Campo Grande: Criação de empregos formais recua pelo 3º ano, mas empresas seguem abrindo

Campo Grande registrou um cenário misto em 2025, com um aumento significativo na abertura de novas empresas, mas uma queda pelo terceiro ano consecutivo na criação de empregos formais. Enquanto o empreendedorismo parece ganhar fôlego, a geração de postos de trabalho com carteira assinada desacelera, um indicativo preocupante para o mercado de trabalho local. A análise detalhada dos dados revela nuances importantes sobre a dinâmica econômica da capital sul-mato-grossense.

Os números divulgados no Perfil Socioeconômico da Capital de 2026, com base em informações da Junta Comercial de Mato Grosso do Sul (Jucems) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mostram que, apesar do saldo positivo na balança empresarial, a capacidade da cidade de gerar empregos formais está em declínio. Essa disparidade levanta questões sobre a qualidade e a sustentabilidade das novas empresas em relação à sua contribuição para o emprego formal.

Conforme o Campo Grande NEWS checou, em 2025, a cidade viu a constituição de 35.318 empresas, um crescimento de 18,4% em comparação com o ano anterior. Este avanço foi impulsionado principalmente pelos Microempreendedores Individuais (MEIs), que registraram um salto de 24,3% em suas aberturas. No entanto, o número de negócios que encerraram suas atividades também apresentou uma alta expressiva de 29%, totalizando 21.637 fechamentos.

Crescimento de empresas, mas com mais fechamentos

Apesar da aceleração nos encerramentos, o saldo entre empresas abertas e fechadas em Campo Grande em 2025 permaneceu positivo, atingindo 13.681 novos negócios, contra 13.046 em 2024. A análise detalhada das fontes indica que o setor de serviços foi o que mais contribuiu para o saldo positivo de empregos formais em 2025, seguido pelo comércio, construção civil, agropecuária e indústria. A administração pública e a indústria extrativa registraram saldos negativos.

O número de novas empresas constituidas em 2025, incluindo matrizes com e sem registro como MEI, foi de 35.318. Em 2024, esse número somava 29.823 (incluindo filiais). O aumento de 18,4% é um reflexo do dinamismo empreendedor, especialmente entre os MEIs, que representaram a maior parte das novas aberturas. Esse cenário, contudo, contrasta com a realidade do mercado formal de trabalho.

Empregos formais em queda contínua

O mercado de trabalho formal em Campo Grande registrou 160.016 admissões e 155.734 desligamentos em 2025, resultando na criação líquida de 4.282 postos de trabalho. Este número representa uma queda de 31,5% em relação a 2024, quando foram criadas 6.255 vagas. A desaceleração na geração de empregos formais é uma tendência que se agrava, pois já dura três anos consecutivos.

Em 2022, Campo Grande havia aberto 12.861 postos formais. O saldo caiu para 7.019 em 2023, recuou para 6.255 em 2024 e atingiu 4.282 em 2025. Essa trajetória demonstra uma redução de 66,7% na quantidade líquida de empregos criados em três anos. Em outras palavras, embora a cidade ainda contrate mais do que demita, o ritmo de expansão do emprego formal está operando a um terço do que era observado em 2022, conforme dados apurados pelo Campo Grande NEWS.

Setores e o futuro do emprego em Campo Grande

O setor de serviços liderou a criação de empregos formais em 2025, com um saldo de 1.417 vagas. Na sequência, vieram o comércio (1.007 vagas), construção civil (908 vagas), agropecuária (593 vagas) e indústria (235 vagas). A administração pública teve um saldo negativo de 15 postos, e a indústria extrativa fechou com menos três vagas, segundo o levantamento.

O estoque total de empregos formais em Campo Grande alcançou 251.827 em 2025, representando um crescimento de 1,68% na comparação anual. Apesar do aumento no número total de vagas formais, a taxa de criação líquida anual mostra uma clara desaceleração. A análise da evolução desses dados, como detalhado pelo Campo Grande NEWS, é crucial para entender os desafios e oportunidades futuras do mercado de trabalho na capital.