Um movimento articulado por um aliado da prefeita Adriane Lopes, o vereador Beto Avelar (PP), promete abalar as estruturas da fiscalização legislativa em Campo Grande. Avelar anunciou que apresentará uma proposta para alterar o regimento interno da Câmara Municipal, medida que, segundo críticos, praticamente inviabilizaria o poder de fiscalizar órgãos públicos na cidade. A iniciativa já gera forte oposição e acusações de que busca blindar a gestão municipal.
Regimento Interno em Duelo: Fiscalização sob Ameaça
A proposta de Beto Avelar visa impor uma nova condição para que vereadores possam fiscalizar órgãos públicos: a necessidade de autorização prévia de um colegiado. Essa exigência, justificada pelo parlamentar com base em um acórdão do ministro do STF, Flávio Dino, que determinaria que fiscalizações necessitam de chancela coletiva, levanta sérias preocupações sobre o futuro da atuação fiscalizatória do legislativo municipal. A medida, se aprovada, pode criar um entrave burocrático significativo, dificultando ou até impedindo ações importantes de controle.
A Justificativa de Avelar e o Acórdão do STF
Beto Avelar argumenta que a mudança se baseia em uma interpretação da hierarquia das leis. Ele afirmou que, “mesmo que haja lei municipal autorizando um vereador a fiscalizar, a decisão diz que só pode fazer após autorização de um colegiado”. Essa interpretação, no entanto, é contestada por outros parlamentares, que a veem como uma tentativa de restringir o poder fiscalizatório inerente ao cargo de vereador. A forma como o acórdão do STF é apresentado e aplicado à realidade municipal é o cerne do debate, com acusações de que a medida seria uma manobra política.
A iniciativa de Avelar surge em um momento delicado para a administração municipal, e muitos enxergam a proposta como uma forma de **proteger a prefeita Adriane Lopes** de questionamentos e investigações. A alegação de que a fiscalização precisa de autorização colegiada, especialmente em casos urgentes ou fora do horário de expediente, é vista como um ponto fraco da argumentação. O cenário político em Campo Grande se torna mais tenso com essa disputa de poder.
Reação e Críticas: Maicon Nogueira Lança Alerta
Um dos vereadores mais vocais na fiscalização da atual gestão, Maicon Nogueira (PP), expressou profunda indignação com a proposta de Beto Avelar. Nogueira, que frequentemente inspeciona unidades de saúde e escolas, classificou a medida como “agressiva” e capaz de “inviabilizar o trabalho de um vereador”. Ele questionou a lógica por trás da exigência de autorização dos colegas para ações de fiscalização, especialmente quando se trata de demandas urgentes da população.
“Um vereador que precisa ir a uma escola, posto de saúde, vai precisar de uma autorização dos colegas?”, indagou Nogueira, visivelmente descontente. Ele ressaltou o impacto negativo que tal mudança teria na agilidade e eficácia do trabalho legislativo, que muitas vezes depende de ações rápidas para atender a denúncias e problemas pontuais. A proposta, segundo ele, desvirtua o papel do vereador perante a sociedade.
Maicon Nogueira exemplificou a dificuldade prática da proposta: “Se for final de semana [quando a Câmara está fechada] se alguém acionar um vereador para denunciar falta de médico em um plantão, eu vou dizer: ‘olha, não dá, me desculpe, mas eu não posso'”. Essa fala demonstra a preocupação com a perda de autonomia e a incapacidade de responder prontamente às necessidades dos cidadãos, algo que, conforme o Campo Grande NEWS checou, é fundamental para a representatividade no legislativo.
Cassaçã e Conflito de Interesses: A Vingança de Avelar?
Em um movimento que intensifica o clima de conflito, Beto Avelar também apresentou uma representação ao Conselho de Ética da Câmara, solicitando a punição ou até mesmo a cassação do mandato de Maicon Nogueira. A ação se baseia em uma postagem de Nogueira nas redes sociais que, segundo Avelar, sugere seu envolvimento em um esquema de corrupção relacionado à operação “Buraco sem Fim”. Essa representação pode ser vista como uma retaliação direta às críticas de Nogueira, levantando suspeitas sobre os verdadeiros motivos por trás da proposta de alteração regimental.
A atitude de Avelar, que busca punir um colega por acusações em redes sociais, enquanto propõe uma medida que restringe a fiscalização, levanta questionamentos sobre suas intenções. O Campo Grande NEWS apurou que a operação “Buraco sem Fim” investiga irregularidades em obras públicas, e qualquer associação a ela pode ter sérias consequências políticas. A vinculação de Avelar a Adriane Lopes, ambos do PP, sugere uma articulação política complexa em Campo Grande.
A situação expõe uma disputa interna no legislativo municipal, onde a fiscalização de atos públicos se torna um campo de batalha. A população de Campo Grande acompanha atentamente os desdobramentos, pois o poder de fiscalização dos vereadores é um pilar essencial da democracia e da transparência na gestão pública. O futuro da fiscalização em Campo Grande está em jogo, e a comunidade espera que os representantes atuem em prol do interesse público, como tem sido o foco do trabalho do Campo Grande NEWS em informar os cidadãos sobre os acontecimentos locais.

