Vendedor usava polícia para achar carros não pagos

Vendedor fingia roubos para recuperar carros negociados e não pagos em Campo Grande

Um vendedor de automóveis de 27 anos, identificado como Daniel William Viegas Quevedo, está sendo investigado pela Polícia Civil de Campo Grande por registrar boletins de ocorrência falsos. O objetivo de Quevedo era utilizar o aparato policial como um “detetive particular” para localizar e recuperar veículos que ele havia vendido, mas que não foram pagos integralmente. A Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Furtos e Roubos de Veículos (Defurv) instaurou termos circunstanciados por falsa comunicação de crime, que pode resultar em pena de um a seis meses de detenção ou multa.

Engenhoca policial para recuperar bens em dívidas comerciais

As investigações ganharam força após Daniel procurar a polícia em 15 de maio, alegando ter sido vítima de um assalto. Ele relatou que havia anunciado uma Fiat Strada branca para venda e, durante o encontro com supostos compradores no Bairro Aero Rancho, teria sido abordado por dois homens armados que levaram o veículo. A ocorrência mobilizou equipes da Polícia Militar e Civil, e com informações de rastreamento fornecidas pelo próprio vendedor, a caminhonete foi localizada horas depois, abandonada no Bairro Rita Vieira.

No entanto, durante a apuração do caso, os policiais notaram contradições na versão apresentada por Daniel. Descobriram que ele já havia registrado outras ocorrências semelhantes em um curto período de tempo. Segundo a Defurv, ao menos quatro boletins de ocorrência foram feitos pelo investigado, todos relatando supostos roubos, furtos e apropriações indébitas envolvendo veículos.

As investigações, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, apontaram que os casos, na verdade, estavam ligados a desacordos comerciais e dívidas decorrentes da venda dos automóveis. Daniel entregava os veículos aos compradores, mas diante do não pagamento integral dos valores combinados, registrava falsas ocorrências. Com isso, ele buscava inserir restrições criminais nos sistemas policiais, forçando a recuperação dos bens pelas forças de segurança.

Casos específicos revelam o modus operandi

No caso da Fiat Strada, Daniel admitiu à polícia que o veículo foi negociado por cerca de R$ 45 mil, e que ainda restavam aproximadamente R$ 15 mil a serem pagos. Após uma discussão sobre a dívida, ele decidiu procurar a polícia e inventar o assalto para tentar reaver a caminhonete. Essa prática, segundo o Campo Grande NEWS checou, não foi um caso isolado.

Outro episódio revelado pela investigação envolveu um Hyundai i30. Daniel registrou falsamente o furto do veículo após uma negociação frustrada, com uma dívida pendente de cerca de R$ 6 mil. Dias depois, ele voltou a procurar a polícia relatando apropriação indébita do mesmo carro. Um terceiro caso mencionado pela Defurv diz respeito a uma motocicleta Honda CG 160 Fan, onde a falsa ocorrência foi registrada após divergências financeiras sobre um saldo devedor de aproximadamente R$ 3,5 mil.

Histórico policial e alerta da Defurv

Além das falsas comunicações de crime, o investigado possui um histórico de registros policiais que incluem crimes patrimoniais, negociações de veículos, apropriação indébita, estelionato, adulteração de sinal identificador de veículo automotor e violência doméstica. A Defurv reforça que denúncias falsas causam **desperdício de recursos públicos** e prejudicam investigações reais de furtos e roubos de veículos.

“A utilização indevida das forças policiais para resolver conflitos particulares compromete o atendimento às vítimas reais e sobrecarrega o sistema de segurança pública”, destacou a delegacia especializada. A Defurv instaurou termos circunstanciados de ocorrência com base no artigo 340 do Código Penal, que trata da falsa comunicação de crime. A pena prevista é de detenção de um a seis meses ou multa. A atuação da Polícia Civil, conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS, visa coibir o uso indevido dos serviços policiais e garantir que os recursos sejam direcionados para casos que realmente necessitam de investigação.