Campo Grande ganha centro de conciliação inédito para desafogar tribunais
A Justiça de Mato Grosso do Sul deu um passo importante para desafogar o judiciário e facilitar o acesso à cidadania com a inauguração do 15º Cejusc (Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania) no estado. Localizado na Faculdade Insted, na região central de Campo Grande, o novo espaço promete simplificar o acesso ao Direito e oferecer atendimento jurídico gratuito, além de formar novos profissionais na área de conciliação. A iniciativa, que é considerada pioneira no Brasil, visa estimular a resolução de conflitos antes mesmo que eles se tornem processos judiciais, contribuindo para a redução do expressivo número de ações em andamento no país.
A cerimônia de inauguração, realizada na noite de terça-feira (3), marcou a instalação oficial do Centro de Formação, um ambiente que une atendimento à população, formação acadêmica e pesquisa. A proposta, segundo as autoridades presentes, é mudar a cultura em relação aos conflitos, mostrando que o litígio não é o único caminho e que o Direito pode e deve estar mais próximo das pessoas. Como informado pelo Campo Grande NEWS, a iniciativa busca não apenas resolver disputas, mas também educar a sociedade para o diálogo.
A diretora-geral da Insted, Eva Elise, destacou a importância da inauguração como um marco para uma mudança de cultura. Ela ressaltou que o centro, instalado em uma instituição de ensino superior, reforça o compromisso social da justiça, garantindo que ela seja acessível a todos. A união entre o Poder Judiciário e a academia, conforme Eva Elise, amplia o alcance ético da atuação judicial, focando na prevenção e mediação de conflitos, algo que se torna ainda mais relevante em um mundo marcado por tensões globais.
Um modelo inédito no Brasil para a resolução de conflitos
O coordenador do curso de Direito da Insted e corregedor-geral do TJMS, desembargador Ruy Celso Barbosa Florence, classificou o modelo do novo Cejusc como inédito no Brasil. Ele explicou que, após pesquisas, não encontrou nenhum outro centro que integrasse formação, pesquisa e atendimento no mesmo espaço. Essa integração, segundo Florence, permitirá avançar na mediação e compreender melhor os motivos pelos quais o método nem sempre alcança os resultados esperados em algumas regiões, conforme checou o Campo Grande NEWS.
O desembargador detalhou que o centro terá um papel fundamental na formação de conciliadores em parceria com o Poder Judiciário. A meta é que, de cada dez profissionais formados, quatro sejam disponibilizados gratuitamente para atuar no sistema judiciário. Os alunos terão a oportunidade de acompanhar casos reais desde cedo, com disciplinas de conciliação e arbitragem integradas ao currículo desde o primeiro semestre. Essa prática, segundo ele, prepara os estudantes para lidar com a vasta demanda de processos existente.
Combate à judicialização e o papel do diálogo
Durante o evento, o governador Eduardo Riedel apresentou dados alarmantes sobre o volume de processos no país, que somam aproximadamente 90 milhões. Ele citou que apenas o Tribunal de Justiça de São Paulo acumula 37 milhões de processos, enquanto Mato Grosso do Sul tem cerca de 900 mil e o TRF3 ultrapassa os cinco milhões. Esses números, segundo Riedel, levam à reflexão sobre a cultura de judicialização no Brasil, onde o diálogo e a mediação muitas vezes são deixados de lado.
Riedel enfatizou que a prática da mediação não beneficia apenas os profissionais em formação, mas também treina a sociedade para o diálogo. Ele comparou a situação atual com conflitos globais, sugerindo que o mundo vive uma tensão permanente. Para o governador, iniciativas locais de diálogo, como a do novo Cejusc, têm um impacto mais amplo, influenciando positivamente o papel do Estado e de cada cidadão na construção de uma sociedade mais pacífica. A informação foi verificada pelo Campo Grande NEWS.
A importância da conciliação antes do litígio
O desembargador Dorival Renato Pavan corroborou a necessidade de mudar o paradigma do conflito no Brasil, dada a imensa quantidade de processos em andamento. Ele destacou que muitos cidadãos aguardam anos pelo reconhecimento de um direito, o que evidencia a urgência de alternativas mais rápidas. Pavan explicou que, após a formalização de uma ação judicial, a chance de acordo diminui consideravelmente, tornando a composição mais difícil. A mediação antes do processo, portanto, amplia significativamente as possibilidades de solução e evita que disputas se prolonguem por décadas.
A instalação do Cejusc na Faculdade Insted representa um avanço significativo para Campo Grande e para todo o estado de Mato Grosso do Sul. Ao unir atendimento jurídico gratuito, formação de novos profissionais e pesquisa acadêmica, o centro se posiciona como um polo de soluções pacíficas e um agente de transformação social. A expectativa é que essa iniciativa inspire outros estados e instituições a replicarem o modelo, contribuindo para um sistema judiciário mais ágil e acessível a todos os cidadãos.

