A Clínica Canela, localizada no Centro de Campo Grande, está no centro de uma operação de fiscalização que resultou na descoberta de cerca de 1,2 mil frascos de medicamentos vencidos em uma área de armazenamento. Além disso, outras irregularidades já haviam sido apontadas por equipes de controle sanitário e de defesa do consumidor. O médico responsável pela clínica, Jonathas Canela, negou veementemente qualquer falha ou irregularidade, classificando as ações como uma forma de “perseguição”. Uma enfermeira chegou a ser conduzida à delegacia para prestar esclarecimentos durante a operação.
Apesar das descobertas, a clínica não foi interditada e permanece em funcionamento. O caso está sob análise conjunta do Procon, Vigilância Sanitária, CRM-MS (Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul) e Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes contra as Relações de Consumo). As autoridades estão investigando as denúncias e os achados da fiscalização.
Em um vídeo que foi publicado e posteriormente excluído das redes sociais, Jonathas Canela expressou sua insatisfação com a situação. Ele afirmou que está em viagem para São Paulo para realizar um atendimento médico, mas que está ciente da repercussão midiática da operação em sua clínica em Campo Grande. O médico ressaltou que a unidade recebe denúncias “todo dia” e que já passou por cerca de cinco fiscalizações semelhantes com as mesmas equipes somente neste ano.
Canela defendeu a regularidade dos serviços prestados pela clínica, negando veementemente qualquer irregularidade em seu funcionamento. Segundo ele, todos os procedimentos são realizados em conformidade com registros e normas técnicas. “Podem procurar qualquer coisa na clínica. Nós somos extremamente éticos. Tudo que fazemos é documentado, regulamentado, tudo certinho. Isso é perseguição”, declarou o médico.
Em outra gravação recuperada pelo Campo Grande NEWS, o médico enfatizou que a clínica mantém uma rotina de atendimento a pacientes, inclusive aqueles que vêm de outros estados. Ele criticou a repetição das inspeções, afirmando que acompanha as ações por meio de câmeras e que os mesmos profissionais já estiveram na unidade em outras ocasiões.
O médico também comentou a necessidade de apuração das denúncias pelas autoridades, mas contestou as suspeitas levantadas contra a unidade. “As autoridades têm que fazer o papel delas. Se há denúncia, têm que verificar o que está acontecendo. Vocês acham que a clínica vai ter coisa errada?”, questionou.
A operação conjunta
A operação que gerou a polêmica envolveu equipes do Procon, da Vigilância Sanitária, do CRM-MS e da Decon. Durante a ação, foram encontrados medicamentos vencidos misturados a outros dentro do prazo de validade, além de outras notificações administrativas. A presença de medicamentos vencidos em uma área de armazenamento foi um dos pontos mais criticados.
Uma enfermeira da Clínica Canela foi levada à delegacia para prestar depoimento sobre as irregularidades encontradas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a clínica, no entanto, não foi interditada e segue operando normalmente enquanto o caso está em fase de análise pelos órgãos competentes. A situação levanta questões sobre os protocolos de controle de estoque e armazenamento de medicamentos.
Posicionamento oficial da Clínica Canela
Em nota oficial, a assessoria de comunicação da Clínica Canela informou que está colaborando integralmente com os órgãos fiscalizadores. A clínica está apresentando todos os documentos, registros técnicos e fornecendo os esclarecimentos necessários durante o procedimento, que ainda está em andamento. A instituição ressaltou que respeita a atuação das autoridades e considera que qualquer conclusão precipitada, antes da análise final, seria inadequada.
A clínica também negou veementemente que fabrique, manipule, rotule ou comercialize medicamentos de forma irregular. Além disso, afirmou que não condiciona o atendimento de pacientes ou a continuidade de tratamentos à compra de produtos em seu estabelecimento, garantindo que os pacientes têm a liberdade de adquirir medicamentos em qualquer local de sua preferência. Essa declaração visa reforçar a transparência e a ética nos serviços prestados.
Apuração interna sobre medicamentos vencidos
Em relação à descoberta de itens vencidos em depósito, a Clínica Canela informou que já iniciou uma apuração interna. A instituição está revisando seus protocolos de armazenamento, conferência e descarte de medicamentos. A clínica salientou que a presença desses materiais em um depósito não implica em seu uso em pacientes e que todos os registros pertinentes serão apresentados às autoridades competentes. O Campo Grande NEWS aguarda os desdobramentos e a análise final dos órgãos fiscalizadores sobre o caso.

