Campo Grande em Emergência: Temporal causa destruição e paralisa serviços na Capital

Campo Grande amanheceu em estado de alerta após um temporal devastador atingir a Capital na última quinta-feira (10). A prefeita Adriane Lopes (PP) decretou situação de emergência em áreas afetadas, uma medida que vigorará por 180 dias e visa agilizar a mobilização de órgãos públicos, o uso de recursos e a contratação emergencial de serviços para lidar com os estragos.

O decreto, publicado em edição extra do Diogrande neste sábado (12), reconhece oficialmente o desastre como tempestade e vendaval. A decisão tem efeitos a partir de 11 de setembro e permitirá à prefeitura atuar de forma mais célere na recuperação dos danos. O Corpo de Bombeiros registrou um alto número de chamados, evidenciando a dimensão do impacto.

O evento meteorológico, acompanhado de fortes rajadas de vento que chegaram a 83,8 km/h segundo o Inmet, causou uma série de transtornos. Árvores e postes caíram, telhados foram arrancados, vias ficaram bloqueadas, imóveis e estruturas públicas sofreram danos e o fornecimento de energia elétrica foi interrompido em diversas regiões da cidade. A chuva intensa durou cerca de 28 minutos, mas foi suficiente para deixar um rastro de destruição.

Estragos por toda a cidade

O temporal causou estragos visíveis em vários pontos de Campo Grande. Árvores de grande porte caíram sobre carros, casas e bloquearam ruas, como no Hospital Universitário, onde uma árvore atingiu ao menos quatro veículos. Na Avenida Afonso Pena, um poste foi derrubado, espalhando fios sobre um carro e prendendo uma motorista até que a rede elétrica fosse desligada, conforme relatado pelo Campo Grande NEWS.

Na Esplanada Ferroviária, a força do vento arrancou parte da cobertura da Plataforma Cultural e derrubou tapumes metálicos de uma obra, que foram arrastados para a Avenida Calógeras, chegando a isolar a região devido a cabos energizados. O letreiro do Fort Atacadista na Avenida Ernesto Geisel também caiu, assim como a cobertura de um posto de combustíveis. Na UPA do Bairro Universitário, parte do teto desabou, forçando a evacuação de pacientes.

155 chamados aos bombeiros e falta de energia generalizada

A dimensão dos estragos se reflete nos números do Corpo de Bombeiros. Entre quinta-feira (10) e sexta-feira (11), foram registrados 155 chamados relacionados a quedas ou risco de queda de árvores em Campo Grande. Na manhã seguinte ao temporal, diversas ruas permaneciam bloqueadas por árvores, postes e outros obstáculos, afetando o tráfego e o acesso a residências.

A rede elétrica foi um dos sistemas mais afetados. Moradores de diferentes bairros passaram a madrugada e a manhã sem energia, enquanto equipes trabalhavam na substituição de postes e recuperação da rede. A falta de luz se estendeu por mais de 20 horas em alguns locais, impactando residências, comércios, escolas e até mesmo um lar de idosos, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS. Dificuldades para carregar celulares e conservar alimentos refrigerados foram relatos comuns.

Decreto de emergência: o que muda?

A declaração de situação de emergência permite a mobilização de todos os órgãos e entidades da Administração Pública Municipal para atuar na resposta ao desastre. A Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil coordenará as ações, que podem incluir assistência à população, restabelecimento de serviços essenciais e reconstrução de áreas atingidas. O decreto autoriza também a cooperação com órgãos estaduais, federais e concessionárias.

Outro ponto crucial é a possibilidade de contratações emergenciais sem licitação, com base na Lei Federal nº 14.133/2021, para aquisição de bens, serviços e obras necessários. Essa medida, contudo, será limitada ao estritamente necessário para enfrentar a emergência e deverá seguir requisitos legais, com justificativas claras sobre a necessidade e compatibilidade de preços.

Recursos e levantamento de prejuízos

O decreto prevê ainda a utilização de recursos da COSIP (Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública) e do FMMA (Fundo Municipal de Meio Ambiente) para ações de recuperação e mitigação dos danos ambientais e de infraestrutura. Essas verbas deverão respeitar suas finalidades legais.

A Prefeitura deverá realizar um levantamento detalhado dos danos e prejuízos, avaliando impactos em infraestrutura urbana, arborização, iluminação pública, equipamentos municipais, unidades de saúde, educação, assistência social, residências, comércios, vias públicas e sistemas de drenagem. O objetivo é subsidiar a solicitação de reconhecimento da situação de emergência pelos órgãos estaduais e federais, conforme o processo que o Campo Grande NEWS acompanha de perto.

A medida visa garantir que a cidade possa se recuperar rapidamente dos estragos, minimizando os impactos na vida dos cidadãos e restabelecendo a normalidade o mais breve possível após este desafiador evento climático.