastos com aposentados e pensionistas custeados por recursos vinculados, despesas com agentes comunitários de saúde e de combate a endemias, além de valores referentes ao piso da enfermagem. Mesmo com essas deduções, o valor considerado para o cálculo dos limites da LRF permanece em cerca de R$ 3 bilhões.
Receita Líquida de Campo Grande atinge R$ 5,7 bilhões, mas não sustenta gastos
A Receita Corrente Líquida de Campo Grande somou cerca de R$ 5,7 bilhões no período analisado. Após os ajustes necessários para a apuração dos limites de despesa com pessoal, o valor de referência para o cálculo ficou em aproximadamente R$ 5,6 bilhões. É sobre essa base que os 53,89% de gastos com pessoal são calculados, evidenciando a proximidade perigosa com o teto legal de 54% para o Poder Executivo.
É importante notar que o relatório também apresenta um consolidado das contas do município, onde a despesa total com pessoal atinge 55,61% da RCL Ajustada. No entanto, neste caso, o limite máximo permitido pela LRF é de 60%. A matéria foca no recorte específico do Poder Executivo, que possui o teto mais restrito de 54%.
Endividamento municipal em níveis controlados, mas atenção aos gastos com pessoal
Em contrapartida aos gastos com pessoal, a situação do endividamento municipal de Campo Grande apresenta um cenário mais favorável. A dívida consolidada encerrou o segundo quadrimestre em R$ 833,1 milhões, uma redução em relação ao exercício anterior. A dívida consolidada líquida ficou em R$ 39,7 milhões, representando apenas 0,70% da RCL Ajustada. Os parcelamentos e renegociações somam R$ 101,3 milhões, sendo a maior parte referente a contribuições previdenciárias.
Este cenário fiscal, conforme divulgado pelo Campo Grande NEWS, demonstra que, embora o endividamento esteja distante dos limites legais, a despesa com pessoal do Poder Executivo exige medidas urgentes para evitar a transgressão da Lei de Responsabilidade Fiscal. A gestão pública deve buscar alternativas para conter esses gastos e garantir a saúde financeira do município, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
A situação fiscal de Campo Grande é um reflexo de desafios enfrentados por diversas prefeituras no país, onde a pressão por aumento de salários e a manutenção de um quadro de servidores pode levar a desequilíbrios financeiros. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando de perto os desdobramentos desta questão, trazendo informações atualizadas sobre as finanças do município.

