Tutores de animais em Campo Grande enfrentam um dilema angustiante: a impossibilidade de realizar a eutanásia em seus pets em estado terminal devido à falta de medicação no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). O estoque do insumo necessário para o procedimento está zerado há mais de 90 dias, forçando o órgão a orientar os tutores a buscarem clínicas veterinárias particulares. A prefeitura ainda não se pronunciou sobre a previsão de reabastecimento, deixando muitos animais em sofrimento prolongado.
O caso que expôs a gravidade da situação foi relatado por um morador, que prefere não se identificar. Ele procurou o CCZ após sua cadela rottweiler apresentar sintomas compatíveis com leishmaniose. Embora o animal tenha passado por exames, o resultado ainda não foi divulgado. Enquanto isso, a cadela encontra-se debilitada, sem conseguir se alimentar e em intenso sofrimento, sem que o procedimento de eutanásia possa ser realizado no CCZ.
Ao contatar o CCZ, o tutor foi informado por uma servidora que a unidade não dispõe do medicamento essencial para a eutanásia. A funcionária explicou que, por uma questão de humanidade, o órgão não recolhe animais sem condições de oferecer o suporte necessário. Diante dessa limitação, a recomendação oficial é que os tutores procurem clínicas veterinárias particulares para realizar o procedimento.
A servidora do CCZ detalhou que, após a eutanásia ser realizada em clínica particular, o Centro de Controle de Zoonoses pode oferecer gratuitamente o descarte do corpo do animal. Normalmente, este serviço tem um custo de R$ 10 por quilo. No entanto, para tutores sem recursos financeiros, essa alternativa se torna inviável.
O tutor da rottweiler relatou que sua cadela continua em fase terminal, mesmo com a medicação prescrita por um veterinário. “Ela permanece sem se alimentar e sofrendo muito. Estou preocupado também com a possibilidade de transmissão da doença”, desabafou o morador, evidenciando o desespero da situação.
A servidora do CCZ esclareceu que a leishmaniose é uma zoonose transmitida exclusivamente pela picada do mosquito-palha infectado, e não pelo contato direto entre o cão e as pessoas. Ela ressaltou que o uso de coleiras repelentes pode ajudar a impedir a picada do vetor e, consequentemente, interromper o ciclo de transmissão da doença.
Atualmente, o Centro de Controle de Zoonoses tem priorizado apenas situações de emergência. A diretriz é realizar a eutanásia somente em animais de rua, sem tutor, ou em casos de urgência extrema, como atropelamentos ou fraturas expostas, desde que haja compatibilidade com a disponibilidade técnica da unidade. Para animais que possuem tutores, o acolhimento para eutanásia não é autorizado, conforme a orientação recebida, conforme o Campo Grande NEWS checou. Para os demais casos, o serviço permanece suspenso.
O Campo Grande NEWS buscou contato com a Prefeitura de Campo Grande para obter esclarecimentos sobre o motivo da falta do medicamento, a previsão de normalização do abastecimento, o número de procedimentos que deixaram de ser realizados e as medidas adotadas para solucionar o problema. Até o momento da publicação desta reportagem, não houve retorno por parte do executivo municipal.
A falta de insumos básicos no CCZ levanta sérias questões sobre o atendimento público de saúde animal no município. A situação expõe a vulnerabilidade de tutores e animais em momentos de extrema necessidade, quando o amparo do poder público se torna essencial. A ausência de respostas claras da prefeitura agrava a angústia dos envolvidos, que clamam por uma solução urgente para garantir o bem-estar e o fim digno para seus companheiros.
A equipe do Campo Grande NEWS continuará acompanhando o caso e buscando informações junto aos órgãos competentes para trazer atualizações aos leitores sobre a normalização do estoque de medicamentos e a retomada dos procedimentos essenciais no CCZ de Campo Grande.

