As ruas de Campo Grande se tornaram um campo minado de buracos, provocando uma onda de acidentes, prejuízos materiais e um aumento alarmante na procura pela emergência da Santa Casa. A situação crítica, que afeta a mobilidade urbana e a segurança dos cidadãos, levou o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS) a cobrar um plano de ação urgente da prefeitura para intensificar a operação tapa-buracos.
Buracos em Campo Grande: Ameaça Constante no Trânsito
A capital sul-mato-grossense enfrenta um problema crônico com a malha viária precária. Crateras espalhadas por diversos bairros não apenas danificam carros e motos, mas também colocam em risco a vida de motoristas e pedestres. Em alguns pontos, os buracos são tão extensos que forçam os condutores a invadir a pista contrária, aumentando o risco de colisões frontais.
Moradores e comerciantes relatam o **desgaste diário** com a situação. Na esquina das ruas Antônio Alves e Lázara de Sousa, no Bairro Rita Vieira, uma cratera de grandes proporções obriga os motoristas a manobras arriscadas. Edson Alves, um dos afetados, compartilhou seu prejuízo: “Eu tive que trocar o pivô do meu carro, que bateu no buraco, quebrou o pivô, aí o carro não vai nem pra frente, nem pra trás, aí tive que chamar um mecânico”.
Na Rua Maragogipe, no Jardim TV Morena, a situação é ainda mais antiga, com buracos que persistem há mais de um ano. As chuvas intensificam o problema, acumulando água e lama, que chegam a invadir imóveis próximos. O empresário Caíque Postal descreveu o transtorno como imenso, afetando o tráfego em uma rua já estreita e resultando em pneus furados e acidentes.
Como Buscar Indenização por Danos Causados por Buracos
Para quem sofreu prejuízos devido a buracos nas vias, a lei prevê a possibilidade de buscar **indenização do poder público**. O advogado Bruno Almeida Albertini orienta que a reunião de provas é fundamental. “O condutor pode vir a recorrer quando ele tem boas provas sobre o prejuízo sofrido, sobre o defeito na malha viária e uma relação entre uma coisa e a outra”, explica.
Fotos, vídeos, testemunhas, orçamentos de conserto e registros de atendimento médico são essenciais para comprovar o dano. O advogado reforça a importância de priorizar a segurança após o incidente e, em seguida, coletar o máximo de evidências possíveis. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a documentação detalhada pode ser o diferencial na hora de conseguir o ressarcimento.
Impacto na Rede de Saúde Pública
Os acidentes causados pelos buracos em Campo Grande não só geram custos para os motoristas, mas também **sobrecarregam a rede pública de saúde**. A Santa Casa de Campo Grande tem registrado um aumento de vítimas de acidentes de trânsito, o que agrava a situação de superlotação em seu setor de emergência. O médico Rodrigo Quadros destacou que o hospital já opera com alta demanda de pacientes com infarto, AVC e pneumonia.
Relatos chocantes surgem de várias vias. Na Avenida Gury Marques, um motociclista esteve perto de cair ao atingir uma cratera. Em outra ocorrência na mesma via, um carro teria capotado após a roda quebrar ao passar por um buraco. Fábio Vaz, motociclista que percorre mais de 100 km diariamente, lamenta a frequência com que enfrenta esse tipo de perigo.
TCE Cobra Plano Urgente da Prefeitura
Diante do cenário alarmante, o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) notificou a Prefeitura de Campo Grande, exigindo a apresentação de um **plano de ação para ampliar a Operação Tapa-Buracos**. A administração municipal tem um prazo de 48 horas para detalhar as medidas que serão tomadas para evitar a suspensão do serviço.
Atualmente, apenas três das sete regiões da cidade estão sendo atendidas pela operação, com as outras quatro regiões sem cobertura após o cancelamento de contratos anteriores. A prefeita Adriane Lopes anunciou que a prefeitura realizará um chamamento público para contratar novas empresas responsáveis pelo serviço.
A prefeitura também divulgou um pacote de obras de infraestrutura, com investimento superior a R$ 280 milhões, voltado para pavimentação e drenagem em 29 bairros. A previsão de execução desses trabalhos é de cinco a doze meses. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a gestão busca uma solução mais duradoura para os problemas de mobilidade urbana.
A prefeita destacou a importância de não apenas tapar os buracos, mas investir em recapeamento, especialmente em regiões com asfalto deteriorado há décadas. “O nosso projeto é avançar, não só com o Tapa Buracos, mas com o recapeamento”, afirmou. A nova abordagem visa garantir maior durabilidade e qualidade dos serviços. No entanto, a prefeitura ainda não divulgou o cronograma de início das novas frentes da Operação Tapa-Buracos nem o cronograma detalhado das obras de infraestrutura, deixando os moradores em expectativa.
A urgência da situação, com vítimas e danos materiais ocorrendo diariamente, exige a rápida implementação das ações prometidas. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando o desenrolar desta questão que afeta diretamente a qualidade de vida em Campo Grande.

