Advogado: Morte de fiscal foi execução, não legítima defesa de Bernal

Família contesta versão de ex-prefeito e alega execução cruel

A morte do fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, baleado na varanda de sua nova residência em Campo Grande, foi uma execução, e não um caso de legítima defesa, como alega o ex-prefeito Alcides Bernal. A família de Mazzini, por meio de seu advogado, Tiago Martinho, contratado para acompanhar o inquérito, contesta veementemente a versão apresentada por Bernal à Polícia Civil. Imagens de câmeras de segurança capturaram o momento em que Bernal chega ao local, pega um revólver e atira contra o fiscal.

A defesa da família refuta a alegação de Bernal de que teria invadido sua casa. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, Roberto Mazzini era o legítimo proprietário do imóvel, adquirido da Caixa Econômica Federal após o bem ter sido retomado por inadimplência do ex-prefeito. O advogado Tiago Martinho afirmou que buscará preservar a memória da vítima e garantir que a justiça seja feita.

Bernal alega legítima defesa, família rebate com imagens

Alcides Bernal, autor confesso dos disparos, declarou em seu interrogatório que não atirou para matar. Ele alegou que a vítima teria invadido sua casa e que ele agiu por reflexo ao se sentir ameaçado. “Eu dei os tiros e não foi para matar, porque ele veio para cima de mim, uma pessoa que eu não conheço, nunca vi,” disse Bernal. No entanto, o advogado da família Mazzini sustenta que as evidências apontam para um homicídio doloso, ou seja, com a intenção de matar.

“O senhor Roberto foi executado pelo acusado, de forma cruel. As imagens mostram que ele já entra na residência disparando,” declarou Martinho. As gravações das câmeras de segurança da própria residência, analisadas pelo Campo Grande NEWS, mostram Bernal chegando em sua caminhonete, pegando um revólver e entrando no imóvel, efetuando pelo menos um disparo logo em seguida. A dinâmica das imagens, segundo a defesa da família, reforça a tese de execução.

Imagens mostram dinâmica de execução, diz advogado

As câmeras de segurança registraram a chegada de Bernal ao imóvel por volta das 13h44, quando ele para a caminhonete, pega a arma e entra na residência. O vídeo mostra ele andando dentro do imóvel, já com a arma em punho, e efetuando o primeiro disparo. A sequência exata dos dois tiros, se foram disparados de longe ou se Bernal se aproximou da vítima para o segundo disparo, será detalhada pela perícia. Contudo, o advogado Tiago Martinho acredita que o segundo disparo, possivelmente à queima-roupa, caracterizou a execução.

“O corpo da vítima tinha dois disparos. Esse segundo disparo foi muito provavelmente à queima-roupa, de fato executando a vítima,” afirmou o advogado. A família busca, com o acompanhamento do inquérito, garantir que a memória de Roberto Mazzini seja protegida das alegações distorcidas pelo acusado.

Fiscal era proprietário legítimo, desmente defesa de Bernal

A família de Roberto Mazzini também contesta firmemente a versão de Bernal sobre a invasão do imóvel. O advogado Tiago Martinho enfatizou que Mazzini era o proprietário legítimo da casa, tendo adquirido o bem diretamente da Caixa Econômica Federal. O processo de compra foi concluído após a Caixa ter retomado o imóvel do ex-prefeito devido à inadimplência. O imóvel estava desocupado no momento da aquisição, desmentindo a alegação de que seria lar ou endereço profissional de Bernal.

“De forma alguma ele foi invasor. Ele já tinha a escritura pública do imóvel. A Caixa já havia formalizado todo o procedimento de compra,” explicou Martinho. Conforme apurado, Mazzini utilizou economias de uma vida inteira para comprar a casa, onde pretendia morar com a esposa, os três filhos e sua mãe. Ele chegou a contratar um chaveiro porque, segundo o advogado, Bernal teria trocado as fechaduras do imóvel diversas vezes.

Família busca responsabilização e defesa da memória da vítima

O advogado Tiago Martinho solicitou acesso integral ao inquérito policial e assegurou que acompanhará todas as etapas da investigação. “Nós confiamos no trabalho da polícia e acreditamos que ele será indiciado e responderá por homicídio doloso qualificado. O que aconteceu ali foi uma execução,” declarou. A família está profundamente abalada e busca não apenas a responsabilização criminal de Alcides Bernal, mas também a preservação da imagem e honra de Roberto Mazzini.

“É importante fazer a defesa da memória, da honra dele, que foi totalmente distorcida pelo investigado no seu interrogatório. O acusado demonstrou inclusive uma enorme arrogância, sem nenhum tipo de sentimento de humanidade, de solidariedade ou tampouco arrependimento,” concluiu Martinho. O caso continua em investigação pela Polícia Civil, e o Campo Grande NEWS segue acompanhando os desdobramentos para trazer informações atualizadas aos seus leitores.