Uma onda de verde e amarelo tomou conta de Campo Grande, reacendendo uma tradição que há tempos parecia adormecida. Às vésperas da Copa do Mundo, ruas em diversos bairros da cidade voltaram a exibir as cores vibrantes da Seleção Brasileira, em um movimento que resgata o espírito comunitário e a paixão pelo futebol. Essa mobilização, que marcou gerações, agora vê vizinhos se reunindo para pintar o asfalto, espalhar bandeiras e decorar fachadas, transformando a paisagem urbana em um verdadeiro palco de torcida. O costume, que por décadas foi parte da identidade local durante os mundiais, demonstra uma forte conexão com a cultura brasileira e a união em torno de um objetivo comum: o apoio à seleção.
Tradição volta a colorir as ruas de Campo Grande
Após anos de menor engajamento, campo-grandenses reencontram nas celebrações da Copa do Mundo um motivo para se unir e retomar antigos costumes. A iniciativa de decorar as ruas, que antes era comum em diversos pontos da cidade, ressurgiu com força, demonstrando o desejo da população em reviver momentos de alegria e confraternização coletiva. Essa redescoberta da tradição não apenas embeleza a cidade, mas também fortalece os laços entre os moradores, criando um ambiente de celebração e pertencimento.
No coração da cidade, a Rua 7 de Setembro, na esquina com a Rua Bahia, tornou-se um ponto de destaque. A empresária Isabela Blanco, inspirada por uma conversa com uma funcionária que trazia lembranças de sua cidade natal em Minas Gerais, decidiu trazer de volta a pintura nas ruas. “Ela contou que em BH tinha pintura desde sempre. Eu falei: ‘Vamos fazer também’. Depois, começou a pipocar em Campo Grande. Voltou algo que parecia cultura”, relata Isabela. A ideia ganhou corpo e, com a autorização da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), um artista foi contratado para dar vida ao projeto, que mescla a arte com o fervor pela Copa.
Arte e Homenagem nas Vias Públicas
O grafiteiro Matheus Leon, responsável pela arte na Rua 7 de Setembro, explicou que o trabalho busca capturar a expectativa pelo hexacampeonato e, ao mesmo tempo, homenagear o jogador Bruno Guimarães. Com seu estilo característico, Leon, que pinta desde os 15 anos, buscou imprimir sua marca na obra. “Gosto de trabalhar com o cartoon. Devido à Copa do Mundo, o pessoal busca trazer trabalhos diferentes, e eu gosto também”, comenta o artista. A pintura, que começou com alguns contratempos devido ao clima, tem previsão de finalização em poucos dias, prometendo ser um novo ponto de atração na cidade.
Essa iniciativa demonstra a força da arte urbana em unir a comunidade em torno de um evento nacional, transformando espaços públicos em telas vibrantes de expressão cultural e patriotismo. O projeto na Rua 7 de Setembro é um exemplo de como a colaboração entre moradores e artistas pode revitalizar a paisagem urbana e fortalecer o sentimento de identidade local, conforme o Campo Grande NEWS checou, reforçando a capacidade da cidade em sediar eventos culturais de grande impacto.
Tradição que nunca adormeceu no Conjunto Bonança
Enquanto o centro de Campo Grande redescobre o costume, no Conjunto Habitacional Bonança, a tradição de decorar as ruas para a Copa do Mundo nunca deixou de existir. Na Rua Portinho, os vizinhos se reúnem há mais de uma década para embelezar a via tanto para os mundos do futebol quanto para as festas juninas. Essa preparação se tornou um momento crucial de convivência, especialmente para a comunidade local, composta em sua maioria por idosos, como aponta o Campo Grande NEWS.
Virginia Ajala Peres, aposentada de 71 anos e uma das pioneiras da iniciativa, testemunhou o nascimento dessa tradição em sua rua. Morando no local há quase 50 anos, ela viu a rua evoluir de chão batido para um espaço vibrante de celebração. “Essa tradição tem de 10 a 12 anos. A festa junina também. É importante porque é uma união, é uma convivência para nós, que já somos idosas. Para nós, é um apoio. Somos unidos”, compartilha Virginia. A união e o apoio mútuo são pilares dessa comunidade, que encontra na decoração das ruas um pretexto para fortalecer seus laços.
Hellen Lais Martins, pedagoga de 39 anos, e seus vizinhos dedicaram horas à confecção de bandeirolas verdes e amarelas, além de decorarem as fachadas de suas casas. “A maioria dos moradores é idosa, e a alegria deles é a Copa, é a festa junina. Nós juntamos os dois neste ano”, explica Hellen. A participação dos filhos, que cresceram envolvidos na tradição, mostra a continuidade do espírito comunitário. “Meu filho tem 13 anos e ajuda a pintar também”, conta, orgulhosa. A colaboração é notável, com todos contribuindo de alguma forma, seja com o trabalho manual, seja com o apoio moral ou até mesmo preparando petiscos para os voluntários, como observado pelo Campo Grande NEWS.
Festa Junina e Copa: Uma Dupla Celebração
Para a aposentada e professora Edevanilce Martins, de 57 anos, a decoração é apenas um dos muitos motivos para reunir os vizinhos. “É um momento de puxar todo mundo para vir para a rua, se divertir, conversar, festejar. Até bingo fazemos”, revela. A tradição de assistir aos jogos juntos, que já ocorreu em anos anteriores, e a organização de mesas fartas com pratos típicos durante as festas juninas, reforçam o caráter festivo e unificador dessas celebrações.
Ruas Pintadas e Regras para a Decoração
Diversas outras ruas de Campo Grande já abraçaram o clima da Copa, pintando o asfalto com as cores da Seleção. Entre elas estão a Rua Armando Holanda (Conjunto José Abrão), Rua Socó (Recanto dos Pássaros), Rua Horácio Lemos (Taquaral Bosque), Rua Francisco Morato (Varanda do Campo), Rua Juazeiro do Norte (Rita Vieira) e Rua Oscár Ferreira Bugre (Vila Nasser). A pintura de ruas para eventos como a Copa do Mundo é permitida em muitas cidades, mas exige autorização prévia do município. Em Campo Grande, a Agetran é o órgão responsável pela emissão desse aval.
Para pintar a rua, é necessário solicitar um documento da prefeitura. A permissão abrange apenas vias locais, sem semáforos e com baixo fluxo de veículos. A tinta utilizada deve ser lavável e de fácil remoção. É estritamente proibido pintar sem autorização, o que pode gerar multas, e também esconder sinalização de trânsito ou pintar vias de grande fluxo, como avenidas e anéis viários. A regulamentação visa garantir a segurança e a organização urbana durante as celebrações, conforme detalhado em reportagens do Campo Grande NEWS.

