Bebê com bronquiolite em Campo Grande: plano de saúde nega leito de CTI

Mãe de bebê com bronquiolite luta por leito de CTI em Campo Grande

A angústia tomou conta de Danielle dos Santos Couto, nutricionista e mãe da pequena Aurora, de apenas 5 meses. A bebê foi internada na última sexta-feira (29) com bronquiolite no Prontomed da Santa Casa de Campo Grande. No entanto, o que deveria ser um alívio em busca de tratamento intensivo, transformou-se em uma batalha frustrante. Até a tarde desta segunda-feira (1º), a vaga em leito de CTI (Centro de Terapia Intensiva) não havia sido liberada pelo Santa Casa Saúde, plano de saúde que Danielle paga desde o nascimento da filha.

A situação se agrava com a piora do quadro de saúde de Aurora, que respira com o auxílio de oxigênio. Danielle relata que assinou os papéis de autorização para a internação em CTI já no sábado de manhã (30), mas a transferência não se concretizou. A preocupação é imensa, e a falta de agilidade do plano de saúde tem gerado desespero.

Demora na liberação de vaga de CTI causa revolta

“Disseram que vão remanejar, que não tem leito, mas vão liberar. Hoje, o médico me disse que a Aurora tem pontuação máxima para transferência e que a próxima vaga que surgir, é dela”, desabafa Danielle, visivelmente abalada. A incerteza e a falta de uma solução concreta para a transferência da filha para um leito de CTI, que é essencial para bebês em estado grave de bronquiolite, a levaram a buscar medidas legais.

Diante da inércia do plano de saúde, Danielle procurou a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul na segunda-feira. O objetivo é que a instituição intervenha no caso e, se necessário, ajuíze uma ação judicial para garantir a transferência imediata da bebê para um leito de CTI. O prazo estipulado pela Defensoria para o Santa Casa Saúde se manifestar e providenciar a vaga é até esta quarta-feira (3), mesmo que seja em outra unidade hospitalar particular.

Direitos do Consumidor e dificuldades burocráticas

Danielle também pretende entrar com uma ação por entender que a demora e a falta de providências por parte do plano de saúde ferem o Direito do Consumidor. Ela aponta, ainda, as dificuldades burocráticas enfrentadas para conseguir documentação médica essencial. “Tem que ir em uma central de atendimento que só atende de segunda a sexta-feira e ainda cobram uma taxa para emitir um papel assinado pelo médico”, reclama.

A reportagem do Campo Grande NEWS buscou contato com a assessoria da ABCG (Associação Beneficente de Campo Grande), responsável pelo Santa Casa Saúde, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. A falta de resposta da instituição agrava a situação e deixa os pais em um limbo de incerteza.

Este caso, que expõe as fragilidades no acesso à saúde mesmo para quem possui plano, foi sugerido por um leitor que enviou mensagem pelo canal Direto das Ruas, demonstrando a importância da participação cidadã na fiscalização e denúncia de falhas no sistema de saúde. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a situação de Danielle e Aurora reflete um problema que pode afetar outros segurados, levantando questionamentos sobre a agilidade e a eficácia dos serviços oferecidos pelos planos de saúde em momentos de emergência.

A bronquiolite é uma infecção respiratória comum em bebês e crianças pequenas, causada principalmente pelo vírus sincicial respiratório (VSR). Em casos graves, como o de Aurora, a internação em CTI é fundamental para monitoramento constante e suporte ventilatório, garantindo a sobrevivência e recuperação do paciente. A demora no acesso a esse tipo de cuidado pode ter consequências irreversíveis.

O caso de Aurora, como apurado pelo Campo Grande NEWS, evidencia a necessidade de maior fiscalização e agilidade por parte dos planos de saúde. A burocracia e a falta de leitos em momentos críticos não podem ser barreiras para o direito à vida e à saúde, especialmente quando se trata de bebês que necessitam de cuidados intensivos. A luta de Danielle é um exemplo da força de uma mãe em busca do melhor para sua filha, mas também um alerta sobre as falhas que precisam ser corrigidas no sistema de saúde.