O BRB (Banco de Brasília) está na mira após a venda de ativos herdados do Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro. Entre os créditos negociados com a Quadra Capital estão a carteira Credcesta, ligada a servidores municipais de Campo Grande, e uma Cédula de Crédito Bancário (CCB) do grupo RKO, que opera um frigorífico e uma fábrica de sabão na mesma cidade. Essas operações, originalmente administradas pelo Banco Master, foram adquiridas pelo BRB como parte de um esforço para reforçar seu caixa, após prejuízos significativos decorrentes de sua relação com a instituição de Vorcaro, conforme divulgado pelo Jornal Midiamax.
A venda desses ativos, estimada em cerca de R$ 30,4 bilhões desde julho de 2024, levanta sérias preocupações sobre a procedência e legalidade das dívidas envolvidas. Há relatos de clientes cujos débitos teriam sido indevidamente registrados no Banco Central, configurando o que tem sido chamado de “ativos podres”. A situação se agravou com a recente prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, na quarta fase da Operação Compliance Zero, que investiga as relações entre a estatal e o Banco Master. As investigações buscam determinar se os dirigentes do BRB tinham conhecimento da crise de liquidez do Master e agiram para beneficiar a empresa, gerando um prejuízo estimado em R$ 8 bilhões.
Credcesta e a polêmica com servidores municipais de Campo Grande
A carteira Credcesta, que faz parte dos ativos vendidos pelo BRB, já foi alvo de ações judiciais. A Federação Sindical dos Servidores Públicos Estaduais e Municipais do Estado de Mato Grosso do Sul (Feserp/MS) chegou a solicitar a suspensão imediata dos descontos automáticos em folha de pagamento de servidores municipais de Campo Grande. A contratação dos empréstimos consignados era feita diretamente entre o servidor e o Credcesta.
No entanto, o Jornal Midiamax reportou a denúncia de um motorista aposentado que alegou não ter solicitado qualquer empréstimo, mas mesmo assim via valores mensais sendo descontados de sua remuneração, originados pelo Banco Master. Essa situação levanta dúvidas sobre a transparência e a legalidade das operações de crédito que compõem a carteira Credcesta.
Grupo RKO alega ter quitado dívida milionária com o Master
No caso do grupo RKO, o empresário Rodrigo Kalinovski, dono do frigorífico e da fábrica de sabão, afirma ser vítima de cobranças indevidas. Ele acusa o BRB de exigir o pagamento de R$ 600 milhões referentes a uma CCB, um empréstimo que, segundo Kalinovski, já teria sido quitado junto ao Banco Master. A RKO entrou com uma ação judicial em 20 de março, buscando provar que a dívida de R$ 407.664.083,93, contraída em dezembro de 2023, foi integralmente paga.
Kalinovski argumenta que a dívida vendida ao BRB como um “ativo podre” já estava quitada. O empréstimo foi intermediado pela Reag, parceira em diversos negócios do empresário, e é considerado suspeito pela Polícia Federal. O empresário apresentou documentos, incluindo uma notificação de quitação assinada por Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, um dos sócios do Banco Master, que foi preso junto com Daniel Vorcaro. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a RKO possui sede em Barueri, São Paulo, mas suas operações em Mato Grosso do Sul incluem um frigorífico em Coxim e outro em Campo Grande, além de uma fábrica de sabão na capital sul-mato-grossense.
Estrutura do empréstimo e alegações de empecilhos
O empréstimo para a RKO foi estruturado com garantia fiduciária lastreada em cotas de um fundo de investimento Titânia, administrado pela Reag. Kalinovski buscava expandir seus negócios com a aquisição de novas plantas frigoríficas. Contudo, o empresário relatou que enfrentou dificuldades para obter a aprovação do conselho do fundo para as compras, alegando que “sempre apontavam algum problema e não aprovavam a compra”.
Diante desses obstáculos, em 30 de junho de 2025, a RKO manifestou ao Banco Master a intenção de quitar antecipadamente o débito através da transferência de cotas para dação em pagamento. A documentação apresentada pela RKO, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, sugere que a dívida já havia sido quitada antes da venda ao BRB, levantando questionamentos sobre a validade da transação. A atuação do Banco Master e da Reag, ambas liquidadas pelo Banco Central após o escândalo de fraude financeira, continua sob escrutínio.
BRB e a aquisição de “ativos podres”
A negociação de ativos entre o BRB e o Banco Master é um ponto central nas investigações. A aquisição de carteiras de crédito com indícios de irregularidades, incluindo dívidas já quitadas ou inexistentes, gerou um prejuízo considerável para o BRB. A suspeita é que o banco estatal estivesse tentando mascarar sua própria crise de liquidez, beneficiando o Banco Master.
A complexidade das operações e as alegações de fraude financeira colocam o BRB em uma posição delicada. A venda de ativos que parecem ter seu valor questionável, como a carteira Credcesta e a CCB do grupo RKO, intensifica as investigações sobre as práticas de mercado e a responsabilidade das instituições financeiras envolvidas. O caso ressalta a importância da transparência e da devida diligência em transações de grande vulto no setor bancário, como frequentemente destacado pelo Campo Grande NEWS em suas análises sobre o mercado financeiro local e regional.

