Após o cancelamento do desfile de aniversário de Campo Grande em 26 de agosto, devido ao mau tempo, ambulantes viram no feriado de 7 de Setembro uma nova chance de recuperar as vendas. A celebração da Independência atraiu cerca de 10 mil pessoas ao Centro da cidade, representando um alívio financeiro para muitos trabalhadores autônomos. No entanto, a recuperação não foi uniforme, com alguns vendedores registrando bons resultados e outros enfrentando dificuldades com o clima e as sobras de mercadoria. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, o movimento nos estabelecimentos físicos foi limitado, concentrando o fluxo econômico nas ruas.
O público presente, estimado em pelo menos 10 mil pessoas, trouxe um respiro para aqueles que conseguiram capitalizar com a data. Embora a demanda não tenha atingido as expectativas de todos, o dia representou uma oportunidade valiosa após o frustrante cancelamento do evento de agosto. A reportagem do Campo Grande NEWS conversou com alguns desses trabalhadores, que compartilharam suas experiências e expectativas.
A vendedora de água de coco, Suelene Miranda, de 59 anos, celebrou o sucesso do feriado. Ela informou ter vendido cerca de 20 cocos, afirmando que o dia estava “recompensando”. Suelene, que trabalha nas ruas há mais de 20 anos, havia preparado mercadoria para o desfile de aniversário da cidade, mas com o cancelamento, precisou vender o produto no dia seguinte, o que gerou sentimento de frustração. Desta vez, a avaliação era positiva: “Está bom. Tem bastante gente hoje”, disse ao Campo Grande NEWS.
Recuperação e prejuízos no dia a dia do ambulante
Para o vendedor de churros, Aparecido Cavalhere, de 77 anos, o 7 de Setembro foi uma chance de mitigar o prejuízo sofrido em agosto. Ele lamentou a perda da mercadoria que havia preparado para o desfile cancelado, mas demonstrou resiliência: “Perdi. Infelizmente perdi. Mas trabalhar na rua é isso aí, e sou feliz mesmo assim”, declarou.
Apesar da oportunidade, a preocupação com as sobras ainda pairava. Aparecido, acostumado a preparar de cinco a seis receitas de massa, o que resultaria em cerca de 150 a 180 churros, levou para o evento o equivalente a 90 unidades. Ele esperava ainda vender parte da produção ao final do dia.
Estreias e apostas no clima
O vendedor de pipoca, Aroldo Toledo, de 47 anos, comemorava sua primeira experiência de trabalho em um desfile de 7 de Setembro. Próximo ao encerramento, ele estimava ter vendido pouco mais de cem pipocas e acreditava que a saída do público ainda renderia boas vendas. “Está bom. Está vendendo bem. Agora está quase acabando o desfile, mas acho que mais meia hora dá para vender legal ainda”, comentou.
Já Cícero Firmino da Silva, de 62 anos, teve as vendas diretamente afetadas pelo clima. Ele vendia guarda-chuvas e sombrinhas a R$ 25, na expectativa de que o calor levasse o público a procurar proteção solar. No entanto, a manhã fria frustrou suas expectativas. “A venda caiu muito. Mas a gente está acreditando que, daqui até terminar esse desfile, vai esquentar ainda e o povo vai comprar”, afirmou.
Cícero, que trabalha nas ruas há 38 anos e participa de praticamente todos os desfiles de 7 de Setembro, também vende travesseiros e outros produtos em dias comuns. A reportagem do Campo Grande NEWS apurou que, para muitos, a esperança reside na capacidade de adaptação e na busca por novas oportunidades.
Novos vendedores e movimento limitado no comércio
Estudantes Larissa Vieira, 16 anos, e Beatriz Nascimento, 13, estrearam vendendo brownies, paçoca e bolacha. Acostumadas a vender em competições no Parque Ayrton Senna, elas vieram do Bairro Tijuca para o Centro na esperança de aproveitar o público. Até o momento da entrevista, as vendas estavam paradas, mas as adolescentes consideravam a experiência positiva, pois além de trabalhar, puderam assistir ao desfile pela primeira vez.
Em contraste com o movimento nas ruas, o comércio em estabelecimentos físicos da região teve um desempenho limitado. Conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS, apesar da presença de espectadores, as vendas em lojas não foram expressivas. Lucas Alves Silva, 26 anos, dono de um restaurante, conseguiu aproveitar a procura por café e salgados, mas as vendas ficaram abaixo do esperado. Mesmo assim, ele considerou vantajoso abrir o estabelecimento e esperava movimento no almoço após as apresentações.

