Calotes em Campo Grande: Fornecedores fogem e pacientes ficam sem remédios e atendimento

Calotes em Campo Grande: Fornecedores fogem e pacientes ficam sem remédios e atendimento

A falta de pagamento por parte da Prefeitura de Campo Grande tem levado empresas a se recusarem a prestar serviços e fornecer medicamentos essenciais. Essa situação já reflete diretamente na vida dos pacientes do SUS, que enfrentam a interrupção de tratamentos e a escassez de remédios. A publicação no Diogrande desta sexta-feira (27) revela que ao menos três processos de contratação direta da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) terminaram “desertos”, indicando uma **crise de confiança no município**.

Os casos incluem a tentativa de contratar serviços de home care e a compra do medicamento Bromidrato de Galantamina, ambos para atender decisões judiciais urgentes. Além disso, um processo para contratação de instituição financeira também não atraiu interessados, conforme informado pela Secretaria Especial de Licitações e Contratos (SELC). A situação é preocupante, pois demonstra que a **inadimplência da prefeitura está afastando parceiros essenciais** para a manutenção dos serviços públicos de saúde.

A reportagem do Campo Grande NEWS investigou a fundo essa crise. Pacientes que dependem de tratamentos contínuos já sentem os efeitos da falta de compromisso da gestão municipal. Um jovem que necessita de fisioterapia domiciliar está sem o atendimento, e uma indústria farmacêutica entrou na Justiça após longos atrasos nos pagamentos. O cenário é de **desespero para quem precisa do sistema público de saúde**.

Pacientes sofrem com a falta de tratamentos e medicamentos

Um exemplo claro da gravidade da situação é a história de João Victor Alfonso Martins, de 29 anos. Morador do Bairro Tijuca, ele ficou tetraplégico após um acidente de moto em 2022 e obteve na Justiça o direito ao tratamento de fisioterapia em casa. No entanto, a empresa responsável pelo serviço **interrompeu os atendimentos devido aos calotes da prefeitura**.

A falta de pagamento não afeta apenas os serviços de home care. Uma indústria farmacêutica relatou à Justiça que, apesar de entregar os medicamentos regularmente, **não recebeu pelos produtos fornecidos**, mesmo tendo sido ameaçada com sanções administrativas caso parasse o abastecimento. A decisão judicial determinou que o município não pode punir a empresa enquanto a dívida não for esclarecida ou quitada, exigindo ainda explicações e a apresentação da ordem cronológica de pagamentos.

Empresas temem novos contratos com a prefeitura

A publicação no Diogrande detalha que três processos de contratação direta da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) terminaram “desertos”. Isso significa que **nenhuma empresa se manifestou** para prestar serviços ou fornecer produtos ao município. Entre os casos, estão a contratação de serviços de home care (Dispensa de Licitação nº 019/2026) e a compra do medicamento Bromidrato de Galantamina (Dispensa nº 020/2026), ambos para cumprir decisões judiciais urgentes.

Outro processo que não atraiu interessados foi o de contratação de uma instituição financeira, conforme aviso publicado pela Secretaria Especial de Licitações e Contratos (SELC). Essa recusa generalizada de empresas em firmar novos acordos com a prefeitura de Campo Grande é um reflexo direto da **perda de confiança nos pagamentos**.

Justiça intervém e exige transparência nos pagamentos

Diante da inadimplência e das ameaças a fornecedores, a Justiça tem intervindo. Em um caso específico, uma indústria farmacêutica que fornecia medicamentos entrou com ação judicial devido a atrasos recorrentes nos pagamentos. A empresa alegou ter cumprido suas obrigações, mas não recebeu pelas notas fiscais emitidas.

Em decisão recente, o juiz determinou que a prefeitura **não pode aplicar sanções administrativas à empresa** enquanto a dívida não for quitada ou devidamente esclarecida. Além disso, foi exigido que a Sesau apresente explicações e a ordem cronológica de pagamentos, em conformidade com a nova Lei de Licitações. Essa intervenção judicial demonstra a gravidade da situação e a necessidade de **maior rigor e transparência na gestão dos recursos públicos**.

Consequências para os pacientes do SUS

Com a ausência de empresas dispostas a fechar novos contratos, a população de Campo Grande é quem mais sofre. A falta de fornecedores pode levar à **interrupção de atendimentos essenciais e à falta de medicamentos básicos** nas unidades de saúde. O Campo Grande NEWS buscou contato com a prefeitura para obter um posicionamento sobre o caso, mas até o momento da publicação desta matéria, não obteve resposta. O espaço permanece aberto para manifestações futuras.

A **falta de credibilidade da prefeitura** junto aos fornecedores cria um ciclo vicioso de desassistência. Empresas que já tiveram problemas com pagamentos evitam novos contratos, e aquelas que ainda não tiveram problemas podem se sentir inseguras diante do cenário atual. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa situação pode se agravar ainda mais se medidas eficazes não forem tomadas para regularizar os pagamentos e restabelecer a confiança no mercado.

A situação expõe a fragilidade da gestão pública quando a **saúde financeira não é prioridade**. A administração municipal precisa urgentemente encontrar soluções para honrar seus compromissos, garantindo assim que os serviços essenciais à população não sejam comprometidos. A transparência e a responsabilidade na gestão dos recursos são fundamentais para evitar que mais pacientes fiquem sem o atendimento digno que merecem. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando de perto os desdobramentos deste caso.