Um avião usado por traficantes pousou em uma pista clandestina em Capitán Bado, no Paraguai, próximo à fronteira com Coronel Sapucaia (MS). A aeronave descarregou entorpecentes e conseguiu fugir, mesmo após a interceptação por aviões Super Tucano do Exército paraguaio. Os militares chegaram a efetuar disparos de advertência no ar, mas não obtiveram sucesso em impedir a ação criminosa.
A operação, que ocorreu na região de fronteira, colocou em risco trabalhadores rurais que realizavam a colheita de soja nas proximidades do pouso ilegal. A carga, que seria de cocaína, foi rapidamente recolhida por indivíduos em caminhonetes antes mesmo da chegada das forças terrestres. O incidente levanta novamente discussões sobre a eficácia das ações de combate ao tráfico aéreo na região e a ausência de uma legislação mais rigorosa, como a Lei do Abate, no Paraguai. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, o caso se assemelha a outros recentes na mesma área fronteiriça.
Fuga após pouso em fazenda
Segundo informações divulgadas por autoridades paraguaias, a aeronave realizou um pouso improvisado dentro de uma propriedade rural. Ali, descarregou fardos de droga, com suspeita de ser cocaína. Pouco tempo depois do descarregamento, homens em caminhonetes chegaram ao local, recolheram a carga e deixaram a área rapidamente, antes da chegada das equipes de solo.
A ação criminosa ocorreu a poucos metros de trabalhadores que colhiam soja, expondo essas pessoas a um risco iminente. Durante toda a operação, as aeronaves militares paraguaias sobrevoaram a área, tentando impedir a ação, mas não conseguiram deter o piloto ou evitar a retirada da droga. A falta de meios mais efetivos de interceptação é um ponto crítico levantado pelas forças de segurança.
Casos recentes e a Lei do Abate
O episódio em Capitán Bado acontece poucos dias após um caso semelhante na fronteira. Na semana passada, um avião com matrícula boliviana rompeu o acompanhamento aéreo no Paraguai e pousou em uma fazenda em Porto Murtinho, já em território brasileiro. Essa aeronave foi, posteriormente, parcialmente desmontada e retirada do local por equipes conjuntas da Polícia Federal (PF), Polícia Militar (PM) e Receita Federal.
As autoridades paraguaias seguem na busca pela identificação e localização dos responsáveis pelo recebimento da droga em Capitán Bado. O caso reforça as críticas internas sobre a eficácia da interceptação aérea no Paraguai. Militares apontam que a ausência da chamada Lei do Abate dificulta ações mais contundentes contra aeronaves suspeitas de envolvimento com o tráfico internacional de drogas. A legislação, que permitiria a derrubada de aeronaves não cooperativas, chegou a tramitar na Câmara dos Deputados paraguaia, mas foi vetada, favorecendo, segundo críticos, a atuação de grupos criminosos que utilizam o espaço aéreo para suas atividades ilícitas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a legislação é um ponto sensível no combate ao narcotráfico na região.
Debate sobre controle aéreo
A dificuldade em conter aeronaves envolvidas com o tráfico de drogas no Paraguai é um tema recorrente. A falta de uma legislação que permita ações mais enérgicas, como a derrubada de aeronaves que desobedecem ordens de pouso, é vista como um obstáculo significativo. O espaço aéreo paraguaio é frequentemente utilizado como rota para o transporte de entorpecentes para outros países, incluindo o Brasil.
A capacidade de resposta das forças de segurança aérea tem sido questionada, especialmente diante da audácia dos criminosos, que realizam pousos e descarregamentos em pleno dia, mesmo sob vigilância. O incidente em Capitán Bado, com a fuga do avião traficante, evidencia a necessidade de uma revisão das estratégias e legislações de combate ao crime organizado transnacional. O Campo Grande NEWS acompanha de perto os desdobramentos desta questão na fronteira.
A busca pelos envolvidos e pela carga apreendida continua, enquanto o debate sobre a segurança do espaço aéreo paraguaio ganha mais força. A comunidade internacional e as forças de segurança regionais esperam por medidas mais eficazes para coibir o uso de aeronaves no tráfico de drogas, um problema que afeta diretamente a segurança pública em diversos países. A experiência de outras nações em lidar com o tráfico aéreo é frequentemente citada como exemplo para o Paraguai.

