Buracos em Campo Grande: Prefeitura diz ter tapado 60 mil em menos de 2 meses

A Prefeitura de Campo Grande anunciou um balanço impressionante de sua força-tarefa de tapa-buracos: foram fechados cerca de 60 mil buracos nas sete regiões da Capital em menos de dois meses. De acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), o trabalho intensivo resultou em uma média diária de 2,1 mil buracos tapados em fevereiro e mais de 1,4 mil em janeiro, totalizando aproximadamente 34.854 no primeiro mês.

A Sisep ressalta que o número real de buracos reparados pode ser ainda maior. Isso porque, quando há mais de um buraco próximo um do outro, muitas vezes são contabilizados como um único serviço devido ao corte único na via. A estimativa inicial da prefeitura é de que existam cerca de 300 mil buracos na cidade, o que demonstra a magnitude do desafio enfrentado.

Apesar dos avanços, as chuvas intensas representam o principal obstáculo para a continuidade e eficácia dos serviços. O secretário da Sisep, Adelaido Lucas Neto, explicou que a massa asfáltica não pode ser utilizada com o solo molhado ou em temperaturas inadequadas, pois precisa estar entre 110°C e 177°C para garantir a aderência e durabilidade. O material que não é utilizado no mesmo dia precisa ser descartado, gerando prejuízos e atrasos.

Desafios e estratégias da força-tarefa

“Muitas vezes passamos com o serviço, depois vem a chuva e abre outro buraco na via ao lado do que fechamos. Mas todas as equipes estão na rua, temos uma agenda de reparos e temos que persistir no trabalho”, afirmou o secretário. Ele destacou que vias importantes como as Avenidas Cônsul Assaf Trad, Marechal Deodoro e Gunter Hans receberam atenção especial e apresentam melhorias visíveis. No entanto, ruas consideradas menos “estruturantes”, em bairros como Jockey Club, Vila Jaci e Vila Glória, além da Avenida Calógeras, ainda sofrem com a precariedade.

A expectativa da Sisep é que, em cerca de 30 a 60 dias, a realidade das ruas de Campo Grande seja significativamente diferente. “Fomos muito afetadas por conta dos estragos das chuvas”, completou o secretário, evidenciando o impacto dos temporais na infraestrutura da cidade. Para viabilizar a operação, foram formalizados contratos que somam até R$ 12 milhões, conforme publicado no Diário Oficial Municipal (Diogrande) em 19 de janeiro de 2026, voltados para a recomposição asfáltica.

Chuvas de verão castigam a Capital

Os temporais de verão têm sido um fator agravante para a situação das vias. No final da tarde de quinta-feira (19), Campo Grande foi atingida por um novo temporal com chuva forte, descargas elétricas e ventos. O meteorologista Natálio Abrahão registrou 51 milímetros de chuva em apenas uma hora, causando alagamentos, transbordamentos e interrupção no tráfego em diversas vias, como a Avenida Costa e Silva, que se transformou em um “rio”, e o Lago do Amor, que transbordou novamente.

Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicam que Campo Grande já acumula mais de 300 milímetros de chuva de janeiro até agora, sendo 152,2 mm em janeiro e pelo menos 150,3 mm em fevereiro. A situação se repetiu na sexta-feira (20), com mais um temporal alagando ruas, incluindo a Avenida Gunter Hans e a Avenida Rachel de Queiroz, dificultando o tráfego de veículos e escondendo os buracos sob a lama.

Previsão e cuidados

O Inmet prevê que o sábado (21) continue com muitas nuvens, pancadas de chuva e trovoadas isoladas, com possibilidade de queda de granizo à noite. As temperaturas devem variar entre 23°C e 36°C. A forte incidência de chuvas, aliada aos ventos intensos, como os registrados de 21,6 km/h para 60,84 km/h em um curto período, contribui para a deterioração rápida do asfalto e a formação de novos buracos, exigindo esforço contínuo da prefeitura.

Apesar dos desafios impostos pelo clima, a Prefeitura de Campo Grande, conforme o Campo Grande NEWS checou, reforça o compromisso em manter as equipes atuando para mitigar os transtornos causados pelas condições das vias, buscando apresentar um cenário mais favorável à mobilidade urbana nos próximos meses.