A crise climática é uma questão de saúde pública que exige preparo científico do SUS. O Ministério da Saúde anunciou um investimento de R$ 3,2 milhões para uma base permanente da Força Nacional do SUS em Campo Grande. A unidade, estratégica para o Centro-Oeste, promete respostas em até 12 horas a emergências como secas, queimadas e calor intenso. Conforme divulgado pelo Ministério da Saúde, a iniciativa faz parte de uma estratégia de regionalização para enfrentar os impactos do El Niño e das mudanças climáticas, adaptando o sistema de saúde às particularidades de cada território brasileiro.
A nova base em Campo Grande integrará a expansão da Força Nacional do SUS, que prevê nove unidades regionais até 2026. A escolha da capital sul-mato-grossense se deve ao cenário de risco da região, que inclui ausência de chuvas, calor intenso, estiagem e alto risco de incêndios florestais. Esses fatores podem levar a problemas de saúde como estresse térmico, complicações respiratórias pela fumaça e dificuldade de acesso à água potável.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou a importância de uma abordagem baseada na ciência para lidar com os impactos climáticos, que variam significativamente entre as regiões do país. Ele destacou que a crise climática não é um problema futuro, mas uma realidade que já afeta a saúde pública, exigindo adaptação e antecipação. A regionalização do SUS visa justamente aproximar profissionais e equipamentos dos locais mais vulneráveis, garantindo uma resposta mais rápida e eficaz diante de desastres.
Estratégia regionalizada para o SUS
A estratégia do Ministério da Saúde parte do reconhecimento de que cada região do Brasil possui desafios climáticos distintos. Enquanto algumas áreas precisam se preparar para chuvas e inundações, outras enfrentam maior risco de seca, estiagem e calor extremo. Por isso, a pasta está regionalizando o monitoramento, o planejamento e a capacidade de resposta do SUS para atender às necessidades específicas de cada localidade.
No Centro-Oeste, o cenário previsto pelo Ministério da Saúde inclui a escassez de chuvas, elevação das temperaturas e aumento do risco de incêndios florestais. Esses eventos podem desencadear diversos problemas de saúde, como o estresse térmico, agravamento de doenças cardiorrespiratórias devido à fumaça de queimadas, e acidentes relacionados ao combate ao fogo. A dificuldade de acesso à água potável também é uma preocupação relevante para a região.
A nova base em Campo Grande, com investimento estimado em R$ 3,2 milhões, será permanente e contará com equipes de prontidão. Segundo o Ministério da Saúde, a unidade poderá mobilizar Equipes de Resposta Rápida e módulos adicionais, dimensionados conforme a magnitude de cada ocorrência. A localização exata da estrutura ainda está em definição, mas sua presença é considerada estratégica para apoiar respostas a epidemias, surtos, eventos climáticos extremos e desastres de diversas naturezas.
Resposta rápida em até 12 horas
A regionalização da Força Nacional do SUS tem como objetivo principal permitir uma resposta em até 12 horas em situações de emergência em saúde. O ministro Padilha explicou que essa medida aproxima profissionais e equipamentos essenciais dos locais atingidos, incluindo a possibilidade de instalação de hospitais de campanha e o uso de drones. A presença contínua das equipes em cada território fortalece o contato com gestores locais e a compreensão das vulnerabilidades específicas.
Além da estrutura da Força Nacional, o Ministério da Saúde anunciou para o Centro-Oeste outras medidas de fortalecimento, como 212 unidades básicas de saúde resilientes, 367 novas ambulâncias do SAMU e 79 soluções de água potável para áreas indígenas. Essas ações complementares visam aumentar a capacidade de resposta do sistema de saúde em diferentes frentes.
Ciência e dados orientam a preparação
O ministro Alexandre Padilha enfatizou que a preparação para eventos como o El Niño deve ser orientada pela ciência, com o cruzamento de informações climáticas e de saúde. O objetivo é compreender o comportamento de cada território e antecipar como as alterações de temperatura e outros eventos climáticos podem afetar a população e sobrecarregar os serviços de saúde. O diretor-executivo adjunto do Ministério, Nilson Pereira Júnior, alertou que o país já sente os efeitos do El Niño e que este pode ser um dos eventos mais intensos já registrados.
Exemplos internacionais foram citados para ilustrar como as mudanças climáticas podem alterar o perfil de doenças. A identificação do mosquito Aedes aegypti no Reino Unido e casos de chikungunya na França demonstram a expansão geográfica de vetores de doenças. Na Europa, 35 mil mortes foram associadas a ondas de calor, evidenciando o impacto direto do aumento da temperatura na saúde humana. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o aumento da temperatura também agrava doenças crônicas e pode interromper o funcionamento de unidades de saúde.
Mato Grosso do Sul já vivenciou a pressão sobre o sistema de saúde com a epidemia de chikungunya em Dourados, que exigiu a mobilização da Força Nacional do SUS. A situação levou o município a decretar emergência em saúde pública. O Campo Grande NEWS também ressaltou a importância de considerar os riscos de fogo e fumaça no Cerrado e Pantanal, que afetam a saúde respiratória e causam estresse térmico, além da dificuldade de acesso à água potável em áreas afetadas por queimadas.
Prevenção antes da crise
A diretora do Departamento de Vigilância em Saúde, Agnès Soares, destacou que o reconhecimento da permanência das mudanças climáticas implica em preparar o SUS antes mesmo que as crises se instalem. A estratégia envolve diagnosticar a situação de saúde de cada território, identificar populações vulneráveis e avaliar antecipadamente os possíveis impactos, indo além dos planos de contingência tradicionais.
Agnès Soares ressaltou a necessidade de articulação entre diferentes setores, pois os problemas climáticos envolvem questões ambientais e demandam políticas públicas intersetoriais. O programa AdaptaSUS busca apoiar estados e municípios nessa preparação, utilizando dados sobre saúde e clima para direcionar ações, especialmente às populações mais vulneráveis. O Campo Grande NEWS, ao cobrir notícias locais, frequentemente destaca a importância dessas articulações para a segurança da população de Campo Grande.
Um exemplo prático dessa estratégia, apresentado pelo ministro Padilha, é o cruzamento de previsões de aumento de temperatura com dados históricos de atendimentos. Isso permite antecipar o aumento da procura por serviços de saúde por grupos de risco, como idosos e pessoas com doenças crônicas, possibilitando a gestão antecipada de medicamentos e recursos. O objetivo é garantir que o sistema de saúde esteja preparado para os desafios impostos pelas mudanças climáticas, protegendo a população de Campo Grande e de todo o país.

