Campo Grande: Capital Sul-Mato-Grossense se destaca em subsídios para transporte público

Campo Grande figura entre as capitais brasileiras que mais investem em subsídios para o transporte coletivo. Um levantamento recente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) revela que a cidade ocupa a 11ª posição entre 24 sistemas analisados, com cerca de 35% do custo operacional dos ônibus sendo coberto por recursos públicos. Este dado, divulgado no Anuário 2025-2026 da NTU, reflete uma tendência nacional de aumento significativo no aporte de verbas públicas para o setor de transporte urbano, um movimento que se intensificou após a pandemia de Covid-19.

Campo Grande entre as que mais subsidiam ônibus

O Anuário 2025-2026 da NTU coloca Campo Grande em uma posição de destaque no cenário nacional quando se trata de subsídios ao transporte coletivo. A capital de Mato Grosso do Sul aparece na 11ª colocação entre os 24 sistemas de transporte analisados. Os subsídios públicos na cidade correspondem a aproximadamente 35% do custo total do transporte coletivo. É importante notar que este percentual é uma estimativa, pois o anuário apresenta os dados em formato gráfico, sem detalhar numericamente o índice de cada município.

O estudo da NTU indica que o uso de dinheiro público para subsidiar o transporte de ônibus deixou de ser uma exceção no Brasil. Em 2026, o número de cidades que oferecem algum tipo de subsídio saltou para 440, um aumento considerável em relação às 175 cidades registradas antes da pandemia. Este cenário nacional eleva o custo anual do transporte público para R$ 75,7 bilhões, com cerca de 20% desse valor sendo coberto pelo poder público.

A NTU aponta que grandes centros urbanos, como é o caso de Campo Grande, tendem a adotar o subsídio parcial devido à complexidade e aos custos mais elevados de suas redes de transporte. Por outro lado, o financiamento integral, que possibilita a tarifa zero, é mais comum em municípios de menor porte. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a entidade destaca que, embora os aportes públicos tenham sido cruciais para a recuperação operacional após a pandemia, é necessário um modelo de financiamento mais diversificado para garantir a expansão e a melhoria contínua dos serviços, incluindo a renovação da frota.

Brasília lidera o ranking de subsídios

Na lista das capitais com maior participação de subsídios públicos, Campo Grande está atrás de cidades como Brasília, Goiânia, São Paulo, Cuiabá, Manaus, Teresina, Belo Horizonte, o sistema municipal de Curitiba, Boa Vista e o sistema metropolitano de Curitiba. Após a capital sul-mato-grossense, seguem Aracaju, Rio Branco, Rio de Janeiro, Fortaleza, Porto Alegre, Vitória, Florianópolis, Macapá, Palmas, Recife, Salvador, Belém e Natal. Essa distribuição demonstra a variabilidade nas políticas de transporte público entre as diferentes regiões do país.

Aumento expressivo de cidades com subsídios

O levantamento da NTU revela um crescimento notável no número de cidades que subsidiam o transporte coletivo. Em 2026, são 440 municípios com algum tipo de subsídio, um aumento em relação aos 404 registrados em 2025. Antes da pandemia, esse número era significativamente menor, com apenas 175 cidades. Desse total atual, 294 cidades oferecem subsídios parciais, enquanto 146 optaram pelo financiamento integral, implementando a tarifa zero.

A NTU observa que o financiamento integral, com a tarifa zero, concentra-se majoritariamente em municípios menores. Dos 146 municípios com gratuidade, 90% (ou 129 cidades) possuem menos de 100 mil habitantes. Em contrapartida, entre as cidades que concedem subsídios parciais, 79 municípios têm mais de 300 mil habitantes, evidenciando a complexidade de gerenciar sistemas de transporte em larga escala. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a entidade defende que esses sistemas maiores demandam fontes de financiamento mais robustas e diversificadas para suportar tanto a operação quanto investimentos em infraestrutura e modernização.

Desafios e o futuro do transporte público

O custo anual do transporte público coletivo por ônibus no Brasil atinge R$ 75,7 bilhões, e os subsídios públicos cobrem aproximadamente 20% desse montante. A NTU avalia que os aportes recentes serviram, em grande parte, para cobrir perdas operacionais decorrentes da pandemia, sem que isso se traduza, proporcionalmente, em expansão ou melhoria dos serviços. A associação defende uma partilha mais equitativa do financiamento entre União, estados e municípios para reduzir a dependência da tarifa paga pelos passageiros.

O anuário também aponta que o número de passageiros no transporte coletivo continua abaixo dos níveis pré-pandemia. O avanço de carros, motos e aplicativos de transporte contribui para essa queda na demanda. Embora os dados de demanda não incluam Campo Grande especificamente, a tendência nacional é de perda de passageiros, o que reforça a necessidade de repensar o modelo de financiamento do transporte público. Conforme o Campo Grande NEWS destaca, a busca por soluções financeiras sustentáveis é um desafio comum a todas as grandes cidades brasileiras, e Campo Grande se insere nesse contexto com sua política de subsídios.