Anta atropelada pode ser eutanasiada após perder movimentos das patas traseiras

Anta atropelada em Campo Grande corre risco de eutanásia após perda de movimentos

Um grave acidente envolvendo uma anta no início da noite desta terça-feira (11), na região do Parque dos Poderes, em Campo Grande, deixou o animal em estado crítico. Atropelada em frente ao Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, a anta perdeu completamente os movimentos das patas traseiras e agora sua vida corre risco. Veterinários avaliam a possibilidade de eutanásia caso o animal não apresente sinais de recuperação nas próximas 24 horas.

O incidente chocou os presentes e mobilizou equipes de resgate. O médico-veterinário Marcelo Mathias, que participou do atendimento emergencial, confirmou a gravidade da situação. Segundo ele, há uma suspeita de lesão na coluna do animal, o que explicaria a paralisia dos membros posteriores. A notícia foi divulgada pelo Campo Grande NEWS, que acompanhou de perto os desdobramentos do caso.

A anta recebeu os primeiros socorros ainda no local e foi rapidamente transportada para o Aquário Natural, onde recebeu medicamentos para alívio da dor e para minimizar os efeitos do trauma. A equipe veterinária agora monitora de perto a evolução do quadro clínico, na esperança de que haja alguma resposta aos estímulos.

A luta pela vida da anta em Campo Grande

O atropelamento ocorreu em um trecho da via próximo à saída da cidade, uma área conhecida pela presença de fauna silvestre. Ao chegar ao local, chamado pela Polícia Militar Ambiental (PMA), o veterinário Marcelo Mathias constatou a gravidade da situação. “Vi que o animal estava com a parte de trás, os membros, sem se mover. Tinha tido uma lesão possivelmente de coluna”, relatou Mathias ao Campo Grande NEWS.

Uma força-tarefa foi montada para retirar a anta da pista com segurança e acomodá-la em uma viatura da PMA. O transporte ágil foi crucial para que o animal recebesse atendimento emergencial o mais rápido possível no Aquário Natural. “Juntou uma equipe de pessoas, colocamos o animal em cima da viatura e encaminhamos até o Aquário”, explicou o veterinário.

No Aquário Natural, a anta recebeu uma dose de medicamentos essenciais. O foco principal foi o controle da dor intensa e o tratamento do trauma. A equipe veterinária está focada em avaliar se a lesão na coluna é definitiva ou se há chances de recuperação dos movimentos. O futuro do animal depende dessa avaliação nas próximas horas.

24 horas decisivas para a recuperação da anta

O período de 24 horas a partir do atendimento emergencial é crucial para determinar o destino da anta. Profissionais realizarão testes de sensibilidade nas patas traseiras do animal. O objetivo é verificar se há alguma resposta a estímulos, como picadas, indicando se a sensibilidade foi perdida permanentemente. “A gente faz um teste de agulha nos pezinhos, vê se ela vai responder, se tem sensibilidade”, detalhou Mathias.

Caso haja sensibilidade, a esperança é que a anta possa ser encaminhada ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) para um tratamento mais prolongado e com estrutura adequada. “Tendo sensibilidade, a gente segue o tratamento para ver se ela vai voltar a andar”, disse o veterinário. O CRAS possui equipamentos como raio-x e recintos apropriados para a recuperação de animais de grande porte.

Eutanásia como último recurso

Por outro lado, se os testes de sensibilidade não apresentarem qualquer resposta, a eutanásia se torna uma possibilidade real. A decisão, embora difícil, é baseada na impossibilidade de garantir qualidade de vida para um animal de grande porte e peso que perde a capacidade de locomoção. “São animais extremamente fortes, muito pesados. Não tem como fazer uma cadeirinha de rodas. Eles formam escara muito fácil”, justificou Mathias.

O procedimento de eutanásia só será considerado em casos de lesão irreversível na coluna, quando não há prognóstico de recuperação. “Se depois de 24 horas o animal não apresenta nenhum tipo de sensibilidade, infelizmente a gente opta pela eutanásia. Nesses casos em que a coluna é seccionada, a gente tem que praticar a eutanásia”, afirmou o veterinário.

A equipe do Campo Grande NEWS continuará acompanhando o caso e trará atualizações sobre o estado de saúde da anta e a decisão final dos veterinários. A situação reforça a importância da atenção e do respeito à fauna silvestre em áreas urbanas e de transição.