Amigurumi: a fofura que une gerações em oficina de Campo Grande

A arte de criar bonecos de crochê, conhecida como amigurumi, celebrou seu dia especial com uma oficina encantadora em Campo Grande. A técnica japonesa, que resulta em peças incrivelmente fofas, reuniu um público diversificado, desde crianças a adultos, unidos pela paixão por esses adoráveis bichinhos. A iniciativa, que comemora o Dia Internacional do Amigurumi, destaca os múltiplos benefícios dessa prática, que vai muito além do artesanato.

A oficina, realizada em uma casa de aviamentos, foi ministrada por Rubya Laura de Jesus, 35 anos, artesã dedicada ao amigurumi há quatro anos. Ela compartilha seus conhecimentos há um ano e três meses, incentivando cada vez mais pessoas a descobrirem o prazer de criar com as próprias mãos. Rubya ressalta o impacto positivo da técnica em sua vida, especialmente no bem-estar psicológico.

Benefícios que vão além da fofura

“Muda totalmente a vida. Além de trabalhar muito o psicológico, melhora a concentração”, afirma Rubya Laura. A artesã observa que muitos pais buscam o amigurumi para seus filhos justamente por esses benefícios. A concentração exigida na confecção das peças, o desenvolvimento da coordenação motora fina e a paciência são aspectos importantes para o crescimento e o aprendizado das crianças. “A quantidade de criança é bem grande por conta disso, é bem legal amigurumi”, completa.

A arte do amigurumi tem se tornado um elo familiar em Campo Grande. Alice Talisie, de apenas nove anos, já é uma amigurumeira habilidosa e apaixonada por artesanatos. Seu interesse surgiu naturalmente, pois o artesanato sempre esteve presente em sua família. “O artesanato sempre esteve na minha família. Eu achei incrível e hoje já aprendi”, compartilha Alice.

A pequena artesã tem seus favoritos na hora de criar: as capivaras. O incentivo para Alice é uma tradição que atravessa gerações. Sua mãe também se inspirou na própria mãe para ingressar no mundo do artesanato, demonstrando que a paixão por criar peças manuais corre nas veias da família. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa herança criativa é um dos pilares para a disseminação da técnica na região.

Herança e aprendizado compartilhado

Tatiane Cardoso, 40 anos, professora de ensino fundamental, conta que foi sua mãe quem a incentivou a aprender a tricotar, assim como fez com suas filhas. “Minha mãe nos incentivou a fazer porque ela já sabia. Então, quando a gente era criança, a gente começou a aprender com a nossa vizinha. Ela [a mãe] ia trabalhar e deixava a gente com a vizinha pra fazer”, relembra.

Tatiane vê com alegria a paixão da filha pelo amigurumi e ressalta os ganhos para o desenvolvimento infantil. “Tiram eles da tela, eles aprendem, ela aprende o tempo, ter paciência, melhora o cognitivo, a criatividade”, destaca, evidenciando como o artesanato se torna uma ferramenta poderosa contra o uso excessivo de telas.

Desafios e satisfação

Nem sempre o caminho é fácil, mas a recompensa é gratificante. Sara Costa, 11 anos, buscou um curso para aprimorar suas habilidades no amigurumi. Ela começou com tapetes de crochê e agora se dedica à confecção de seus próprios bichinhos. “Eu gosto que eles ficam muito fofinhos e você pode falar que você que fez”, conta orgulhosa.

Sara explica que a dificuldade dos projetos varia. “Depende do bichinho, se ele for muito grande pode dar um pouquinho, mas se ele for menorzinho não”, detalha. A conquista de finalizar uma peça, especialmente as mais elaboradas, traz um sentimento único de realização para a jovem artesã.

As “receitas” dos amigurumis

Para quem se aventura no mundo do amigurumi, cada peça segue uma espécie de “receita”. Jenifer Gonçalves, 40 anos, vendedora de cosméticos, explica que essas receitas são guias com passos detalhados para a criação dos bonecos. “Por exemplo, eu só faço o personagem já pronto. Eu ainda não faço a receita. Igual a receita de bolo que tem que seguir um passo a passo, é a mesma coisa. Então, eu prefiro comprar”, diz.

Existem muitas receitas gratuitas disponíveis, especialmente no Instagram, mas modelos mais detalhados ou complexos são comercializados. Jenifer prefere adquirir receitas pagas por oferecerem um padrão pronto e explicativo, muitas vezes acompanhado de vídeos que facilitam o aprendizado. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa praticidade na obtenção de moldes é um fator importante para muitos iniciantes, como Jenifer.

A oficina em Campo Grande não apenas celebrou o Dia Internacional do Amigurumi, mas também reforçou o poder da arte em conectar pessoas, gerar aprendizado e promover bem-estar. A técnica, que une tradição e criatividade, continua a encantar e a inspirar novas gerações, provando que a fofura dos amigurumis tem o poder de unir pessoas de todas as idades.