Boulos em Campo Grande: ministro visita periferia em ano eleitoral

Boulos em Campo Grande: ministro visita periferia em ano eleitoral

Em meio a um ano eleitoral, o Secretário-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, esteve em Campo Grande nesta quinta-feira (05) para cumprir agendas focadas na periferia da cidade. A visita faz parte da ação “Governo do Brasil na Rua”, que tem como objetivo aproximar as políticas públicas federais da população, especialmente em áreas de maior vulnerabilidade social.

A iniciativa, conforme o Campo Grande NEWS checou, visa ouvir as demandas de organizações ligadas à reforma agrária e à luta por moradia, além de facilitar o acesso a programas sociais. A ação ocorre em um momento crucial, com as eleições gerais se aproximando em outubro, o que levanta questionamentos sobre o caráter eleitoral da visita.

Boulos, no entanto, refuta a ideia de que a agenda seja de campanha. Ele esclarece que está atendendo a um pedido do presidente Lula para garantir que as iniciativas do Governo Federal alcancem quem mais precisa, especialmente aqueles que enfrentam dificuldades burocráticas ou de acesso digital para se cadastrar em benefícios.

Diálogo direto com a população

A visita de Guilherme Boulos ocorreu em regiões como o Parque do Sol e o Lageado, áreas conhecidas por suas demandas sociais. O ministro se reuniu com representantes de movimentos como o Movimento de Reforma Agrária, o Nacional de Luta por Moradia (MNLM) e a Central Única dos Trabalhadores do Mato Grosso do Sul (CUT-MS). Nessas conversas, Boulos recebeu cartas com reivindicações e ouviu diretamente as necessidades das comunidades.

O objetivo principal, segundo o próprio Boulos, é desburocratizar o acesso a programas essenciais. “Muitas pessoas têm direito a benefícios como o Pé-de-Meia ou o BPC, mas não conseguem se cadastrar por falta de informação ou acesso digital”, explicou o ministro. Ele ressaltou que a ação “Governo do Brasil na Rua” permite que os cidadãos resolvam pendências e se cadastrem sem filas e sem burocracia.

Um exemplo citado por Boulos foi o corte de benefícios por falta de atualização cadastral. “Já vi milhares de mães, às vezes com filhos autistas em grau severo, perderem o único rendimento que tinham porque não foram ao CRAS atualizar o Cadastro Único”, lamentou.

Agenda nacional com foco nas periferias

A visita a Campo Grande faz parte de um roteiro que, segundo Boulos, percorrerá todos os 27 estados brasileiros até julho. A intenção é, caso Lula seja reeleito, transformar essa iniciativa em uma política permanente do governo federal. Essa estratégia de estar presente nas periferias, e não apenas nos centros urbanos, atende a um pedido explícito do presidente Lula.

“Quando vai para Campo Grande, não vai só para a praça central da cidade, onde todo mundo passa e tira foto. Vá para as periferias, converse com o povo”, disse Boulos, citando exemplos de visitas recentes em Macapá e a próxima em Vitória. Ele enfatizou que o governo federal não pode ser visto como algo distante, “lá em Brasília, no palácio”.

Apesar de a prefeita Adriane Lopes não ter comparecido, a vice-prefeita Camilla Nascimento e diversos parlamentares locais prestigiaram o evento, o que, conforme o Campo Grande NEWS apurou, demonstra o interesse político na região.

Desempenho do governo e futuro político

Boulos também fez comparações com a gestão anterior, citando um investimento federal de R$ 5 bilhões em Mato Grosso do Sul, que teria sofrido uma queda de 18% na gestão passada. Ele destacou programas como o Minha Casa Minha Vida, com quase 6 mil unidades contratadas neste governo, em contraste com zero unidades na gestão anterior. “No governo anterior foi zero, não teve, não teve nada”, afirmou.

Sobre seu futuro político, Boulos negou veementemente a possibilidade de ser candidato à presidência, afirmando que seu foco é apoiar a reeleição de Lula. Ele se licenciou do cargo de deputado federal mais votado em São Paulo para assumir a função de ministro e coordenar a campanha presidencial. “A prioridade é a gente reeleger o Lula esse ano, para que não deixe que um projeto que não olha para o povo, que olha mais para os privilegiados do que para o povo, volte nesse país”, declarou.

O ministro também brincou sobre a saúde e disposição do presidente Lula, de 80 anos, que, segundo ele, está apto para um quarto mandato. “Eu, com 43, queria ter a disposição do Lula de fazer academia às cinco horas da manhã que ele tem”, comentou. Boulos ainda lamentou a dificuldade de agendas de Lula em Campo Grande devido a compromissos internacionais, incluindo viagens para tratar de paz e interesses brasileiros, como a conversa com Donald Trump.