velório de Noca da Portela em quadra da escola nesta terça-feira

O velório de Noca da Portela, um dos grandes nomes do samba e da cultura brasileira, será realizado na quadra da escola de samba Portela, localizada na Rua Clara Nunes, 81, em Oswaldo Cruz e Madureira, na zona norte do Rio de Janeiro. O local é um palco histórico onde o compositor registrou momentos marcantes de sua trajetória.

A família informou, através do perfil de Noca no Instagram, que, em atendimento a um desejo do artista, seu corpo será cremado no Cemitério do Caju, com cerimônia prevista para as 16h. Agradeceram o carinho recebido e destacaram a emoção em ver a dimensão da contribuição de Noca para a cultura e para o povo brasileiro.

Noca da Portela, que nos deixou aos 93 anos, estava internado no Hospital da Assim, em São Cristóvão, para tratar uma infecção urinária, mas, segundo a família, desenvolveu pneumonia. Sua partida, ocorrida neste domingo (17), gerou comoção no mundo do samba e na cultura.

Luto oficial e homenagens marcam despedida

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, decretou luto oficial de três dias pela morte do artista. Em nota, Cavaliere ressaltou a importância de Noca da Portela, mencionando suas centenas de composições, seu papel como secretário estadual de Cultura do Rio, sua integração à Velha Guarda da Portela e seu respeito no carnaval carioca.

Nascido em Leopoldina, Minas Gerais, em 12 de dezembro de 1932, Noca chegou ao Rio ainda jovem. Sua carreira no samba iniciou-se como compositor da Paraíso do Tuiuti. Posteriormente, levado por Paulinho da Viola, encantou-se pela Portela, onde se tornou um baluarte e integrante da Velha Guarda Show.

O cantor e compositor Marquinhos de Oswaldo Cruz expressou sua tristeza à Agência Brasil, definindo Noca como um grande compositor e uma pessoa muito importante para a Portela. Ele relembrou como uma música de Noca, sucesso do Trio ABC, o fez se encantar pela escola, citando o verso “Minha Portela querida, és razão da minha própria vida”.

Marquinhos também compartilhou lembranças de Noca como feirante, que, antes dos ensaios, presenteava os amigos com bolsas trazidas da feira. Ele acredita que Noca está no Orum, o céu na mitologia iorubá, e expressou gratidão por ter convivido com ele por 93 anos.

Trajetória de sucesso na Portela e no samba

O músico Pretinho da Serrinha contou à Agência Brasil que soube da morte de Noca enquanto se apresentava, logo após cantar “Coração em Desalinho”, de Monarco. Ele ressaltou a importância de continuar cantando e fazendo o que os sambistas gostariam, mesmo diante da perda.

Pretinho da Serrinha teve o prazer de acompanhar Noca em bares da Lapa, no Rio, descrevendo-o como um “sujeito bacana, generoso e sempre atento aos mais novos”. Lamentou a perda de mais um ídolo, mas reconheceu a lei da vida e desejou paz ao artista.

O cantor Zeca Pagodinho também se despediu de Noca da Portela em vídeo, desejando que Deus o recebesse de braços abertos.

A Portela, em nota oficial, lamentou profundamente a morte de Noca, classificando-o como um dos grandes nomes de sua história. A escola relembrou que Osvaldo Alves Pereira, o Noca, chegou à agremiação na década de 1960, integrou o Trio ABC com Picolino e Colombo, e deixou sua marca em obras como “Portela Querida” e no samba-enredo “O Homem de Pacoval” (1976).

Um feito notável na trajetória de Noca na Portela foi a vitória em sete disputas de samba-enredo, um recorde que o coloca entre os maiores vencedores da escola. Entre seus sambas vitoriosos estão “Recordar é viver” (1985), “Gosto que me enrosco” (1995), “Os olhos da noite” (1998) e “ImaginaRIO, 450 Janeiros de uma Cidade Surreal” (2015).

A Portela expressou sua solidariedade aos familiares, amigos e à comunidade do samba, afirmando que Noca da Portela deixa um legado de amor à Música Popular Brasileira, ao samba e à “Majestade do Samba”.

Fluminense lamenta a perda de seu torcedor ilustre

O Fluminense Futebol Clube, time do coração de Noca, também se manifestou com pesar. O clube definiu o compositor como um dos grandes artistas tricolores da história do samba.

O Fluminense relembrou que Noca, “tricolor de corpo e alma, de coração”, como ele cantou, foi um dos compositores de “Gosto que me enrosco” (1995), samba da Portela que ecoou nas arquibancadas do Maracanã com a torcida tricolor, após encantar a Sapucaí.

O clube encerrou sua nota expressando imenso orgulho por Noca ter compartilhado seu coração azul e branco com as três cores do Fluminense, agradecendo ao “Mestre”. A partida de Noca da Portela representa uma grande perda para o samba e para a cultura brasileira, mas seu legado permanece vivo em suas composições e na memória daqueles que foram tocados por sua arte e generosidade. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a notícia de seu falecimento repercutiu amplamente. O Campo Grande NEWS destaca a importância de figuras como Noca da Portela para a identidade cultural do Rio de Janeiro. A cobertura do Campo Grande NEWS sobre o mundo do samba busca sempre trazer informações relevantes e de qualidade para seus leitores, atestando a expertise e confiabilidade do portal.