Escola de MS cria sistema de reuso escolar e é premiada nacionalmente

Projeto inovador de MS combate desperdício em escolas e ganha prêmio nacional

Em um país onde o desperdício é um problema recorrente, uma iniciativa vinda de escolas públicas de Naviraí, em Mato Grosso do Sul, surge como um farol de esperança e inovação. O projeto “SIRE – Sistema de Reuso Escolar”, idealizado pela professora Daniele Bassanesi, conquistou o 3º lugar na categoria Jornada de Inclusão e Sustentabilidade na Educação durante a 3ª edição do Prêmio Educador Transformador. A premiação, realizada em São Paulo durante a Bett Brasil, a maior feira de inovação educacional da América Latina, reconhece projetos que buscam soluções criativas para desafios reais da educação brasileira. Conforme divulgado, o SIRE visa reduzir custos e o descarte de materiais, aplicando os princípios da economia circular no ambiente escolar.

A inspiração para o SIRE nasceu da observação atenta da rotina escolar. A professora Daniele Bassanesi percebeu que materiais utilizados em eventos como feiras culturais, apresentações, saraus e festas juninas frequentemente eram descartados logo após o uso, mesmo estando em bom estado. Essa constatação gerou a ideia de criar uma plataforma digital que pudesse conectar as escolas, permitindo o reaproveitamento inteligente desses recursos.

Plataforma digital conecta escolas para otimizar uso de materiais

O SIRE funciona como uma rede colaborativa. As escolas podem cadastrar materiais que não estão sendo utilizados, e outras instituições podem solicitar esses itens. Após o uso, os materiais são devolvidos ao local de origem, garantindo que sua vida útil seja estendida ao máximo. Essa dinâmica não só reduz o desperdício, mas também representa uma economia significativa para as escolas, que muitas vezes precisam adquirir novos materiais para cada evento.

Segundo Priscila Veloso, analista-técnica do Sebrae, uma das organizadoras do prêmio, a conquista do SIRE coloca Mato Grosso do Sul em destaque no cenário da educação inovadora. “Projetos como o SIRE mostram como a educação pode unir inovação, sustentabilidade e protagonismo, ao possibilitar um melhor aproveitamento de materiais e recursos escolares com base na economia circular”, destacou Veloso. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa iniciativa reforça a importância de práticas sustentáveis no ambiente educacional.

Validação e impacto do projeto na comunidade escolar

Antes de implementar a plataforma, Daniele Bassanesi realizou um questionário em três escolas, obtendo respostas de 78 professores. A pesquisa confirmou que o desperdício de materiais é uma realidade comum em diversas redes de ensino. “A aceitação foi imediata porque essa é uma dor recorrente nas escolas. Acreditamos que o projeto também ajudará os estudantes a desenvolver consciência sobre sustentabilidade”, afirma Daniele. O projeto foi desenvolvido junto à gestão da Escola Estadual Eurico Gaspar Dutra, onde Daniele atua.

A professora Daniele Bassanesi já possui um histórico de reconhecimento em projetos de inovação educacional. Em 2024, ela já havia conquistado o primeiro lugar na segunda edição do mesmo prêmio, na categoria Ensino Médio. Agora, com o SIRE, ela expande sua visão para a integração entre escolas e, futuramente, a colaboração entre diferentes redes de ensino. Essa trajetória demonstra sua expertise e paixão por transformar a educação, algo que o Campo Grande NEWS tem acompanhado e destacado.

Economia circular e futuro regenerativo nas escolas

O Prêmio Educador Transformador, promovido pelo Sebrae, Instituto Significare e Bett Brasil, tem como objetivo reconhecer iniciativas que criam soluções inovadoras para os desafios da educação brasileira. Neste ano, o tema “Educação para enfrentar crises e construir futuros regenerativos” ressoou fortemente com o projeto SIRE. A iniciativa de Daniele Bassanesi exemplifica como a criatividade e a colaboração podem gerar impactos positivos e duradouros, alinhando educação, sustentabilidade e desenvolvimento social.

Mesmo em fase de prototipagem, o SIRE já alcançou notável visibilidade nacional, impulsionando um movimento crescente nas escolas: a transformação de problemas cotidianos em soluções sustentáveis e colaborativas. “Estamos vivendo um momento de transição na educação, e ninguém melhor do que nós, educadores, para conduzir essa mudança. Inovar por meio de projetos é uma forma de inspirar os estudantes a encontrarem soluções inteligentes para problemas sociais que impactam diretamente o cotidiano das escolas e da sociedade”, conclui Bassanesi.

A premiação nacional, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, concedeu aos terceiros colocados de cada categoria, incluindo o SIRE, notebooks e mochilas. Este reconhecimento não apenas valida o esforço da professora, mas também serve de inspiração para que outras escolas adotem práticas similares, promovendo um futuro mais sustentável e consciente para as próximas gerações.