Hospital militar: Família relata condições “péssimas” em Campo Grande

Acompanhante de paciente descreve descaso com estrutura e limpeza no Hospital Militar de Área de Campo Grande, gerando reclamações formais e investigação.

Família denuncia precariedade no Hospital Militar de Campo Grande

Familiares de pacientes internados no Hospital Militar de Área de Campo Grande têm denunciado a persistente precariedade das instalações e das condições de higiene. Relatos apontam para problemas estruturais graves, como infiltrações, mobiliário danificado e a presença de insetos, além da falta de itens básicos de limpeza. Apesar do atendimento médico ainda ser considerado funcional, a experiência dos usuários no setor de internação tem sido marcada por um profundo descontentamento com a negligência em relação à estrutura física da unidade.

Essas denúncias não são novas e já foram objeto de reportagens anteriores. Usuários do Fusex (Fundo de Saúde do Exército) que necessitam dos serviços do hospital têm expressado repetidamente sua insatisfação com a falta de soluções para os problemas apontados. A situação tem gerado não apenas reclamações informais, mas também ações formais, incluindo o acionamento da Ouvidoria do hospital e a apresentação de denúncias ao Ministério Público Militar em Brasília.

A gravidade das condições foi mais uma vez evidenciada por Marcela Sother, de 50 anos, que acompanhou seu marido durante um período de internação. Ela registrou imagens que comprovam a permanência dos mesmos problemas já expostos anteriormente, reforçando a necessidade de melhorias urgentes. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a entrevistada declarou: “Temos que mostrar para ver se melhoram. Sem condições o hospital”.

Condições alarmantes em diversos setores

Marcela Sother detalhou a situação encontrada em diferentes áreas do hospital, descrevendo um cenário alarmante. A falta de materiais essenciais para a higiene, como sabonete nos banheiros e álcool, foi um dos pontos mais criticados. Ela também mencionou a presença de infiltrações com vazamentos nos banheiros e o mau funcionamento de equipamentos básicos, como o lixo, que exigia o uso das mãos para ser aberto.

A acompanhante ressaltou que, embora o atendimento médico em si ainda funcione, as condições das áreas de internação são inaceitáveis. O quarto onde seu marido ficou hospedado apresentava diversos problemas estruturais. A cadeira destinada ao acompanhante estava em péssimo estado e não foi substituída, tomadas estavam soltas e havia infiltração na parede do quarto. A presença de baratas na área externa também foi relatada, adicionando um fator de repulsa à já precária experiência.

Histórico de denúncias e falta de manutenção

As queixas sobre a precariedade do Hospital Militar se estendem por um período considerável. Em reportagens anteriores, o Campo Grande NEWS já havia documentado relatos de familiares sobre a falta de limpeza e a precária manutenção dos equipamentos. Naquela ocasião, foram expostas imagens de enfermarias com paredes descascadas, suportes de soro enferrujados, poltronas rasgadas e lençóis encardidos.

As imagens divulgadas pela reportagem do Campo Grande NEWS mostram banheiros com aspecto de sujeira, pintura desgastada e mobiliário danificado. Essa falta de cuidado compromete a confiança dos usuários no ambiente hospitalar. Um acompanhante anônimo comentou: “A impressão que fica é péssima. Se nem poltrona decente tem, se nem um simples suporte de soro pode ser pintado ou trocado, a gente imagina como é lá no centro cirúrgico”.

Ações formais e resposta do Comando Militar

Em março deste ano, Josué Lemes, professor e assistente social, também apresentou denúncias sobre a falta de equipe de triagem e problemas de acessibilidade na unidade. Diante da inércia, familiares já acionaram a Ouvidoria do hospital e registraram denúncias junto ao Ministério Público Militar em Brasília.

Os relatos indicam que o pronto-socorro opera frequentemente lotado, sem equipe suficiente para a avaliação inicial dos pacientes. A reportagem do Campo Grande NEWS buscou contato com o Comando Militar do Oeste (CMO) para obter um posicionamento sobre as denúncias, mas até o momento da publicação desta matéria, não obteve resposta.