Buritizal na BR-163 vira santuário de araras-canindé
Em um cenário onde o concreto e a terra vermelha das obras de duplicação da BR-163 avançam, um oásis de vida silvestre se mantém intacto. Próximo ao município de Bandeirantes, a cerca de 70 km de Campo Grande, um buritizal alagado transformou-se em um vibrante berçário para araras-canindé. A cena, capturada por imagens aéreas com drone, revela a beleza da natureza coexistindo surpreendentemente com o progresso da infraestrutura rodoviária.
As impressionantes imagens, registradas pelo cinegrafista Jairton Bezerra, mostram um espelho d’água que reflete o céu, com os buritis erguendo-se majestosamente da paisagem alagada. No topo dessas palmeiras, araras-canindé, com suas cores vibrantes de azul e amarelo, encontram um ponto de encontro, descanso e, principalmente, reprodução. O local, que permanece alagado durante grande parte do ano, serve há muitos anos como um refúgio seguro para a fauna local.
A preservação deste ecossistema chamou a atenção de Jairton, que inicialmente temia o impacto das obras de duplicação. No entanto, o que ele presenciou foi o oposto: uma área de nidificação protegida. Conforme relatado por ele, a concessionária responsável pela obra optou por realizar a duplicação do outro lado da pista, deixando o trecho com os ninhos intocado. “Do lado que tem os ninhos eles não fizeram a pista. Acabaram fazendo a duplicação do outro lado e preservaram aquela área”, explicou.
Preservação em meio à obra
A Motiva Pantanal, concessionária responsável pela BR-163 no Mato Grosso do Sul, confirmou que as obras entre os quilômetros 537 e 538 estão em conformidade com todos os procedimentos exigidos pelo licenciamento ambiental. A empresa assegura que um monitoramento técnico especializado é realizado para garantir a proteção da fauna e da flora local durante todo o processo de duplicação.
Segundo a Motiva Pantanal, antes de qualquer intervenção, são conduzidos levantamentos ambientais detalhados. Estes estudos visam identificar a presença de ninhos ativos, cavidades naturais e as diversas espécies que habitam as áreas que serão diretamente afetadas. Quando necessário, medidas de resgate e monitoramento, conforme previsto nos programas ambientais, são implementadas para minimizar qualquer impacto negativo.
O Instituto Arara Azul também foi contatado e informou que irá verificar a situação do buritizal. Apesar de os ninhos encontrados não estarem atualmente em seu mapeamento oficial de áreas monitoradas, a instituição demonstra interesse em acompanhar e, se possível, colaborar com a preservação dessas aves.
Um refúgio alagado e protegido
A particularidade deste buritizal reside em seu estado alagado, uma condição que, paradoxalmente, contribui para sua proteção e para a escolha do local pelas araras-canindé como área de reprodução. A água forma uma barreira natural, dificultando o acesso de predadores terrestres e oferecendo um ambiente seguro para a incubação dos ovos e o desenvolvimento dos filhotes.
Imagens aéreas capturadas pelo cinegrafista Jairton Bezerra revelam a beleza do local, com o espelho d’água servindo de cenário idílico para as aves. Em um dos registros, duas araras trocam afetuosas carícias de bico, enquanto outra dupla descansa serenamente em uma palmeira próxima. A cena contrasta fortemente com o vermelho da terra movimentada pelas máquinas e o cinza do novo asfalto, evidenciando a coexistência possível entre desenvolvimento e conservação.
O fato de a obra de duplicação ter contornado essa área específica demonstra um planejamento ambiental que, neste caso, foi bem-sucedido. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a concessionária atuou para preservar o habitat, o que reforça a importância do monitoramento e do cumprimento das licenças ambientais. A preservação deste buritizal é um exemplo de como projetos de infraestrutura podem ser adaptados para coexistir com a rica biodiversidade brasileira.
A importância da preservação para a fauna
A presença de um berçário de araras-canindé em uma área tão próxima a uma obra de grande porte como a duplicação da BR-163 ressalta a importância de práticas ambientais rigorosas. O trabalho da Motiva Pantanal, ao seguir o licenciamento ambiental e realizar monitoramentos especializados, é crucial para garantir que o avanço da infraestrutura não comprometa a sobrevivência de espécies ameaçadas ou de áreas sensíveis como esta.
O Instituto Arara Azul, mesmo com os ninhos não constando em seu mapeamento atual, manifestou interesse em investigar a situação, o que demonstra a colaboração entre órgãos ambientais e empresas. Essa sinergia é fundamental para a proteção da fauna brasileira, especialmente em regiões de intenso desenvolvimento econômico e rodoviário. O Campo Grande NEWS acompanhou a repercussão do caso e destaca a importância da conscientização ambiental.
O caso do buritizal na BR-163 serve como um lembrete de que a natureza, mesmo em ambientes transformados pela ação humana, encontra formas de resistir e prosperar. A preservação deste espaço, onde as araras-canindé encontram segurança para se reproduzir, é uma vitória para a biodiversidade e um testemunho de que é possível conciliar progresso e conservação. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando os desdobramentos e a importância de iniciativas como essa para o futuro da fauna local.

