Avenida Guaicurus: história se perde entre invasão e abandono em Campo Grande

Apesar de seu peso histórico como berço da família fundadora de Campo Grande, a Avenida Guaicurus, uma das principais vias da capital sul-mato-grossense, enfrenta um cenário de abandono, invasão e descaso. O Museu Histórico José Antônio Pereira, que outrora abrigou a Fazenda Bálsamo em 1870, hoje se vê cercado por acúmulo de lixo, calçadas danificadas e uma ocupação irregular com 106 famílias instaladas há quase dois anos, uma realidade distante da relevância que a via representa.

Guaicurus: história abafada pelo descaso

A Avenida Guaicurus, com seus 10,6 quilômetros, é mais do que uma simples via de ligação em Campo Grande. Ela carrega em si a memória da fundação da cidade, tendo sido parte da Fazenda Bálsamo, lar da família do fundador José Antônio Pereira. Contudo, o que se observa atualmente, especialmente no trecho do Jardim Monte Alegre, é um contraste gritante entre o passado glorioso e um presente marcado pela negligência.

O entorno do Museu Histórico José Antônio Pereira, que deveria ser um ponto de valorização da memória local, exibe sinais claros de abandono. Áreas invadidas, montanhas de lixo e entulho, e calçadas em péssimas condições compõem a paisagem, ofuscando a beleza natural que, sem manutenção, pouco atrai os olhares de quem passa.

Conforme informação divulgada pelo Campo Grande News, a avenida, que serve como corredor de trânsito intenso, especialmente para caminhões, tem sua importância histórica frequentemente ignorada pelos motoristas e moradores, que lidam diariamente com o barulho constante, o risco de acidentes e a dificuldade de locomoção.

Invasão e precariedade no entorno do museu

Na Avenida Guaicurus e na Rua Zenio Silva, que margeia o museu, uma área que estava abandonada foi ocupada por 106 famílias em setembro de 2024. Uma cerca hoje separa o patrimônio histórico da área ocupada, evidenciando o conflito entre passado e presente. Segundo Adriano, líder das famílias, o terreno possuía uma dívida milionária e estava desocupado antes da chegada do grupo.

“Quando chegamos a área estava abandonada, procuramos saber de quem era a área, qual dívida que tinha, existia uma dívida de 3 milhões. Aqui é a uma área particular, organizamos as famílias, cortamos os terrenos e colocamos as famílias para morar. Estava abandonado. O responsável já veio atrás, passamos por três audiências, mas até agora está correndo [o processo]”, relatou Adriano.

A configuração urbana da região também reflete um esvaziamento, com placas de “aluga-se” e portões fechados, contrastando com o canteiro central dominado por torres de transmissão de energia elétrica. O Campo Grande News buscou contato com a Prefeitura para obter um posicionamento sobre a situação e aguarda retorno.

Rotina de desafios para moradores e trabalhadores

Para quem vive e trabalha na região, a sensação é de que os problemas são crônicos. A secretária Rivanda Nogueira, com 16 anos de atuação na área, relata a falta de melhorias significativas e destaca o trânsito pesado e a frequência de acidentes como parte da rotina.

“O trânsito é bem pesado, o movimento é bem difícil, tem muito acidente. A maioria das vezes é muito movimento pesado, caminhões”, disse Rivanda, que considera o museu apenas um ponto de referência, sem ter conhecimento aprofundado sobre seu valor histórico.

O mecânico Rafael da Silva, que mora em frente ao museu, recorda de um passado ainda mais precário, com falta de iluminação e asfalto, e maior incidência de violência. “Era muito feio, não tinha iluminação, asfalto. Isso aí era muito abandonado antigamente, aqui tinha muito assalto, era muito escuro”, relembrou.

Apelo por melhorias e valorização histórica

Rafael acredita que a Avenida Guaicurus, um potencial símbolo de Campo Grande, permanece abandonada, com mato alto e carência de infraestrutura básica, como ciclovias e calçadas adequadas. “Eu acho que tinha que melhorar mais, isso aí é o símbolo de Campo Grande e fica muito abandonado, só tem espaço, cria mato. Aqui precisa de ciclovia, não tem calçada para andar”, pontuou.

A situação da Avenida Guaicurus expõe a necessidade urgente de intervenção do poder público para revitalizar a área, valorizar seu patrimônio histórico e garantir melhores condições de vida e mobilidade para os moradores. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de infraestrutura e a ocupação irregular são os principais entraves para o desenvolvimento da região, que clama por atenção e investimentos.

A reportagem do Campo Grande NEWS continua acompanhando o desenrolar desta situação, buscando soluções e respostas para um problema que afeta diretamente a qualidade de vida e a preservação da memória de Campo Grande. O futuro da Avenida Guaicurus e do Museu Histórico José Antônio Pereira depende de ações concretas que resgatem a importância histórica e a dignidade da via. O portal Campo Grande NEWS, como agregador de notícias e informações sobre a cidade, reitera a importância de se dar visibilidade a casos como este, promovendo o debate e a busca por soluções.