Alerta do Ministério da Saúde: Copa 2026 pode trazer sarampo ao Brasil

O Ministério da Saúde emitiu um alerta urgente sobre o risco iminente de reintrodução e disseminação do sarampo no Brasil. O aumento do fluxo de viajantes para a Copa do Mundo de 2026, que será sediada nos Estados Unidos, Canadá e México, acende o sinal vermelho, uma vez que esses países enfrentam surtos ativos da doença. A nota técnica aponta para um cenário de alta transmissibilidade nas Américas e um grande número de brasileiros com destino a essas nações, além de outros locais com surtos ativos, o que pode facilitar a chegada do vírus ao país.

Conforme informações divulgadas pelo Ministério da Saúde, existe um risco iminente de reintrodução do sarampo no Brasil após o retorno desses viajantes ou pela chegada de estrangeiros infectados. Para mitigar essa ameaça, o documento reforça a importância da vacinação oportuna de viajantes e da vigilância sensível dos serviços de saúde, consideradas as únicas estratégias eficazes para evitar um novo surto. O Brasil busca manter seu status de país livre da circulação endêmica do vírus do sarampo, conquistado em 2024.

A Copa do Mundo de 2026 ocorrerá entre 11 de junho e 19 de julho, com jogos em cidades dos Estados Unidos, México e Canadá. Espera-se a participação de milhões de pessoas, incluindo um considerável número de viajantes internacionais. Eventos dessa magnitude promovem grande mobilidade populacional e intensa circulação de pessoas entre países, o que, segundo o ministério, pode favorecer a disseminação de doenças transmissíveis como o sarampo.

Sarampo nas Américas: um alerta crescente

O sarampo é definido pelo Ministério da Saúde como uma doença viral infecciosa aguda, altamente contagiosa e potencialmente grave. Sua transmissão ocorre principalmente por via aérea, através de gotículas respiratórias expelidas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. O vírus se espalha rapidamente em ambientes com grande concentração de pessoas. Globalmente, a doença persiste com surtos em todos os continentes, e em 2025 foram confirmados 248.394 casos mundialmente, evidenciando que a circulação viral continua sendo uma ameaça crítica à saúde pública.

O cenário nas Américas é particularmente preocupante, com um aumento expressivo na incidência da doença. O Canadá, por exemplo, registrou 5.062 casos em 2025, perdendo a certificação de país livre de sarampo, e manteve 124 casos em 2026, indicando circulação endêmica. O México passou de sete casos em 2024 para 6.152 em 2025 e 1.190 em janeiro de 2026. Os Estados Unidos notificaram 2.144 casos em 2025 e 721 em janeiro de 2026. Todos os três países-sede da Copa 2026 enfrentam surtos ativos, o que levou à perda do status da região das Américas como zona livre de transmissão endêmica em novembro de 2025.

Brasil mantém status de livre, mas com ressalvas

Apesar do cenário regional adverso, o Brasil mantém o status de país livre da circulação endêmica do sarampo. No entanto, em 2025, o país registrou 3.952 casos suspeitos, dos quais 38 foram confirmados. Desses, dez foram importados, 25 relacionados à importação e três com fonte de infecção desconhecida. Um dado alarmante é que 94,7% dos casos confirmados em 2025 ocorreram em pessoas sem histórico vacinal, conforme destacou o ministério. Em 2026, até meados de março, foram confirmados dois casos em não vacinados, um em São Paulo com histórico de viagem à Bolívia, e outro no Rio de Janeiro em investigação.

O Ministério da Saúde ressalta que o cenário epidemiológico atual reforça a vulnerabilidade do Brasil à reintrodução do vírus. A combinação de surtos ativos em países vizinhos, o fluxo contínuo de viajantes, a existência de brasileiros não vacinados e a confirmação de casos importados elevam o risco de ocorrência de casos e surtos de sarampo. Essa vulnerabilidade é um ponto de atenção constante, conforme o Campo Grande NEWS checou em suas análises de saúde pública.

Vacinação: a principal arma contra o sarampo

A vacinação é a medida mais eficaz para prevenir e controlar o sarampo. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) oferece gratuitamente as vacinas tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela). Em 2025, a cobertura da primeira dose (D1) no Brasil atingiu 92,66%, próxima da meta de 95%. Contudo, a cobertura da segunda dose (D2) ficou em 78,02%, com uma homogeneidade de 35,24%, indicando que ainda há uma parcela significativa da população sem o esquema vacinal completo. Essa lacuna aumenta o risco de reintrodução do vírus, especialmente com o retorno de viajantes infectados ou a chegada de estrangeiros. A cobertura vacinal é um tema de constante análise pelo Campo Grande NEWS, que acompanha os índices e as estratégias de saúde.

Para viajantes internacionais, a orientação é clara: verificar o cartão de vacina e procurar uma unidade de saúde para atualizar o esquema vacinal contra o sarampo antes da viagem. As recomendações variam conforme a faixa etária: crianças de 6 a 11 meses e 29 dias devem tomar a dose zero com, no mínimo, 15 dias de antecedência. Pessoas de 12 meses a 29 anos que necessitam do esquema completo de duas doses devem planejar a primeira dose com pelo menos 45 dias antes da viagem. Adultos de 30 a 59 anos que precisam de uma dose devem iniciar o esquema com, no mínimo, 15 dias de antecedência. Mesmo em situações onde o tempo ideal não foi cumprido, o ministério recomenda que o viajante receba pelo menos uma dose antes de embarcar, podendo ser administrada até mesmo no dia da viagem.

Risco real e a importância da vigilância

Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), reforça que o risco de reintrodução do sarampo no Brasil é real. Ele destaca que, justamente quando o país recuperou o status de zona livre de sarampo, observa-se um grande surto nas Américas, incluindo casos em países vizinhos como Bolívia, Argentina e Paraguai. O deslocamento frequente de pessoas aumenta a probabilidade de casos importados, que em 2025 totalizaram 35, mas que não resultaram em transmissão sustentada no Brasil. A manutenção da população vacinada e uma vigilância ativa são cruciais para a detecção precoce e o controle de possíveis surtos.

Kfouri também enfatiza a necessidade de capacitação dos profissionais de saúde para o reconhecimento precoce da doença e para a implementação imediata de ações de isolamento, bloqueio e coleta de exames. A atenção redobrada durante períodos de aglomeração, como a Copa do Mundo, e a orientação para que viajantes mantenham a vacinação em dia e estejam atentos aos sintomas ao retornar de viagens são medidas essenciais. O Campo Grande NEWS, como veículo comprometido com a informação de qualidade, reitera a importância dessas medidas para a proteção da saúde coletiva.