A fumaça densa que tomou conta de uma área às margens da BR-163, na região do Macroanel de Campo Grande, serve como um sombrio prenúncio do período mais tenso do ano. Com a chegada da seca, a umidade do ar despenca e a vegetação se transforma em um barril de pólvora, tornando o fogo uma presença constante e perigosa para quem vive ou trabalha próximo a terrenos com mato alto.
O incêndio na rodovia é um reflexo claro do alto risco que Mato Grosso do Sul enfrenta. O estado já está em estado de emergência ambiental há 180 dias, desde 2 de junho. As previsões do Cemtec indicam umidade do ar entre 10% e 30%, temperaturas que podem chegar a 35°C e ventos de até 50 km/h, condições perfeitas para a rápida disseminação das chamas. Há uma pequena esperança de chuvas isoladas no fim de semana.
A causa exata do incêndio ainda não foi confirmada. Jonathan Paulino, gerente comercial de uma indústria vizinha, prefere não especular, mas ressalta a recorrência do problema. “A gente não pode afirmar que esse incêndio foi criminoso ou intencional. Como é uma área às margens da BR, pode ter sido provocado por uma bituca de cigarro ou outra situação. O que a gente sabe é que isso é recorrente. Todo ano, quando começa o período de seca e a umidade do ar diminui, esse tipo de incêndio acontece”, afirma.
Essa preocupação é amplamente justificada pelos dados meteorológicos. O Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul) prevê que a umidade relativa do ar ficará entre 10% e 30% em todo o estado, especialmente durante as tardes. As temperaturas máximas podem variar entre 30°C e 35°C, acompanhadas por ventos que atingirão de 30 a 50 km/h, com rajadas pontuais que podem ultrapassar os 50 km/h. Essa combinação é especialmente perigosa, pois facilita a propagação do fogo.
Em Campo Grande, a previsão é de máximas entre 28°C e 31°C. De acordo com o próprio Cemtec, a persistência do calor, do tempo seco e da baixa umidade aumenta significativamente o risco de ocorrência e propagação de incêndios florestais, exigindo atenção redobrada de todos.
O cenário é confirmado pelo mapa do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia), que mostra uma grande massa de ar seco avançando pelo interior do país, ampliando as áreas com baixa umidade. Entre sexta-feira (10) e domingo (12), essa condição deve se manter em quase todo o Mato Grosso do Sul, com índices de umidade podendo cair para 20% a 30% durante as tardes, exceto no extremo sul do estado.
Para quem trabalha em áreas próximas a focos de incêndio, os efeitos são imediatos e prejudiciais. “É muito prejudicial para nós, que somos uma indústria instalada aqui, e também para os nossos colaboradores. Fica difícil trabalhar por causa da fumaça e ainda existe o risco de o fogo atingir a nossa estrutura, já que as chamas chegam muito perto”, relata Jonathan Paulino.
A última chuva registrada em Campo Grande ocorreu em 23 de junho. Apesar do avanço do tempo seco, há uma pequena chance de alívio no fim de semana, após 17 dias de estiagem. Segundo o Inmet, Campo Grande poderá ter muitas nuvens e pancadas de chuva isoladas na noite de sábado (11), e no domingo (12) a previsão indica pancadas de chuva e trovoadas isoladas. Mesmo com a possibilidade de chuva, o calor continuará, com máximas de até 31°C e umidade mínima que pode chegar a 20%.
O estado de emergência ambiental em Mato Grosso do Sul, decretado em 2 de junho e válido por 180 dias, foi uma medida preventiva diante do elevado risco de incêndios florestais. A nota técnica que embasou o decreto destaca que, para o trimestre de junho, julho e agosto, a maior parte do território sul-mato-grossense se encontra nos níveis de “Atenção” e “Alerta” para focos de incêndio.
Na escala adotada, “Atenção” significa risco moderado e necessidade de preparação, enquanto “Alerta” indica risco alto, exigindo prevenção coordenada e mobilização de equipes. O documento também aponta temperaturas acima da média histórica e chuvas irregulares para o trimestre, o que contribui para a redução da umidade do solo e da vegetação, criando material combustível mais suscetível à ignição e à rápida propagação das chamas.
No trecho atingido pelo incêndio no Macroanel, Jonathan Paulino aponta que o problema vai além da falta de chuva. Ele menciona que uma via paralela à BR está há mais de um ano tomada pelo mato e lixo, o que pode dificultar o acesso e a ação de combate a incêndios. “Acredito que deveria haver mais fiscalização por parte dos órgãos responsáveis. Aqui existe uma via paralela à BR que está completamente tomada pelo mato e pelo lixo, impedindo a passagem de veículos e até o acesso à rodovia. Se você olhar, nem parece que ali é uma via”, conclui.
O Campo Grande NEWS acompanha de perto a situação, buscando trazer informações atualizadas sobre os riscos e as ações de prevenção. Acompanhe as notícias do estado pelo Campo Grande NEWS e siga nossas redes sociais para ficar por dentro de tudo.

