O embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, projeta um crescimento expressivo no comércio entre o Mato Grosso do Sul e a China com a conclusão da Rota Bioceânica de Capricórnio. A obra, que conecta o Oceano Atlântico ao Pacífico, facilitará o escoamento de produtos sul-mato-grossenses para a Ásia, reduzindo custos e tempo de transporte. A ponte entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta (Paraguai) está com mais de 90% das obras concluídas, um marco crucial para a integração.
“Mato Grosso do Sul é um estado muito importante para as relações econômicas e comerciais entre o Brasil e a China, cooperação que vem crescendo muito rapidamente”, afirmou Zhu Qingqiao durante o “Summit Bioceânica”, realizado em Brasília. Ele destacou que a Rota Bioceânica irá impulsionar essa relação, fortalecendo a parceria entre o Brasil, Mato Grosso do Sul, a China e toda a Ásia. A expectativa é de que os negócios se expandam consideravelmente com a operação do corredor.
Em 2025, Mato Grosso do Sul alcançou um recorde de exportações, totalizando US$ 10,7 bilhões, com a China como principal compradora. Soja, celulose e carne bovina lideraram as exportações. O desempenho positivo tem se mantido nos primeiros quatro meses deste ano, evidenciando a força da parceria comercial. Conforme o Campo Grande NEWS checou, investimentos chineses também têm crescido no estado, como a futura planta da Broad Wire em Três Lagoas, focada na produção de arames metálicos para a indústria de celulose.
Ponte em fase final e potencial logístico
A ponte sobre o Rio Paraguai, ligando Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta (Paraguai), está a poucos metros de ser concluída, com o esperado “beijo da ponte” previsto para junho. Esta obra é a porta de entrada brasileira para a Rota Bioceânica, um corredor logístico de aproximadamente 2,4 mil quilômetros que atravessa Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. O projeto é visto como uma alternativa estratégica ao escoamento tradicional pelo Oceano Atlântico e Canal do Panamá.
Estudos indicam que a Rota Bioceânica pode reduzir o tempo logístico para países asiáticos em até 17 dias e diminuir a distância marítima em cerca de 8 mil a 10 mil quilômetros, resultando em uma redução de até 40% nos custos de transporte. Essa eficiência logística é um dos principais atrativos para empresas chinesas, que buscam expandir sua presença no Brasil. O embaixador chinês ressaltou o otimismo com a cooperação bilateral, considerando o Brasil um mercado grande, estável e com orientação estratégica clara entre os líderes dos dois países.
Otimismo com a cooperação bilateral
O embaixador Zhu Qingqiao reiterou o otimismo em relação à cooperação com o Brasil e, em especial, com Mato Grosso do Sul. Ele acredita que a integração regional facilitada pelas obras de infraestrutura em andamento abrirá novas oportunidades de negócios, incluindo o aumento do comércio, a otimização logística e a atração de investimentos ao longo do corredor. Conforme o Campo Grande NEWS checou, as relações entre China e Brasil vivem o melhor momento histórico, e há um desejo mútuo de que esse desenvolvimento seja contínuo e traga mais benefícios aos dois povos.
Apesar dos desafios burocráticos, o avanço das obras é visto com bons olhos. A ponte é financiada pela Itaipu Binacional, com investimentos de US$ 100 milhões na margem paraguaia e mais de R$ 450 milhões na margem brasileira, para a ponte que liga Foz do Iguaçu a Presidente Franco. Do lado brasileiro, o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) está concluindo acessos e alfândegas com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), estimados em R$ 472 milhões.
Desafios e perspectivas futuras
Apesar do otimismo, gargalos regulatórios e alfandegários podem impactar a operação logística, como aponta um estudo do BID. A harmonização de regras entre os países envolvidos na rota é fundamental. A estrutura da Área de Controle Integrada (ACI) em Porto Murtinho, que ainda não saiu do papel, precisa integrar diversos órgãos federais. A capacidade limitada do pátio de estacionamento para caminhões também levanta preocupações sobre a fluidez do transporte internacional. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a estrutura planejada para Porto Murtinho é menor que a fronteira entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, que já enfrenta restrições em períodos de pico.
O diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, reconhece a complexidade, mas acredita em soluções graduais, comparando o ajuste da operação a “carroças de abóboras”, onde a capacidade é ampliada conforme a demanda. Ele enfatiza que a ponte não estará totalmente operacional logo após o “beijo da ponte”, mas que o corredor internacional tem o potencial de transformar o desenvolvimento econômico de Mato Grosso do Sul e do Paraguai. O senador Nelsinho Trad também destacou a importância do projeto para o comércio exterior do estado, prevendo investimentos municipais significativos para atender às novas demandas geradas pelo corredor.

