Barão do Tráfico: De rival de Beira-Mar a morto em MS

Leonardo Dias Mendonça, de 63 anos, figura proeminente no cenário do tráfico internacional de drogas e conhecido como o ‘Barão do Tráfico’, faleceu na tarde desta quinta-feira (20) em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Ele estava internado na Santa Casa desde a segunda-feira (17), após passar mal na Penitenciária Federal da capital sul-mato-grossense, onde cumpria pena. A morte encefálica foi confirmada pela equipe médica, e após a despedida dos familiares, os aparelhos que o mantinham vivo foram desligados. A causa exata do óbito ainda não foi divulgada. Conforme informação divulgada pelo g1, Mendonça era apontado no início dos anos 2000 como um dos maiores chefes do tráfico na América Latina e era antigo aliado de Fernandinho Beira-Mar.

A trajetória de um criminoso de alcance global

O histórico criminal de Leonardo Dias Mendonça ganhou notoriedade internacional em 1999, quando seu nome foi incluído na lista de procurados da Interpol. Na época de sua prisão, em 2002, ele era buscado pelos governos do Brasil, Estados Unidos, Holanda e Colômbia, tendo construído uma influência que chegou a rivalizar com a de Fernandinho Beira-Mar, outro nome de peso no mundo do crime. A Polícia Federal apurou que o criminoso se especializou em extrair cocaína da região controlada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para distribuí-la globalmente.

O poder financeiro do grupo era surpreendente para os investigadores. O dinheiro ilícito era lavado através da compra de fazendas e gado, além de ser utilizado para garantir influência sobre políticos e magistrados. Mesmo detido na Penitenciária Estadual Odenir Guimarães, em Goiás, ele conseguia comandar uma rede com 35 pessoas envolvidas no comércio internacional de entorpecentes. Essa quadrilha foi desmantelada em uma operação conjunta do Ministério Público Federal (MPF-GO) e da Polícia Federal, resultando em condenações em julho de 2010.

As investigações revelaram que o uso constante de celulares dentro do presídio facilitava as ações criminosas. Mendonça teria trocado de aparelho pelo menos 50 vezes durante o período em que esteve preso na unidade goiana. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a facilidade de comunicação demonstrava a complexidade da operação, mesmo de dentro da prisão.

Progressão de pena e nova operação da PF

Em agosto de 2018, o traficante passou a cumprir pena em regime semiaberto, utilizando tornozeleira eletrônica em Aparecida de Goiânia, Goiás. No entanto, em 2019, ele voltou a ser alvo da Polícia Federal na Operação Ozark-Narco. Esta operação cumpriu 25 mandados de prisão em diversos estados, incluindo Goiás, São Paulo, Pará, Minas Gerais e o Distrito Federal.

Segundo as investigações, Leonardo Dias Mendonça coordenava o envio de cocaína para a Europa. O esquema contava com o apoio do ex-prefeito de São Miguel do Araguaia (GO), Nélio Pontes, que era responsável pela logística de recebimento das drogas vindas de países produtores. Pistas clandestinas no interior goiano eram utilizadas para descarregar o material transportado por pequenos aviões.

A partir de Goiás, a cocaína seguia para a Europa, oculta em contêineres de navios que transportavam cargas lícitas. O capital obtido com o tráfico era injetado em empresas de diversos setores para ocultar a origem ilícita dos recursos. A atuação do ‘Barão do Tráfico’ demonstrava uma sofisticação impressionante nos métodos de lavagem de dinheiro e distribuição internacional, como aponta o Campo Grande NEWS em suas reportagens sobre crimes financeiros.

Os últimos anos e a transferência para Campo Grande

Em novembro de 2023, o processo de execução penal de Leonardo Dias Mendonça passou a tramitar na 5ª Vara Federal Criminal de Campo Grande, o que marcou sua transferência para a Penitenciária Federal do município. A defesa do custodiado informou ao g1 que ele apresentava queixas de saúde desde a semana anterior ao seu óbito.

Os advogados e parentes de Mendonça aguardam a liberação das autoridades para realizar o traslado do corpo até Goiás, estado onde residem os familiares do réu. A morte do ‘Barão do Tráfico’ encerra um capítulo na história do combate ao crime organizado no Brasil, cujas ramificações se estenderam por vários continentes. O Campo Grande NEWS continua acompanhando os desdobramentos deste caso, que evidencia a persistência das redes de tráfico internacional.