Ataques dos EUA à Venezuela levam 100 turistas brasileiros a cruzar a fronteira em Roraima, com governo brasileiro reafirmando posição em defesa do direito internacional e soberania
Cem turistas brasileiros que estavam na Venezuela decidiram retornar ao Brasil neste sábado (3), cruzando a fronteira em Roraima. A decisão ocorreu após os ataques realizados pelos Estados Unidos contra o país sul-americano.
O Ministério das Relações Exteriores (MRE), representado pela ministra interina Maria Laura da Rocha, informou que o Itamaraty está acompanhando de perto a situação da comunidade brasileira na Venezuela. Até o momento, não há relatos de vítimas ou feridos entre os cidadãos brasileiros.
A ministra interina Maria Laura da Rocha substitui o ministro Mauro Vieira, que interrompeu suas férias e retornou a Brasília para acompanhar os desdobramentos da crise. A declaração foi feita após a segunda reunião emergencial do dia sobre a invasão da Venezuela pelos EUA, coordenada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Fronteira aberta e apoio diplomático garantidos
O ministro da Defesa, José Múcio, reforçou que a fronteira entre Brasil e Venezuela permanece aberta e tranquila. Ele aconselhou os brasileiros que desejam deixar o país a procurarem as representações diplomáticas brasileiras. “Da maneira que está tudo calmo, as fronteiras estão abertas, não há nenhuma restrição. O brasileiro que estiver lá pode vir, procure o seu embaixador”, declarou Múcio.
A embaixadora do Brasil em Caracas, Glivânia Maria de Oliveira, e a vice-cônsul brasileira no país também têm prestado auxílio aos cidadãos. O governo brasileiro está em plantão para monitorar quaisquer novos acontecimentos.
Brasil reafirma compromisso com o direito internacional
Questionada sobre quem o Brasil reconhece como chefe de Estado na Venezuela, Maria Laura da Rocha indicou que, na ausência do presidente Nicolás Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez é considerada a presidente interina. O Brasil participará de reuniões ministeriais da Celac e do Conselho de Segurança da ONU para discutir a agressão dos EUA contra a Venezuela.
“O Brasil continua sendo a favor do direito internacional, que é a posição tradicional brasileira contra qualquer tipo de invasão territorial, é pela soberania dos países”, afirmou a ministra interina. Em comunicado anterior, o presidente Lula já havia condenado o ataque, classificando-o como uma violação do direito internacional.
Contexto histórico e acusações dos EUA
A ação militar dos EUA contra a Venezuela é vista como um novo episódio de intervenções diretas de Washington na América Latina, a última ocorrida no Panamá em 1989. Assim como em casos anteriores, os EUA acusam Nicolás Maduro de liderar um suposto cartel, o “Cartel de los Soles”, alegação que é questionada por especialistas em tráfico internacional de drogas.
O governo americano oferecia uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro. Críticos apontam que a ação pode ter motivações geopolíticas, visando afastar a Venezuela de potências como China e Rússia, além de aumentar o controle sobre o setor petrolífero do país, que detém as maiores reservas comprovadas do mundo.


