Brasil institui Dia Nacional em memória das vítimas da Covid-19

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta segunda-feira (11), a lei que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19. A data, celebrada anualmente em 12 de março, remete ao primeiro falecimento causado pela doença no Brasil, ocorrido em 2020, em São Paulo. A pandemia deixou um rastro de mais de 700 mil mortos em todo o país, sendo 11.385 óbitos e 755.156 casos confirmados em Mato Grosso do Sul, conforme dados da Secretaria de Saúde Estadual (SES). A iniciativa visa não apenas honrar a memória daqueles que se foram, mas também combater a desinformação e reforçar a importância da vacinação e da saúde pública. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a lei, originada de projeto aprovado pelo Congresso Nacional, busca preservar a memória coletiva e fortalecer ações de conscientização.

A cerimônia de sanção, realizada no Palácio do Planalto, contou com a presença de ministros, profissionais de saúde e familiares de vítimas. O presidente Lula criticou a condução da pandemia no governo anterior e ressaltou a necessidade de manter viva a lembrança das vítimas. “Se a gente não faz isso, cai no esquecimento. E é tudo que eles desejam, que caia no esquecimento”, declarou Lula, enfatizando o caráter permanente da data.

A primeira-dama, Janja da Silva, emocionou-se ao recordar a perda de sua mãe para a Covid-19 em 2020. Ela reforçou o impacto da pandemia e criticou a resistência à vacinação no Brasil. O Ministério da Saúde, por sua vez, lançou a instalação “Cada Nome, Uma Vida” em homenagem às vítimas, que ficará exposta no Palácio do Planalto até 19 de maio. Projeções com nomes de vítimas e mensagens de valorização do SUS e dos profissionais de saúde também foram realizadas em monumentos de seis capitais brasileiras.

Impacto da Pandemia em Mato Grosso do Sul

Mato Grosso do Sul sentiu profundamente os efeitos da pandemia. O ano de 2021 foi o mais crítico para o estado, registrando 246.644 casos confirmados e 7.358 mortes. A taxa de letalidade atingiu 3%, e a mortalidade, 259,2 óbitos por 100 mil habitantes. Naquele período, hospitais públicos e privados enfrentaram superlotação, e cidades implementaram medidas restritivas, como o toque de recolher, enquanto pacientes aguardavam vagas em UTIs.

Em 2020, o primeiro ano da pandemia, o estado contabilizou 133.761 casos e 2.397 mortes. Com o avanço da vacinação, o número de vítimas diminuiu para 1.207 em 2022, apesar dos mais de 212 mil diagnósticos positivos registrados naquele ano. Os anos seguintes mostraram uma desaceleração contínua nos indicadores. Em 2023, foram 29.277 casos e 219 mortes. Já em 2024, o estado registrou 11.998 confirmações e 135 óbitos. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, em 2025, foram 8.564 casos e 60 mortes.

Perfil da Doença em Campo Grande e no Estado

O boletim epidemiológico mais recente da SES, referente à 15ª semana de 2026, aponta 1.124 casos e sete mortes em Mato Grosso do Sul neste ano. A capital, Campo Grande, concentra o maior número de registros, com 135 casos e três mortes em 2026. Uma mudança notável no perfil da doença tem sido observada nos últimos anos: em 2026, adultos entre 20 e 39 anos concentram a maior parte das notificações. Pessoas de 30 a 39 anos representam 19,3% dos casos registrados neste ano, enquanto a faixa de 20 a 29 anos soma 17,4%. Mulheres concentram 63,6% das confirmações atuais no estado. A análise detalhada desses dados reforça a importância do monitoramento contínuo e das campanhas de saúde pública, como destaca o Campo Grande NEWS em suas reportagens sobre a região.

Combate à Desinformação e Valorização da Saúde Pública

O Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19 terá um caráter permanente, servindo como um lembrete constante dos impactos da pandemia e como ferramenta de combate à desinformação sobre vacinas. O governo federal busca, com essa iniciativa, reconhecer o trabalho incansável dos profissionais de saúde e fortalecer as políticas públicas voltadas à prevenção de novas emergências sanitárias. A preservação da memória coletiva é vista como fundamental para a construção de um futuro mais seguro e resiliente.

A lei sancionada pelo presidente Lula reforça o compromisso do Brasil em não esquecer as mais de 700 mil vidas perdidas para a Covid-19. A instalação “Cada Nome, Uma Vida” e as projeções em monumentos são manifestações tangíveis desse luto e dessa homenagem. A iniciativa também visa promover a conscientização sobre a importância da vacinação e da saúde pública, pilares essenciais para a proteção da sociedade. O reconhecimento aos profissionais de saúde é uma forma de agradecer o esforço e dedicação demonstrados durante os anos mais difíceis da crise sanitária.