Campo Grande enfrenta um cenário preocupante em relação à raiva. Enquanto a cidade registrou o maior número de casos em morcegos nos últimos cinco anos, a vacinação de cães e gatos atingiu apenas 16,73% da meta estabelecida. A situação acende um alerta para a saúde pública, uma vez que morcegos infectados podem transmitir o vírus para outros mamíferos, incluindo animais domésticos e, potencialmente, humanos.
Alerta de Raiva em Campo Grande: Vacinação Animal Abaixo da Meta
Os dados mais recentes, divulgados pelo painel eVaccine Pets e compilados pelo Campo Grande NEWS, revelam que, até 16 de outubro, apenas 53.961 animais foram vacinados na capital sul-mato-grossense. Essa marca representa um percentual baixo em relação à meta de 322.566 imunizações previstas para este ano, deixando um déficit de 268.605 cães e gatos ainda sem proteção contra a doença.
A circulação do vírus da raiva entre morcegos é o principal fator de preocupação. Em 2026, foram confirmados 14 casos em morcegos, um número que supera os registros dos anos anteriores e acende um sinal vermelho para as autoridades de saúde. Essa alta na incidência entre os animais silvestres reforça a importância crucial da vacinação em massa de cães e gatos, que atuam como potenciais hospedeiros e transmissores do vírus para outros animais e para o ser humano.
Apesar de Campo Grande não registrar casos recentes de raiva em cães e gatos, a presença do vírus em morcegos é um indicativo de que a doença ainda circula na região. A vacina antirrábica é a ferramenta mais eficaz para prevenir a disseminação, garantindo a segurança dos animais domésticos e da população em geral. A falta de adesão à campanha de vacinação pode criar um ambiente propício para a ocorrência de surtos, como já ocorreu no passado em Mato Grosso do Sul.
Queda Contínua na Vacinação Animal
O cenário da vacinação antirrábica em Campo Grande mostra uma tendência de queda preocupante nos últimos anos. Em 2024, a cobertura vacinal atingiu 34,43% da meta, com 115.938 animais imunizados. No ano seguinte, em 2025, esse número caiu para 21,24%, totalizando 71.516 animais vacinados. Este ano, o percentual de 16,73% indica uma persistente baixa adesão à campanha.
A meta de vacinação para este ano também foi reduzida em comparação com os anos anteriores, quando se pretendia imunizar 336.727 animais. Mesmo com essa redução, a cidade ainda está longe de atingir o objetivo. A campanha, que teve início em 7 de julho, visa vacinar 202.206 cães e 120.360 gatos, mas até o momento, apenas 53.961 foram protegidos.
No estado de Mato Grosso do Sul, os dados parciais refletem uma situação semelhante. Até 16 de outubro, 270.336 cães e gatos haviam sido vacinados, o que representa 27,59% da meta estadual. Este número é inferior aos anos anteriores, quando a cobertura vacinal alcançou 44,23% em 2025 e 38,8% em 2024, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
Maior Incidência de Raiva em Morcegos em Meio Década
O aumento expressivo de casos de raiva em morcegos em Campo Grande é um fato alarmante. Com 14 confirmações em 2026, o número é o maior registrado nos últimos cinco anos e supera as 11 ocorrências do ano passado. O histórico da doença em morcegos na cidade mostra oscilações, com quatro casos em 2021, seis em 2022, sete em 2023, seis em 2024 e 11 em 2025, antes da escalada deste ano.
O último caso de raiva humana em Campo Grande data de 1968. Em animais domésticos, a última ocorrência em cães e gatos foi em 2011, quando um cachorro contraiu a doença após contato com um morcego infectado. O registro anterior a este foi em 1988. Esses dados históricos ressaltam a importância de manter a vigilância e a vacinação em dia para evitar o retorno da doença em animais e, consequentemente, na população humana.
Histórico de Surto de Raiva em Mato Grosso do Sul
Mato Grosso do Sul já vivenciou um surto de raiva em humanos em 2015, que afetou as cidades de Corumbá e Ladário, na fronteira com a Bolívia. Naquele ano, o estado concentrou 71 dos 85 casos de raiva canina registrados em todo o Brasil, com uma morte confirmada em Corumbá. A memória desse evento reforça a necessidade de ações contínuas de prevenção.
Corumbá, um dos municípios afetados pelo surto, segue com metas de vacinação. Até 16 de outubro, 22.286 animais foram vacinados, atingindo 67,37% da meta de 33.082. Já Ladário, que tem uma meta de 7.512 cães e gatos, não apresentava dados de doses aplicadas até a mesma data, segundo o painel eVaccine Pets. O Campo Grande NEWS destaca a importância de monitorar a cobertura vacinal em todas as regiões do estado.
Quando Vacinar Cães e Gatos: Orientações Importantes
A vacina antirrábica é um imunizante obrigatório para cães e gatos em todo o território nacional. Para receber a dose, os animais devem ter, no mínimo, três meses de idade e apresentar bom estado de saúde. Fêmeas prenhas ou em período de amamentação também podem ser vacinadas, desde que o manuseio seja feito com cuidado para evitar estresse ou traumas.
Caso o animal tenha sido vermifugado recentemente, é recomendado aguardar um intervalo de, pelo menos, dez dias entre a aplicação do vermífugo e a vacinação. Em Campo Grande, a vacinação gratuita está disponível no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e na Superintendência de Bem-Estar Animal (Subea). A Subea também conta com um consultório móvel que percorre diferentes bairros, seguindo um cronograma divulgado pela prefeitura.
O Que Fazer ao Encontrar um Morcego
É fundamental ter cautela ao encontrar um morcego, mesmo que ele aparente estar morto. A recomendação é nunca tocar no animal, especialmente se ele estiver caído, for encontrado durante o dia ou apresentar comportamento incomum. A orientação é manter distância, afastar crianças e animais de estimação e, se possível, isolar o local com um balde ou caixa virada sobre o morcego, sem tocá-lo.
Após tomar essas precauções, o cidadão deve acionar o serviço de recolhimento do CCZ. O Centro de Controle de Zoonoses de Campo Grande está localizado na Avenida Senador Filinto Müller, 1.601, Vila Ipiranga. O horário de vacinação é de segunda a sexta-feira, das 7h às 21h, e aos sábados, domingos e feriados, das 6h às 22h. Para o recolhimento de morcegos, o contato é pelos telefones 2020-1801 e 2020-1789 durante o horário comercial, e pelo telefone 2020-1794 após as 17h e em fins de semana e feriados. O WhatsApp para contato é (67) 99142-5701.
A Superintendência de Bem-Estar Animal (Subea) fica na Rua Rui Barbosa, 3.538, região central, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 13h. A prevenção é a melhor forma de combater a raiva, e a vacinação é um passo essencial para garantir a segurança de todos. O Campo Grande NEWS reitera a importância da participação da população na campanha de vacinação.

