Bolsonaristas atacam Marielle Franco em ato e filha repudia: ‘violência política’

Ato político no Rio de Janeiro termina com ofensas à memória de Marielle Franco

Um ato político realizado próximo à Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) nesta terça-feira (13) foi marcado por ofensas à vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018. A manifestação, que contava com apoiadores do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), ocorreu um dia após a PUC-Rio proibir eventos político-partidários em seu campus até o fim das eleições.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram participantes do ato ironizando o assassinato da vereadora. Em um dos momentos, uma voz em um carro de som disse: “Marielle está com papai do céu”, complementando em seguida: “ou no colo do capeta”.

Durante o ato, bolsonaristas discursaram contra eleitores de Lula. Em resposta, apoiadores do ex-presidente gritaram palavras de ordem e entoaram “Marielle, presente”. Houve também troca de ofensas entre os grupos presentes no local.

Filha de Marielle repudia as ofensas e as classifica como violência política

Em resposta às agressões verbais, Luyara Franco, filha de Marielle, publicou um vídeo nas redes sociais defendendo a memória de sua mãe. Ela classificou as zombarias como um ato de violência política.

“Zombar do assassinato de Marielle Franco não é opinião. Não é debate. Não é liberdade de expressão. É violência política”, afirmou Luyara Franco. Ela ressaltou que transformar o assassinato de sua mãe em motivo de deboche é um desrespeito à sua história, à sua família e à luta de muitas pessoas que continuam buscando justiça.

Luyara Franco descreveu sua mãe como uma “mulher brilhante, cientista social formada pela PUC-Rio, pesquisadora, mestre em Administração Pública e uma parlamentar que dedicou sua vida à defesa dos direitos humanos”. Ela acrescentou que Marielle “pensava o Brasil com profundidade e trabalhava para transformá-lo”.

Anielle Franco apoia estudantes e reforça resistência

A irmã de Marielle, a deputada federal eleita Anielle Franco (PT), também se manifestou nas redes sociais, demonstrando apoio aos estudantes que defendem a candidatura de Lula. Anielle Franco relembrou sua ligação com a PUC-Rio, onde estudou, e sua atuação como professora.

“A minha irmã estudou na PUC-Rio e eu sou professora. A gente sabe o lado certo da história, que a gente está. A gente está aqui para dizer que a gente resiste”, declarou Anielle Franco, reforçando o compromisso com a luta por justiça e memória.

Relembre o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes

O crime que chocou o país ocorreu em março de 2018. Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, foram assassinados a tiros quando o carro em que estavam foi alvo de uma emboscada no centro do Rio de Janeiro, logo após a vereadora sair de um evento.

Os executores do crime, os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, confessaram ser os responsáveis pelas mortes e foram condenados em 2024. As investigações posteriores também levaram à condenação de outros envolvidos, incluindo Domingos Brazão, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Ronald de Paula, major da Polícia Militar, e Robson Calixto, ex-policial militar.

Conforme o Campo Grande NEWS checou, o caso Marielle Franco continua sendo um marco na luta contra a impunidade e pela defesa dos direitos humanos no Brasil. A repercussão das ofensas em um ato político recente demonstra a persistência de tentativas de deslegitimar a memória da vereadora e a importância de manter viva a discussão sobre o crime e suas motivações.

O episódio em frente à PUC-Rio, conforme o Campo Grande NEWS analisou, evidencia a polarização política que o país atravessa e como temas sensíveis como o assassinato de Marielle Franco podem ser instrumentalizados em debates eleitorais. A equipe do Campo Grande NEWS ressalta a importância de checar informações e combater discursos de ódio.