Calçada nova sem rebaixamento causa polêmica no Jardim Noroeste

Obra divide opiniões no Jardim Noroeste

A construção de novas calçadas na Rua Nazaré, no Jardim Noroeste, em Campo Grande, tem gerado reações distintas entre os moradores. A intervenção, realizada pela prefeitura, padronizou o passeio público, mas a ausência de rebaixamento das guias em frente a alguns imóveis tem dificultado o acesso de veículos, transformando a calçada em um problema para parte da comunidade. A situação chegou ao canal Direto das Ruas, levantando debates sobre a funcionalidade e o impacto da obra.

Enquanto alguns residentes aprovam a padronização e acreditam na adaptação, outros enfrentam dificuldades práticas diárias. A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) informou que o projeto segue um padrão adotado em outros bairros, onde a calçada fica no mesmo nível do meio-fio, mas reconhece que em algumas vias as casas estão em um nível mais alto, o que pode gerar o problema relatado. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de comunicação sobre os critérios da obra contribuiu para a insatisfação.

Visão positiva: padronização e adaptação

A professora Mônica Branco, 43 anos, moradora da Rua Nazaré desde 2017, considera a obra uma melhoria. “Para mim foi ótimo. Já vi essa rua ficar sem passagem de carros. Muita gente não gostou, mas, no meu caso, achei positivo”, relatou. Ela explica que o mesmo padrão foi aplicado em outros trechos da via e, com o tempo, os moradores se adaptaram, realizando ajustes nas entradas de veículos e nas próprias calçadas.

“Depois disso, os proprietários foram ajustando. Uns arrumaram a entrada dos carros, outros fizeram calçada, colocaram grama”, comentou Mônica. Ela também minimiza o impacto visual negativo. “Falta acabamento, mas não está feio. Não é algo que cause impacto negativo esteticamente”, avaliou. Sobre uma tubulação aparente em frente a sua residência, ela esclareceu que a situação não está diretamente ligada à obra de calçada, mas sim a uma divisão de imóveis anterior.

Dificuldades práticas: acesso comprometido

Em contrapartida, o gesseiro Leandro Barbosa, de 24 anos, que reside na rua há cerca de cinco anos, relata os transtornos causados pela obra. “Quando cheguei em casa, já estava tudo quebrado. A calçada foi quebrada e disseram que não iam mexer mais, que agora era por nossa conta”, afirmou. Ele aponta que o acesso à sua residência ficou seriamente comprometido.

“De moto não dá para sair, corre risco de quebrar o motor. Carro também não dá para guardar dentro. Os carros dos vizinhos estão todos na rua”, lamentou Leandro. Ele expressa preocupação com os custos adicionais para regularizar o acesso, já que, segundo ele, a prefeitura não ofereceu soluções para o rebaixamento das guias.

A resposta da prefeitura

Em nota enviada ao Campo Grande NEWS, a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) esclareceu que o projeto de calçada na Rua Nazaré segue a mesma sistemática de outras vias do município. Nesse padrão, a calçada é construída no mesmo nível do meio-fio. A secretaria reconhece, contudo, que em algumas ruas, como na Nazaré, as construções estão em um nível superior ao da via, o que pode ocasionar as dificuldades de acesso relatadas pelos moradores.

A Sisep não detalhou se haverá alguma intervenção específica para resolver os problemas de acesso em imóveis que ficaram com o nível da entrada incompatível com a nova calçada. A falta de um plano de ação claro para esses casos, segundo o Campo Grande NEWS apurou, tem gerado apreensão entre os moradores prejudicados, que agora precisam arcar com os custos de adaptação ou conviver com o acesso dificultado.