A maior barreira para PcD: emprego, cidade, prédios ou serviços?

A vida de pessoas com deficiência (PcD) no Brasil é marcada por desafios diários que impactam diretamente sua inclusão social e profissional. Seja a dificuldade em conseguir um emprego, a luta para circular livremente pela cidade, o acesso a prédios e estabelecimentos, ou a utilização de serviços públicos, diversas barreiras se apresentam. O Campo Grande News lança uma enquete para entender qual dessas situações representa o maior obstáculo na percepção dos leitores.

Enquete: Qual a maior dificuldade enfrentada por pessoas com deficiência?

Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam um cenário complexo para as pessoas com deficiência em Mato Grosso do Sul. Em 2022, 6,5% da população do estado, com dois anos ou mais, declarou possuir alguma deficiência. Este percentual posiciona Mato Grosso do Sul com a sexta menor proporção do país, mas a realidade para grupos específicos, como mulheres pretas ou pardas com deficiência, aponta para 7,4%.

A desigualdade se manifesta de forma gritante no mercado de trabalho. Conforme apurado pelo Campo Grande News, em Mato Grosso do Sul existiam aproximadamente 167 mil pessoas com deficiência em idade de trabalhar. Deste total, apenas cerca de 54 mil estavam ocupadas, o que representa apenas 32,1%.

Em contrapartida, entre as pessoas sem deficiência, a taxa de ocupação alcançava 60,9%. Essa diferença de 28,8 pontos percentuais evidencia um abismo significativo no acesso a oportunidades de trabalho. Mesmo para aqueles que conseguem ingressar no mercado, a disparidade persiste. Dos trabalhadores com deficiência ocupados, 60,3% contribuíam para a Previdência Social, enquanto entre os sem deficiência, este índice era de 69,7%.

Renda e Oportunidades: Um Retrato da Desigualdade

A diferença salarial também é um ponto crítico. Em 2022, o rendimento domiciliar per capita médio de pessoas com deficiência no estado era de R$ 1.456, substancialmente menor que os R$ 1.749 registrados entre pessoas sem deficiência. Essa disparidade se acentua quando analisamos recortes raciais, com pessoas com deficiência brancas tendo um rendimento médio de R$ 1.707, enquanto pretos ou pardos com deficiência recebiam R$ 1.410.

A falta de acessibilidade em prédios e estabelecimentos comerciais, assim como a dificuldade de locomoção urbana, são barreiras constantes que limitam a participação plena na sociedade. A infraestrutura urbana, muitas vezes, não é pensada para atender às necessidades específicas de todos os cidadãos, gerando isolamento e exclusão.

O acesso a serviços públicos também se apresenta como um desafio. Filas, falta de informação em formatos acessíveis e atendimento inadequado podem transformar tarefas simples em verdadeiras batalhas para pessoas com deficiência, impactando seu direito à cidadania e à igualdade de oportunidades.

Avanços na Educação: Um Raio de Esperança

Apesar dos desafios, alguns indicadores mostram progresso, especialmente na área da educação. Segundo dados do IBGE, em 2025, 93,9% das escolas em Mato Grosso do Sul possuíam pelo menos um recurso de acessibilidade, um avanço notável em relação aos 74,1% registrados em 2016. A presença de banheiros acessíveis também aumentou, passando de 77% em 2019 para 85,7% em 2025.

No entanto, diferenças entre as redes de ensino persistem. Enquanto 99% das escolas privadas contavam com recursos de acessibilidade, o índice nas escolas públicas era de 92,1%. A disponibilidade de profissionais de apoio para alunos com deficiência também varia, com escolas públicas oferecendo mais suporte (68%) do que as privadas (3,9%).

Acessibilidade Digital em Evolução

A acessibilidade digital nos municípios de Mato Grosso do Sul também tem apresentado avanços. Em 2024, 30 dos 79 municípios ofereciam tradução de conteúdo em Libras em seus canais digitais, um salto em relação aos três municípios em 2019. Outras iniciativas incluem navegação sem uso de mouse, descrição de imagens e mecanismos para usuários de tecnologia assistiva.

Ainda assim, 13 municípios não apresentavam nenhuma das alternativas de acessibilidade digital pesquisadas pelo IBGE. Conforme o Campo Grande News checou, a evolução é um passo importante, mas a universalização do acesso digital ainda é um objetivo distante para muitos cidadãos.

A enquete do Campo Grande News visa justamente dar voz à população, coletando percepções sobre qual barreira é a mais urgente a ser superada. A participação dos leitores é fundamental para direcionar esforços e políticas públicas mais eficazes na promoção da inclusão e igualdade para pessoas com deficiência. O portal www.campograndenews.com tem se consolidado como um importante agregador de informações sobre a realidade local, e esta iniciativa reforça seu compromisso com temas relevantes para a comunidade.