Campo Grande, conhecida por ser uma das cidades mais arborizadas do país, tem enfrentado uma realidade preocupante: a queda de árvores a cada temporal. Os recentes eventos climáticos deixaram um rastro de destruição, com ruas bloqueadas, imóveis danificados e prejuízos significativos para moradores e comerciantes. Diante da gravidade da situação, a prefeitura precisou decretar estado de emergência no município. Conforme divulgado pelo g1, foram registradas 450 ocorrências relacionadas às chuvas nos últimos dias, sendo que 423 delas envolveram quedas de árvores ou galhos.
A cidade das árvores em alerta após tempestades
Apesar de sua fama por ser um oásis verde em meio ao Brasil, Campo Grande tem sentido o impacto devastador das fortes chuvas e ventanias. A queda de árvores tem sido uma constante, gerando transtornos e preocupação. Um exemplo marcante foi o prejuízo de mais de R$ 30 mil em uma lanchonete no bairro Mata do Jacinto, atingida pela queda de uma árvore. O estabelecimento, que funcionava há mais de 20 anos, sofreu danos em equipamentos e alimentos, perdendo sua principal fonte de renda.
Essa situação levanta um questionamento crucial: por que tantas árvores caem em Campo Grande durante as tempestades, mesmo sendo uma cidade tão arborizada? A resposta, segundo especialistas, não se resume a um único fator, mas sim a uma complexa interação de elementos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a combinação de fatores como a força do temporal, a condição de saúde das árvores, o manejo inadequado, o espaço limitado para o desenvolvimento das raízes e a própria escolha das espécies podem aumentar a vulnerabilidade.
Fatores que aumentam o risco de quedas
Um temporal extremo, com ventos muito fortes, pode derrubar até mesmo uma árvore aparentemente saudável. No entanto, outros elementos contribuem para essa fragilidade. Doenças, fungos e a presença de cupins podem comprometer a estrutura interna da planta, tornando-a mais suscetível a ventanias. Podas malfeitas ou realizadas em épocas inadequadas também abrem portas para a entrada de pragas e fungos, enfraquecendo a árvore ao longo do tempo.
O espaço onde a árvore está plantada é outro fator determinante. Em áreas urbanas com calçadas estreitas, o desenvolvimento das raízes fica restrito. A necessidade de intervir nas raízes para evitar danos ao piso ou o plantio de espécies de grande porte em locais inadequados pode comprometer a sustentação da árvore, aumentando significativamente o risco de queda. A infraestrutura urbana, incluindo a fiação elétrica, também precisa ser planejada em conjunto com a arborização.
A complexa relação entre árvores e o ambiente urbano
O professor e botânico Geraldo Damasceno, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), explica que uma árvore saudável pode cair sob a força de ventos excepcionais, especialmente se estiver isolada e sem a proteção de outras árvores ou edificações. A quantidade de quedas observada em Campo Grande é resultado da soma da intensidade dos eventos climáticos com as condições específicas de cada árvore.
A escolha da espécie e o local de plantio são cruciais. Espécies de crescimento rápido e madeira mais frágil, como o guapuruvu, podem apresentar maior risco. O urbanista Julio Botega ressalta que a arborização precisa ser vista como parte integrante da infraestrutura urbana, e não apenas como um elemento decorativo. O planejamento deve considerar o espaço para as raízes, o porte da árvore e sua interação com postes, fiação e sistemas de drenagem.
Medidas para mitigar riscos e garantir segurança
Para evitar que a cidade das árvores continue sofrendo com os estragos, especialistas apontam para a importância de medidas preventivas. A escolha correta das espécies, adequadas ao espaço urbano e ao clima, é fundamental. O acompanhamento constante da saúde das árvores, a realização de podas adequadas e a preservação das raízes, evitando cortes sem avaliação técnica, são ações essenciais.
O planejamento urbano integrado, que considera o desenvolvimento das árvores e sua relação com a infraestrutura existente, é outra medida crucial. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a prefeitura de Campo Grande possui um Manual de Arborização Urbana com orientações sobre o plantio e manejo, e a solicitação de podas ou remoções de árvores exige autorização prévia. No entanto, um programa específico para monitoramento das espécies ainda não existe.
Em caso de quedas ou riscos iminentes, a população de Campo Grande deve acionar os órgãos competentes. O Corpo de Bombeiros (193) deve ser contatado em situações de risco à vida ou danos a imóveis e veículos. Para árvores obstruindo vias, a Defesa Civil (199) é o órgão indicado. Em casos envolvendo a rede elétrica, a Energisa (0800 722 7272) deve ser comunicada imediatamente. Para questões de reparos urbanos, a Guarda Civil Metropolitana (153) ou o Fala Campo Grande (156) podem ser acionados. Pedidos de poda ou remoção em áreas públicas podem ser feitos pelos telefones (67) 4042-1323, ramais 2743 ou 2744, ou pelo WhatsApp (67) 98189-4041. Em áreas particulares, a autorização da prefeitura é obrigatória. A integração e o diálogo entre os órgãos públicos, especialistas e a população são essenciais para garantir a segurança e a preservação do valioso patrimônio arbóreo de Campo Grande, como destacado pelo Campo Grande NEWS.

