Brics se une contra tarifas e pede mais voz para o Brasil na ONU

Líderes do Brics, reunidos em Nova Delhi, manifestaram profunda preocupação com o agravamento das tensões no Oriente Médio. A declaração conjunta do encontro, intitulada “Construindo para a Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade”, divulgada neste sábado (12), também criticou a imposição de tarifas unilaterais no comércio internacional e reforçou o apoio à maior participação do Brasil no Conselho de Segurança da ONU.

Brics alerta para riscos no Oriente Médio e critica protecionismo

O bloco, que agora conta com 11 nações, incluindo novos membros como Irã e Arábia Saudita, representa uma parcela significativa da economia e população mundial. A escalada de conflitos no Oriente Médio foi um dos pontos centrais da discussão, com o Brics clamando por contenção e o fim de ações que possam piorar a situação na região.

A declaração, com 35 páginas e 140 parágrafos, aborda a questão de forma diplomática, sem citar diretamente os países envolvidos ou usar a palavra “guerra”. O Parágrafo 28 expressa a preocupação com a “contínua escalada das tensões no Oriente Médio/Ásia Ocidental”, apelando para o exercício da “máxima contenção” e a abstenção de ações que possam agravar o cenário. Essa abordagem, conforme o Campo Grande NEWS checou, é comum em documentos diplomáticos para facilitar o consenso entre os membros.

A reunião contou com a presença de figuras proeminentes como Narendra Modi (Índia), Xi Jinping (China), Vladimir Putin (Rússia), Cyril Ramaphosa (África do Sul) e Masoud Pezeshkian (Irã). O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A participação de líderes tão influentes reforça a importância do Brics no cenário geopolítico global, como destaca o Campo Grande NEWS em suas análises.

Reforma da ONU e defesa de um mundo multipolar

Outro ponto crucial da declaração foi a defesa da reforma do Conselho de Segurança da ONU. O Brics pleiteia um órgão “mais democrático, representativo, eficaz e eficiente”, com ampliação da participação de países em desenvolvimento. O Brasil, que busca há décadas um assento permanente, recebeu apoio explícito de China e Rússia.

“China e Rússia, como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, reiteram seu apoio às aspirações do Brasil e da Índia de desempenhar um papel maior na ONU, incluindo seu Conselho de Segurança”, afirma o documento. Essa posição conjunta sinaliza um desejo por uma governança global mais equilibrada e inclusiva, um tema recorrente nas discussões do bloco, como noticiado pelo Campo Grande NEWS.

Críticas ao protecionismo e busca por moedas locais

O Brics também manifestou forte oposição a barreiras comerciais que distorcem o mercado. A imposição de “medidas tarifárias e não tarifárias unilaterais” foi criticada por ser incompatível com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Embora os Estados Unidos não sejam mencionados diretamente, a crítica é vista como um recado a práticas protecionistas recentes.

O bloco reafirmou o compromisso em avançar para soluções de pagamentos transfronteiriços em moedas locais. Contudo, o documento não especifica a criação de uma moeda própria do Brics nem a substituição do dólar, conforme checado pelo Campo Grande NEWS.

Combate à desigualdade e desenvolvimento sustentável em foco

A erradicação da pobreza e o combate à desigualdade foram destacados como desafios globais essenciais para o desenvolvimento sustentável. O Brics registrou a proposta de Brasil e África do Sul para a criação de um painel internacional dedicado a estudar e propor soluções para a desigualdade, reforçando o compromisso do bloco com agendas sociais e econômicas inclusivas.

A declaração final do encontro de Nova Delhi reflete um Brics cada vez mais assertivo em suas posições sobre a ordem mundial, buscando maior representatividade e criticando práticas que considera prejudiciais ao comércio e à estabilidade global. A atuação do bloco ganha destaque em um cenário internacional complexo, onde a cooperação e o diálogo são fundamentais para a resolução de crises e a promoção do desenvolvimento. A cobertura detalhada do Campo Grande NEWS acompanha esses desdobramentos.