Penhor impulsiona economia em MS: mais de R$ 115 milhões em crédito e leilões milionários
A modalidade de penhor, muitas vezes vista como um recurso do passado, demonstra sua força e relevância contínua em Mato Grosso do Sul. Em abril deste ano, a carteira de penhor da Caixa Econômica Federal no estado registrou um expressivo aumento de 37% em comparação com o mesmo período do ano anterior, somando mais de R$ 115 milhões em créditos ativos. Esse crescimento reflete a busca por alternativas financeiras acessíveis em tempos de instabilidade econômica, onde o penhor se consolida como uma opção viável para muitos sul-mato-grossenses.
O público feminino representa a maioria das operações de penhor em Mato Grosso do Sul, correspondendo a 74% do total. Essa predominância feminina pode ser atribuída a diversos fatores, como a tradição de posse de joias e a busca por soluções financeiras que permitam a manutenção do patrimônio familiar. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa tendência é um retrato da resiliência e da capacidade de adaptação das mulheres em gerenciar suas finanças, utilizando bens como garantia para alcançar seus objetivos.
A aposentada Aparecida Maria de Silva, de 71 anos, é um exemplo vivo dessa realidade. Ela relembra com carinho como o penhor de joias foi fundamental para a construção de sua casa, há cerca de 30 anos. Na época, o penhor representou um valor estimado em R$ 100 mil e foi a principal moeda para a conclusão da obra. “Era barato, ia comprando e investindo, hoje em dia tá difícil ganhar e até pagar”, reflete Aparecida, evidenciando a mudança no cenário econômico e a percepção sobre a atratividade da modalidade.
Crescimento expressivo e perfil do público no penhor
Os dados da Caixa Econômica Federal são claros: em abril, a carteira de penhor em Mato Grosso do Sul cresceu 37% em relação ao ano anterior. No acumulado de janeiro a abril, a expansão no saldo de crédito concedido foi de aproximadamente 6%, com um crescimento médio mensal de 2%. Atualmente, a carteira ativa no estado ultrapassa os R$ 115 milhões, distribuídos em cerca de 30 mil contratos. O protagonismo feminino nesse mercado é inegável, com 74% das operações realizadas por mulheres.
Esse cenário de alta no penhor também se reflete nos leilões de bens que não são resgatados por seus proprietários. Quando um contrato de penhor não é regularizado em até 30 dias após o vencimento, os itens vão a leilão. Essa é uma ponta importante desse mercado, que movimenta quantias significativas e oferece oportunidades de aquisição de joias a preços potencialmente mais acessíveis.
Leilões milionários em Campo Grande: joias encontram novos donos
Um exemplo recente dessa dinâmica ocorreu em Campo Grande, onde a Caixa realizou um leilão de joias. Foram ofertados 1.170 lotes, incluindo alianças, pulseiras, brincos, colares, relógios e escapulários. Desses, 890 lotes foram arrematados, gerando um valor total de R$ 5.438.207,04, já com a tarifa de arrematação incluída. O valor inicial estimado dos lotes vendidos era de R$ 3.774.430,00, o que representa um **ágio expressivo de aproximadamente 35,9%** sobre o valor de referência.
O destaque do leilão foi um colar de ouro com 447,70 gramas, avaliado inicialmente em R$ 99.928,00. O item foi arrematado por R$ 112.228,00, chegando a R$ 118.961,68 com a tarifa. Esse episódio demonstra o potencial de valorização e o interesse do público por peças de valor, mesmo em um contexto de leilão. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, esses certames são aguardados por colecionadores e pessoas em busca de bons negócios.
É importante notar que 280 lotes do catálogo original não foram arrematados, totalizando um valor de avaliação de R$ 1.669.004,00. O próprio catálogo informa que a ausência desses lotes na lista de vencedores corresponde a contratos que foram regularizados pelos seus donos, ou seja, as joias foram resgatadas antes da venda em leilão. Isso reforça a ideia de que o penhor, para muitos, ainda é uma forma de **garantir a posse de bens valiosos**.
Novos leilões e o papel do comércio local
A expectativa é que novos leilões continuem a ser realizados. Um próximo certame está previsto para junho, em Corumbá, mas os detalhes dos lotes ainda não foram divulgados. A movimentação gerada por esses leilões não se restringe apenas aos participantes diretos. O proprietário de uma relojoaria em Campo Grande, Cezar Nogueira, 58 anos, relata que recebe muitas procuras diárias por serviços de penhor, mas ele prefere direcionar os clientes para a Caixa. “Isso aí tem que ser especialista, né?”, comenta, ressaltando a complexidade do mercado de penhor de joias e a segurança oferecida por instituições oficiais como a Caixa. O conhecimento especializado e a **confiabilidade da instituição** são fatores cruciais para a segurança das transações, conforme atesta a experiência de Nogueira, compartilhada pelo Campo Grande NEWS.
Apesar de Aparecida Maria de Silva não ter mais joias para penhorar, sua experiência ilustra a importância histórica e a funcionalidade dessa modalidade financeira. O penhor, longe de sair de moda, continua a ser uma **ferramenta econômica relevante em Mato Grosso do Sul**, impulsionando transações e movimentando cifras milionárias, com leilões que atraem olhares e investimentos.

