Um moderno avião-laboratório alemão iniciou uma importante missão sobre os céus do Pantanal de Mato Grosso do Sul. A aeronave está focada em medir as concentrações de dióxido de carbono (CO₂) e metano (CH₄) na atmosfera, gases cruciais para o entendimento do efeito estufa. Esta iniciativa faz parte da campanha científica CoMet 3.0 Tropics, uma colaboração robusta entre Brasil e Alemanha que se estenderá por outros biomas vitais, como a Amazônia e o Cerrado, com projeções de conclusão em meados de setembro.
Pantanal é palco de pesquisa climática inédita
A campanha científica CoMet 3.0 Tropics reúne cerca de 120 pesquisadores de renome, oriundos de instituições brasileiras e alemãs. A coordenação no Brasil está sob a responsabilidade do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, com a liderança do pesquisador Dirceu Herdies. Do lado alemão, o cientista Andreas Fix, do DLR (Centro Aeroespacial Alemão), comanda os esforços. A missão tem o objetivo de coletar medições inéditas dos fluxos e concentrações atmosféricas de carbono e metano em regiões tropicais úmidas.
Esses dados são fundamentais para aprimorar sistemas de observação terrestre e por satélite, reduzir incertezas em modelos climáticos globais e regionais, validar informações de satélites e calibrar instrumentos científicos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a operação visa obter um panorama detalhado sobre a emissão desses gases em ecossistemas sensíveis.
Foco em metano nas áreas alagadas do Pantanal
Cada bioma estudado na campanha CoMet 3.0 Tropics tem um propósito específico. No Pantanal, a atenção se volta para a medição das emissões de metano provenientes das extensas áreas alagadas. Este gás, vale ressaltar, possui um potencial de aquecimento global significativamente maior que o do dióxido de carbono. A compreensão dessas emissões é vital para a formulação de estratégicas de mitigação climática.
Na Amazônia, os estudos concentram-se em desvendar o balanço de carbono da floresta, um ecossistema de importância global. Já no Cerrado, o foco recai sobre as emissões resultantes das queimadas, um desafio recorrente para o bioma. O professor Luiz Machado, do Instituto de Física da USP e pesquisador do ATTO, explicou a importância da missão: “O avião vai voar sobre o Pantanal para verificar as emissões de metano das regiões alagadas. A Amazônia é extremamente importante para conhecermos o balanço de carbono. No Cerrado, nosso foco são as emissões das queimadas”, conforme divulgado pela fonte.
Tecnologia de ponta a laser para medições precisas
A aeronave utilizada na campanha é um Gulfstream G550 adaptado para pesquisa, conhecido como HALO (High Altitude and Long Range Research Aircraft). Este modelo é capaz de operar em altitudes que variam de 850 metros a impressionantes 15 mil metros, próximo ao limite da troposfera. Essa capacidade permite a coleta de dados atmosféricos em diversas camadas da atmosfera com alta precisão.
Equipado com um sistema Lidar (Light Detection and Ranging), o avião emite pulsos de laser para medir com exatidão as concentrações de CO₂ e metano. Além disso, a aeronave carrega instrumentos de sensoriamento remoto dedicados a medições atmosféricas, capazes de identificar gases de efeito estufa e outros traçadores que ajudam a caracterizar massas de ar. A tecnologia embarcada garante a qualidade e a confiabilidade dos dados coletados, conforme o Campo Grande NEWS apurou.
Missão com base em Cuiabá e voos estratégicos
O avião chegou ao Brasil em 25 de julho, pousando em Fortaleza (CE). Após as devidas inspeções pelas autoridades brasileiras e o embarque dos pesquisadores nacionais, a missão científica teve início. Durante o deslocamento entre Fortaleza e Cuiabá, a equipe aproveitou para realizar sobrevoos na represa da Usina Hidrelétrica Serra da Mesa, em Minaçu (GO). Essa área foi escolhida por ser um importante ponto de emissão natural de metano, devido à decomposição de matéria orgânica em reservatórios com vegetação submersa.
A campanha CoMet 3.0 Tropics prevê a realização de aproximadamente 15 voos científicos até meados de setembro. Cada missão pode durar até 10 horas, aproveitando a autonomia da aeronave. Os voos são realizados em diferentes horários, diurnos e noturnos, alinhados aos objetivos científicos de cada etapa. Estão previstos até três voos por semana, considerando as necessidades operacionais e de descanso das tripulações. As informações coletadas serão cruciais para ampliar o conhecimento sobre os gases de efeito estufa em três dos mais importantes biomas brasileiros, contribuindo significativamente para os estudos sobre mudanças climáticas. A atuação da campanha abrange uma vasta área do território brasileiro, incluindo Corumbá (MS), Palmas (TO), Santarém (PA), a Torre Alta da Amazônia (ATTO) e Porto Velho (RO), demonstrando o alcance e a abrangência do projeto, como detalhado pelo Campo Grande NEWS.

