Arara-canindé resgatada em rodovia de Campo Grande volta a voar após ajuda de casal

Um ato de compaixão e atenção chamou a atenção nas redes sociais em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Um casal, em meio a um trajeto pela rodovia, se deparou com uma cena preocupante: uma arara-canindé, símbolo do Pantanal, caída próximo à pista, visivelmente desorientada após, possivelmente, ter sido atingida por um veículo. Temendo pela segurança da ave, eles intervieram, resgatando-a e garantindo seu retorno à liberdade. O caso, que repercutiu amplamente, levanta a discussão sobre como agir corretamente ao encontrar animais silvestres em perigo. Conforme informação divulgada pelo Campo Grande News, a influenciadora Gabriella Conde e seu marido foram os protagonistas desta ação.

A cena, que poderia ter tido um desfecho trágico, ocorreu no último sábado (12). A arara-canindé, com sua plumagem vibrante, estava em uma situação de extremo risco na rodovia. O casal, ao perceber o perigo iminente de novos atropelamentos, tomou a iniciativa de parar o carro e retirar o animal da pista. O momento foi registrado e compartilhado, gerando uma onda de admiração e também questionamentos sobre o procedimento adotado.

O resgate e a recuperação inesperada

Gabriella Conde relatou ao Campo Grande News que a ave parecia bastante abatida e confusa. “Ela estava bem tonta, ficou quietinha no meu colo. A gente acreditava que pudesse ter sido atingida por uma carreta ou algum outro veículo. Ficamos preocupados porque ela estava no meio da rodovia”, contou a influenciadora. A intenção inicial era encaminhar a arara para o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras).

No entanto, durante o trajeto, uma reviravolta aconteceu. A arara começou a mostrar sinais de recuperação. Ela demonstrou mais vivacidade, abriu as asas e indicou que estava recuperando seus movimentos e força. Essa melhora inesperada levou o casal a tomar uma nova decisão.

“Ela acordou e começou a abrir as asas. Tivemos que descer ela do carro para não se machucar. Quando tentamos pegar novamente, ela já estava bem e avançou. Colocamos ela mais para dentro da vegetação e ela logo voou”, explicou Gabriella. A soltura da ave, após sua recuperação aparente, gerou dúvidas entre os seguidores sobre a conduta correta a ser seguida.

Especialistas orientam: o que fazer em caso de resgate de fauna silvestre

Para esclarecer as dúvidas e reforçar os procedimentos adequados, a reportagem conversou com a bióloga Larissa Tinoco, doutora em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional e pesquisadora do Instituto Arara Azul. Segundo ela, a primeira atitude em situações como essa é sempre **retirar o animal da área de risco**, como uma rodovia, e buscar orientação especializada.

“O ideal é tirar o animal da rodovia, ligar e pedir orientação. Caso não consiga, pode levar até o primeiro posto da Polícia Rodoviária Federal. Se estiver perto da cidade e for possível, também pode encaminhar ao Cras”, explicou a bióloga. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a orientação é fundamental para garantir a segurança do animal e das pessoas.

Larissa Tinoco avaliou que, no caso específico da arara resgatada em Campo Grande, a decisão do casal foi **adequada dada a rápida recuperação da ave**. “Eles perceberam que ela estava melhorando e retomando a capacidade de voo. Neste caso, a soltura foi correta. Mas nem todo mundo consegue fazer essa avaliação. Por isso, sempre que houver dúvida, o ideal é buscar orientação especializada”, ressaltou.

A especialista enfatiza a importância de observar sinais que indiquem a necessidade de intervenção profissional. **Sangramentos, ferimentos aparentes ou suspeita de fraturas** são indicativos claros de que o animal precisa de resgate e atendimento especializado. É crucial entender que o papel do público é, em muitos casos, o de auxiliar no transporte seguro até os órgãos competentes.

A importância dos órgãos competentes e o que NUNCA fazer

É comum haver confusão sobre quem são os responsáveis pelo resgate e atendimento de animais silvestres. A bióloga esclarece que, embora o Cras seja o local de reabilitação, a **Polícia Militar Ambiental (PMA)** é quem geralmente realiza o recolhimento. “O Cras não faz recolhimento. Quem realiza esse trabalho é a PMA. O Cras recebe os animais para atendimento. Nós, do Instituto Arara Azul, também podemos orientar e ajudar a analisar a situação para indicar qual é o melhor procedimento”, detalhou.

A recomendação mais enfática e importante, segundo a pesquisadora, é: **jamais leve um animal silvestre para casa**. Essa prática, além de ser inadequada, pode colocar em risco tanto o animal quanto as pessoas. “O que não pode ser feito de jeito nenhum é levar um animal silvestre para casa. Em caso de dúvida, a orientação é procurar os órgãos responsáveis ou pedir orientação especializada”, reforçou a especialista. O Campo Grande NEWS reitera a importância de seguir estas orientações para a proteção da fauna.

Gabriella Conde, que cresceu em uma fazenda e tem familiaridade com a fauna local, descreveu sua ação como instintiva. “Minha família sempre ensinou a cuidar e amar os animais. Acho que quem cresce em Mato Grosso do Sul aprende desde cedo a respeitar esses bichinhos. Quando vimos a arara naquela situação, não pensamos duas vezes em parar”, afirmou. A atitude do casal serve de exemplo, mas reforça a necessidade de conhecimento sobre os procedimentos corretos para auxiliar a vida selvagem em nosso estado.