O governo de Mato Grosso do Sul projeta um **aumento de 10% na balança comercial estadual** nos próximos dois anos, impulsionado pela iminente assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE). A expectativa é que o tratado, previsto para ser oficializado em breve, **amplie mercados e reduza riscos comerciais**, especialmente para o agronegócio sul-mato-grossense. Conforme informações divulgadas, a celulose, principal produto de exportação do estado, tende a se tornar ainda mais competitiva no mercado internacional.
Mercosul-UE: Mato Grosso do Sul mira crescimento de 10% nas exportações
O acordo entre Mercosul e União Europeia é visto com otimismo pelo governo de Mato Grosso do Sul. A previsão é de que, em um horizonte de dois anos após a assinatura, a balança comercial do estado registre um crescimento expressivo de cerca de 10%. O secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, destacou ao Campo Grande News que o tratado está alinhado com o perfil da economia estadual, beneficiando diretamente a pauta exportadora com a redução de tarifas.
Segundo Verruck, embora não tenham sido realizadas simulações detalhadas sobre o tamanho exato do mercado, a expectativa é de consolidação e ampliação da participação na balança comercial em torno de 10% no curto prazo. A celulose, carro-chefe das exportações sul-mato-grossenses, deve se beneficiar significativamente, assim como outros produtos como carnes bovina, suína e de frango, além de citrus e etanol. Em 2025, a UE representou 13% das exportações do estado, totalizando US$ 1,30 bilhão, com um superávit de US$ 812 milhões. Mato Grosso do Sul mantém relações comerciais com 23 países europeus.
Celulose e carnes: os motores da nova projeção econômica
A celulose sul-mato-grossense, líder nas exportações brasileiras e na balança comercial do estado, é apontada como um dos produtos com maior potencial de crescimento. O acordo visa torná-la ainda mais competitiva no mercado europeu. A carne bovina, produzida dentro dos rigorosos padrões exigidos pela UE, também figura como um item com forte potencial de elevação nas vendas externas. Diversas propriedades no estado já estão credenciadas para exportar para a União Europeia, e o couro também é um produto de exportação relevante para a Itália.
Além desses, outros produtos com potencial de expansão incluem o citrus, a carne de frango e a carne suína. O acordo também abre uma importante janela para a exportação de etanol, um setor em crescimento na Europa devido às metas de descarbonização. Por outro lado, o secretário Verruck ressaltou que a União Europeia também vê oportunidades de ampliar suas exportações para o Brasil, mencionando a aquisição de equipamentos para a indústria de celulose por Mato Grosso do Sul como um ponto relevante.
UE como segundo principal mercado e a diversificação de destinos
Em 2025, a União Europeia se consolidou como o segundo mercado mais importante para as exportações de Mato Grosso do Sul, respondendo por cerca de 13% do total exportado, avaliado em US$ 1,30 bilhão. Desse montante, impressionantes 95% foram provenientes do agronegócio, evidenciando a força deste setor. Foram enviadas 3,76 milhões de toneladas de produtos para os países europeus. Em contrapartida, as importações do bloco europeu totalizaram US$ 492 milhões. A celulose liderou as exportações para a UE, seguida por farelos de soja e carne bovina.
O acordo é visto como uma estratégia crucial para a **diversificação de mercados**, especialmente diante das incertezas no comércio internacional e da crescente dependência da China. A consultora de economia da Famasul, Eliamar Oliveira, destaca que o livre comércio com a UE, um mercado com alto poder aquisitivo, representa uma oportunidade para absorver a produção de carne bovina e reduzir a dependência de um único parceiro comercial. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a União Europeia, com seus mais de 700 milhões de consumidores, configura um mercado estratégico em volume e valor agregado.
Desafios e o ‘selo verde’ para acesso ao mercado europeu
Apesar do otimismo, o acesso ao mercado europeu traz consigo desafios, principalmente no que diz respeito às exigências ambientais. O acordo entre Mercosul e UE exige que os produtos não sejam provenientes de desmatamento ilegal. Para atender a essa demanda, o governo estadual firmou um acordo com a UE para a criação de um **’selo verde’**, que será implementado ao longo de 2026. Este selo certificará propriedades e produtos aptos a serem destinados ao bloco europeu, garantindo conformidade com a legislação ambiental europeia.
A União Europeia classificou o Brasil como país de risco padrão em relação ao Regulamento de Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), o que implica rigorosos requisitos de rastreabilidade e conformidade para commodities como soja, carne bovina e couro. A economista da Famasul ressalta que, embora muitos produtores já operem com altos padrões, a adaptação contínua às novas regulamentações, especialmente a rastreabilidade individual e a burocracia, representam desafios. O apoio técnico, segurança jurídica e investimentos em capacitação são fundamentais para auxiliar os produtores, especialmente os pequenos e médios, a atenderem a esses requisitos sem perder competitividade. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, o Estado busca fortalecer a logística e a infraestrutura para otimizar o escoamento da produção, embora os embarques ainda dependam de portos, e a Rota Bioceânica ainda não altere significativamente este cenário no médio e longo prazo.

