Vôlei Sub-21: Jovens talentos buscam elite do Brasileiro em Campo Grande

Campo Grande foi palco neste domingo (10) das emocionantes semifinais do Campeonato Brasileiro Interclubes (CBI) Sub-21 Feminino. O Colégio Oswaldo Tognini sediou os confrontos que definiram as equipes que avançarão rumo à elite do vôlei nacional. A Associação Esportiva Campo Grande Vôlei (AECGV) lutou por uma vaga na final da Série B contra a Associação Realizar, de Santos (SP), mas a equipe paulista levou a melhor, garantindo sua classificação.

CBI Sub-21: Campo Grande sedia semifinais e decide acesso à elite

O torneio, organizado pelo Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) em parceria com a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), reuniu 11 equipes de diversos estados, com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento das categorias de base. A disputa em Campo Grande concentrou os jogos da Série B, onde os sonhos de ascensão se tornaram realidade para algumas, enquanto outras se preparam para a disputa pelo terceiro lugar.

A Associação Realizar, de Santos, demonstrou força ao vencer a AECGV e garantir sua vaga na final da Série B. O confronto decisivo ocorrerá nesta segunda-feira (11), às 16h30. Paralelamente, os times que não alcançaram a final disputarão o terceiro lugar, às 14h30, buscando a última vaga de acesso à primeira divisão do CBI.

A outra semifinal colocou frente a frente o Minas Tênis Clube (MG) e o Mampituba (SC). O vencedor deste embate se juntará à Associação Realizar na grande final, enquanto os derrotados também competirão pelo pódio e pela chance de subir de divisão.

Talentos em formação: a importância do CBI para o futuro do vôlei

Melissa Baeta, ponteira da equipe classificada para a final e com 19 anos, ressaltou a relevância de competir contra equipes de diferentes regiões do país. Com nove anos de trajetória no esporte, ela acredita que o formato do CBI é fundamental para o aprimoramento técnico das jogadoras.

“A nossa expectativa é alta, a gente vem crescendo durante a competição. Nosso jogo contra o Campo Grande a gente se complicou um pouco no terceiro set, deixamos algumas coisas fugirem do nosso controle, mas ainda assim com o poder do grupo a gente conseguiu fechar o 3×0”, relatou Melissa, destacando a força coletiva de sua equipe.

Rodrigo Fuentealba, técnico do Minas, enfatizou a importância estratégica do Sub-21 para a identificação de novos talentos. Ele vê a categoria como um celeiro para futuros atletas da Superliga e das seleções brasileiras.

“É a categoria logo abaixo do profissional, então é importante ter esse mapeamento de todos os atletas a nível Brasil para a gente descobrir novos talentos que possam estar colaborando tanto com as seleções quanto com os clubes da Superliga. Assim como a Superliga, que com a criação de várias ligas a nível mundial, está ficando muito enxuto o mercado, então sempre é importante ter novas caras”, afirmou Fuentealba.

Histórias de superação e o apoio familiar em Campo Grande

Entre as atletas sul-mato-grossenses, Isabele Batistotti, de apenas 16 anos, viveu um momento especial ao disputar a competição em sua cidade natal, com o apoio da família. Jogadora do Campo Grande Vôlei, ela contou com a torcida vibrante de sua mãe, Elisangela Batistotti, de 47 anos, nas arquibancadas, em uma emocionante celebração do Dia das Mães.

“Para mim é uma honra ver ela jogando, sempre foi a vontade dela, desde pequena, e aí a gente conheceu o Campo Grande Vôlei, que é uma associação excelente, respeitável”, disse Elisangela, que, apesar de não ter tido uma carreira no esporte, sempre incentivou a filha a perseguir seu sonho.

Isabele, já com experiência em competições interclubes nas categorias Sub-17 e Sub-19, expressou sua gratidão pela oportunidade. “É muito gratificante estar aqui porque eu sei que muitas gurias lutam para estar aqui e eu tive esse prazer. Desde criança eu jogo. Tentei outros esportes, mas eu gosto mesmo é de vôlei”, comentou a jovem promessa.

Investimento em base e o desafio do apoio privado no vôlei sul-mato-grossense

Samir Ismail Talleh, técnico e presidente da AECGV, destacou o investimento contínuo do clube nas categorias de base, tanto no feminino quanto no masculino, e a participação ativa em competições nacionais. Ele mencionou que um atleta do clube foi pré-convocado para a seleção masculina Sub-17.

“A nossa equipe treina todos os dias, além da parte física, com academia, tem a parte psicológica também. A gente vem desde o início do ano se preparando para essas competições e já conseguimos chegar entre os quatro, vamos disputar o terceiro lugar amanhã, conseguimos jogar de igual para igual com grandes equipes”, avaliou Talleh, ressaltando o bom desempenho da equipe.

Para Talleh, o crescimento do voleibol em Mato Grosso do Sul ainda esbarra na necessidade de maior participação da iniciativa privada em projetos esportivos. Ele explicou que, embora existam projetos aprovados na Lei de Incentivo, a cultura de doação no estado ainda precisa ser fortalecida.

O CBI Sub-21 Feminino em Campo Grande é um exemplo do trabalho árduo e da paixão pelo vôlei que movem jovens atletas e clubes em todo o país, em busca de um futuro brilhante nas quadras.